🔉️📺️(615)_COM QUE IDADE SE PODE FAZER O QUÊ [Cidadania] (por Jornal do Senado)



Clique p/OUVIR 👉️🔉️

 



COM QUE IDADE SE PODE FAZER O QUÊ

( A Constituição de 1988 mudou as regras da maioridade, antecipando para os 18 anos muitos direitos e deveres que antes eram reservados apenas aos maiores de 21 anos. Outras leis e códigos definem limites de idade para vários atos. Veja nesta edição com que idade se pode fazer o quê.


Fonte: Jornal do Senado Brasília, 2008 | especial Cidadania | Ano VI | N° 212


DO NASCIMENTO ATÉ OS 14 ANOS

• Até os 12 anos a pessoa é considerada criança, e dos 12 aos 18 anos, adolescente.

• Até os cinco anos a criança pode andar de graça, no colo, nos ônibus urbanos e metrô.

• Aos dez anos já pode andar no banco da frente do carro e assistir sozinha a filmes e espetáculos indicados para sua idade (antes disso, só acompanhada dos pais ou responsáveis).

• Aos 12 pode viajar sozinha dentro do país, desde que autorizada pelos pais. Nessa idade, tem direito a ser ouvida para ser adotada.

• Aos 14 já pode ser menor-aprendiz, com todos os direitos trabalhistas e previdenciários - antes dessa idade trabalho de criança é ilegal e aquele que explora trabalho infantil está cometendo crime.

• Até os 16 anos a pessoa é considerada incapaz e deve ser representada pelos pais ou tutores, ou pelo Estado.

====

O ADOLESCENTE COM 16 PODE

• Votar se quiser, não é obrigatório.

• Casar, se for autorizado pelos pais ou juiz, ou se ocorrer uma gravidez.

• Ser testemunha em processo judicial.

• Receber procuração ou poderes para representar outra pessoa.

• Administrar o dinheiro ganho com seu trabalho ou recebido de herança.

• Fazer um testamento, desde que assinado em conjunto com os pais.

• Ser emancipado, passando a ter todos os direitos dos maiores de 18 anos se:
# autorizado pelos pais
# tiver empresa ou emprego que o sustente
# casar
# exercer emprego público
#concluir curso superior.


Aos 16, a pessoa é considerada parcialmente incapaz e seus pais ou responsáveis já não podem representá-lo, tomando decisões à sua revelia: devem assisti-lo em atos como assinatura de contratos, testamento etc.

Atenção: o menor entre 16 e 18 anos que tiver omitido a idade ou mentido ser maior de 18 ao contratar uma obrigação, como um empréstimo, por exemplo, não pode alegar ser menor para não cumprir o contrato.

====

QUEM TEM 18 ANOS COMPLETOS

• É obrigado a votar. Quem não votar e não justificar a falta paga multa.

• É obrigado a prestar serviço militar, se for do sexo masculino e não for dispensado.

• Pode ser candidato a vereador.

• Se cometer crime, está sujeito às regras do Código Penal (pena máxima 30 anos de reclusão), e não mais ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que define prazo máximo de três anos de internação para o infrator menor de 18 anos. É a chamada maioridade penal.

• Pode hospedar-se em hotéis e motéis sem autorização dos pais ou responsáveis.

• Pode jogar na loteria - bilhetes lotéricos são jogos de azar, proibidos para menores.

• Pode viajar sozinho para outro país sem autorização dos pais ou responsáveis.

• Pode trabalhar depois das 22h ou em ambiente perigoso ou insalubre (desde que com as proteções garantidas pelas leis do trabalho, é claro).

• Está no limite de idade para adoção. Depois dos 18, ninguém pode ser adotado.

• Pode dirigir - como a maioridade penal só ocorre aos 18, idade em que a pessoa pode ser punida por crimes no trânsito, a permissão para dirigir também só é dada a partir dessa idade.

====

AOS 21ANOS É PERMITIDO

• Ser empossado como prefeito ou vice-prefeito, deputado estadual ou distrital, deputado federal, ministro de Estado.

• Ser juiz de paz.

• Tornar-se motorista profissional.

• Adotar um filho de até cinco anos (a pessoa que adota deve ter 16 anos mais que o adotando).

====

DOS 25 AOS 35, MAIS RESPONSABILIDADE

• Aos 25 pode-se ter arma de fogo obedecido o Estatuto do Desarmamento.

• Com 30 anos é possível ser governador ou vice-governador de estado ou do DF.

• É preciso ter 35 anos para ser presidente ou vice-presidente da República, senador, ministro de qualquer dos tribunais superiores, procurador-geral da República ou advogado-geral da União.

====

AOS 60 ANOS, NOVOS DIREITOS

• A lei considera idosa a pessoa maior. de 60 anos.

• Ela tem direito a ser atendida com prioridade em repartições, empresas e concessionárias de serviços públicos, e bancos.

• Só é possível casar com separação de bens.

• A mulher pode se aposentar pelo INSS (desde que tenha contribuído durante 30 anos).

• A Justiça tem que dar prioridade ao andamento das ações em que seja parte a pessoa com mais de 60 anos.

====

COM MAIS DE 65 ANOS

• Pode-se usar gratuitamente o transporte coletivo urbano.

• O idoso carente tem direito a uma pensão de um salário mínimo.

• O homem pode se aposentar pelo INSS (desde que tenha contribuído durante 35 anos).

• Pode-se viajar nos ônibus interestaduais de graça, se houver vaga (as empresas devem oferecer duas passagens de graça para idosos em cada viagem) ou com 50% de desconto (se as duas vagas gratuitas já tiverem sido ocupadas por outros idosos).

• Depois dos 70 o voto não é mais obrigatório.

====

Saiba mais

Veja algumas das fontes desta edição: 

 • Constituição http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm

Código Civil (Lei 10.406/02) http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/leis/2002/L10406.htm

Código Penal (Lei 7.209/84) http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del2848.htm

Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/2003/L10.741.htm

Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm

Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9503.htm

Tramitam no Senado várias propostas de emenda à Constituição PECs 20 e 18, de 1999, 3/01, 26/02, 90/03 e 9/04 que pretendem reduzir a maioridade penal para 16 anos.


Fim

📺️(614)_CUIDADOS NATURISTAS NA FEBRE DA CRIANÇA [Saúde] (por Dra. Tânia Cajazeira)



CUIDADOS NATURISTAS NA FEBRE DA CRIANÇA

Dra. TÂNIA CAJAZEIRA 


( Para LOTHLORIEN é uma alegria apresentar este trabalho ao público porque assim cumpre uma de suas propostas: divulgar a medicina natural como forma de contribuir para o autoconhecimento, a liberdade individual, para a consecução da felicidade das pessoas e a realização do Amor Incondicional na Terra.  )



PRODUÇÃO: LOTHLORIEN 

ILUSTRAÇÕES: AUREO AUGUSTO 

DATILOGRAFIA E REVISÃO: VERA LİMA 

SALVADOR-BA-BRASIL 1984 


LOTHLORIEN _ POR UMA VIDA MELHOR

CX POSTAL 2083 SALVADOR - BA 40 000 

----------------------------------


ÍNDICE 

Prefácio

Introdução

Regulação da temperatura do corpo

Influência da roupa na perda do calor

A febre

Métodos p/a tomada da temperatura

Conceito naturopático de febre

Alimentação na criança com febre

Procedimentos naturais usados na febre

Hidroterapia

Eoloterapia

Geoterapia

A convulsão febril

Bibliografia


----------------------------------


PREFÁCIO 


I. 

Uma grande conquista de alguns animais foi o domínio de sua temperatura interna. Os animais poiquilotermos, como os répteis, dependem do calor externo para realizar suas reações químicas vitais. Sabe-se (e como isto é esquecido:) que o metabolismo só se realiza dentro de um estreito limite térmico. 


As enzimas, sem as quais a química interna não existe, começam a se inativar logo que a temperatura se altera. As termites cavam longas galerias subterrâneas em busca do lençol de água freático para que, por capilaridade, a água suba até suas câmaras e corredores na superfície e os refresque; cria também sistemas de ventilação com o mesmo fim. Não lançasse mão destes procedimentos e sua temperatura interna subiria com graves conseqüências. As iguanas das ilhas galápagos aquecem-se ao sol antes de mergulhar rapidamente nas águas do pacífico em busca do seu único alimento: algas. O frio do mar inibiria seu metabolismo se não se aquecessem antes e não fossem rápidas na coleta das algas. Ao retornarem se deitam sobre as negras pedras das margens da ilha e esperam que o sol lhes devolva o calor perdido. Mas logo vão se afastando destas mesmas pedras cuidando que a temperatura não se eleve muito. Os répteis pré-históricos eram imensos e dizem os sábios, que um dos motivos deste tamanho foi que quanto maior sua massa, menor a perda de calor para ambiente, com maior tempo de atividade e se confirma isto ao observarmos que no Ártico os animais de maior porte hibernam menos (resistem mais ao frio). Mas alguns pequenos animais, já naqueles períodos tão antigos, conseguiram maior autonomia por produzirem calor internamente. Então, a despeito do que ocorresse fora (dia, noite, inverno, verão), sua temperatura interna estava preservada através de mecanismos de produção e dispersão de calor. Mas isso não foi sem esforço. Setenta a noventa por cento do alimento ingerido é usado nos animais homeotermos, para a manutenção do equilíbrio térmico. Um réptil do tamanho de um rato, não tem a mesma autonomia porém se alimenta noventa por cento menos. Uma cobra pode alimentar-se apenas doze vezes por ano. 



II.

O equilíbrio das temperaturas do corpo, a homeostase térmica: a natureza investe bastante naquele detalhe da vida que, com freqüência, tem sido esquecido. Quando o desequilíbrio orgânico se torna manifesto, como é o caso da febre, aí todos voltam preocupados, ansiosos por abafar o alarme. Acabar com a febre. "Conseguimos diminuir a febre", dizem os pais aliviados. O inimigo foi dispersado, Mas será que o inimigo era inimigo? 



III. 

A Dra. Tânia Cajazeira, formada em Medici na pela Universidade Federal da Bahia e com residência em pediatria no Hospital Distrital de Brasília-DF, pratica a naturopatia no serviço público (não sem dificuldade) e no consultório particular. Sua história é parecida com a de outros que enveredaram pelo caminho do naturismo; isto é, curou primeiro a si mesma de um mal que a obrigava a medicar-se todos os dias; em outras palavras, experimentou em si o valor desta terapêutica. Com bastante simplicidade, ela expõe o seu pensamento naturista: com a mesma simplicidade com que ela trata com seus pacientes, e isto não a fez afastar-se do senso científico. Para LOTHLORIEN é uma alegria apresentar este trabalho ao público porque assim cumpre uma de suas propostas: divulgar a medicina natural como forma de contribuir para o autoconhecimento, a liberdade individual, para a consecução da felicidade das pessoas e a realização do Amor Incondicional na Terra. 


Aureo Augusto 

Coordenador Geral de LOTHLORIEN 

Por uma vida melhor 


----------------------------------


Existe uma grande preocupação em relação à febre no homem em geral e em especial nas crianças, levando as pessoas a tomarem medidas para combater de imediato e, se possível, acabar eficazmente com qualquer aumento de temperatura corporal normal, trazendo uma forma de quase alívio quando se consegue alcançar este objetivo. Nossa intenção é trazer um esclarecimento para todos do que é febre, e de que maneira devemos nos comportar diante de um quadro febril, especialmente em crianças. Se a febre, como qualquer outro fenômeno, está ocorrendo, é porque existe uma causa e certamente, um fim. 


Devemos ter em conta a finalidade dos fenômenos de uma maneira geral, por exemplo: tosse, diarréia, da febre em particular, quando pusermos em ação os meios para combatê-los. Este é um ponto muito importante a ser lembrado. No decorrer deste artigo, repetiremos algumas vezes certos dados que nos parecem de grande importância para a compreensão do todo. 


----------------------------------

Figura.:


CORPO CALOSO | TÁLAMO | HIPOTÁLAMO | CEREBELO  | PONTE | BULBO 


==============================


REGULAÇÃO DA TEMPERATURA DO CORPO


O homem é um animal isotérmico: para sobre viver, ele deve manter uma temperatura constante no seu organismo em torno de 37°C, mesmo diante de variações externas e da contínua produção de calor no interior do seu corpo pelo metabolismo. Esta isotermia evita que mudanças para mais ou para menos na temperatura, alterem o funcionamento das células que exigem um nível constante na temperatura. Essa continua produção de calor que se consegue através das reações químicas  o metabolismo  é compensado pela pronta dispersão de excesso de calor; este controle na manutenção da temperatura, através da taquipnéis, evaporação do suor, condução, convecção, etc., como será explicado adiante   a regulação da temperatura humana é feita pelo hipotálamo. 


O hipotálamo são estruturas agrupadas em núcleos situados na base do cérebro, que estão em conexão com outras áreas do cérebro, responsável por um número variado de funções como regulação da fome, sede, das funções do sistema nervoso autônomo, regulação da temperatura, além de muitas outras. 


Para o controle da temperatura existem dois centros: o hipotálamo anterior, que controla a perda de calor, e o hipotálamo posterior, responsável pelo controle da manutenção do calor, num mecanismo de 'feed-back': quando o calor está excessivo para organismo, o hipotálamo anterior põe em ação os mecanismos para que este excesso seja perdido; e, quando pelo contrário, há uma queda na temperatura, o hipotálamo posterior põe em ação os mecanismos que promovem a produção e diminua ou impeça sua perda. Quando ocorre um aumento de até alguns centésimos do grau além de 37.6°C, um grupo de células nervosas no hipotálamo são excitadas. O sangue, passando pelo hipotálamo a uma temperatura um pouco mais elevada, desencadeia uma série de mecanismos para manter a temperatura a um nível que permita o funcionamento ideal de várias reações químicas que ocorrem em nosso corpo, através da perda desse excesso de calor. 


O aumento da perda de calor é conseguido por: 


1 Através da evaporação do suor que é então produzido em maior quantidade pela estimulação das glândulas sudoríparas; 


2 Através da vasodilatação que ocorre na pele. 


A maior produção de suor, até certo ponto, permite uma evaporação que é um dos meios mais eficazes para a perda de calor e conseqüentemente, resfriamento do corpo. Esta evaporação se dá também através dos pulmões, que aumentam o número de seus movimentos respiratórios para ajudar na perda de calor. 


------------------figura

POR ONDE O CORPO PERDE CALOR:  EVAPORAÇÃO  |  CONDUÇÃO AO AR (CONVECÇÃO)  |  RADIAÇÃO  |  CONDUÇÃO   |  A OBJETOS 

-------------------------------------

A pele e o tecido celular subcutâneo possuem uma rica rede de vasos. A vasodilatação permite o afluxo de grande volume de sangue para a superfície. Ao chegar na superfície do corpo através do sangue principalmente, ou difusão através dos tecidos, o calor é perdido por vários meios. A evaporação, já citada, responde por aproximadamente 22% da perda. Além disso perde-se calor por radiação, condução e convecção. Com o corpo nú perdemos grande quantidade de calor por radiação (60%), numa temperatura ambiente normal. Esta quantida de de perda aumentará se a nossa temperatura for maior que a do ambiente, e ganhamos calor se a temperatura do ambiente for maior que a nossa. 


A perda por condução ao ar também é de grande importância e para isso é necessário que haja uma renovação do ar diretamente em contato com a pele. 


A convecção é a perda de calor através das correntes de ar. Então, para que estes fatores tenham real importância, é necessário que haja movimentação do ar  as correntes de ar aumentam as perdas por convecção e evaporação  e que este ar não tenha umidade exagerada, o que não permitirá a evaporação. 



A INFLUENCIA DA ROUPA NA PERDA DO CALOR


As vestimentas de uma maneira geral provocam o aprisionamento do ar vizinho à pele, com o esquentamento do ar e não renovação, perdendo o efeito da perda de calor por condução. O ar fica preso, funcionando como isolante, diminuindo a perda de calor por irradiação. 


O outro mecanismo para controle da temperatura, a redução da produção de calor, se dá com a inibição do hipotálamo posterior, que diminuirá os estímulos das reações metabólicas (metabolismo), diminuindo conseqüentemente a produção de calor. Enquanto que o hipotálamo anterior controla o aumento da. temperatura, o hipotálamo posterior controla a dimi nuição da temperatura. 


Quando ocorre um resfriamento, o hipotálamo posterior promove uma vasoconstricção generalizada e isso vai impedir um maior afluxo de sangue para a pele, diminuindo conseqüentemente a perda de calor. Neste caso, o corpo vai perder calor principalmente por difusão através de suas camadas. 


A supressão da sudorese e o aumento da produção de calor são outros mecanismos que ajudam na manutenção da temperatura. Além disso, a hipertonia muscular e o calafrio provocados pela baixa temperatura são outras maneiras de aumentar a temperatura do corpo. 


O sistema endocrino também tem importância na regulação da temperatura. Ela depende essencialmente de uma regulação nervosa através do hipotálamo, porém as glândulas também têm parte neste controle. 


A exposição a temperaturas baixas por exemplo, provocaria uma estimulação do hipotálamo para a glândula hipófise. Quando o hipotálamo se resfria, ocorre um aumento na produção do hormônio mensageiro. Este é transportado até a pituitaria (hipófise) indo provocar um aumento na produção da tireotrofina. Este hormônio, ao chegar à tireóide vai estimular a produção de tiroxina, um hormônio que regula o nível básico do metabolismo corporal agindo diretamente sobre as células do corpo. O aumento do metabolismo provoca um aumento na liberação de calor, aumentando conseqüentemente a temperatura do corpo. A intensidade do metabolismo pode ser aumentado em mais de 100% do normal. 


O frio também pode provocar a liberação de adrenalina no sangue com conseqüente maior produção de calor. A adrenalina também interfere no metabolismo basal por ação em todas as células do organismo: fato semelhante ocorre em relação a outras glândulas do corpo. 


Na pele também existem receptores nervosos que ajudam a controlar a temperatura, transmitindo impulsos diretamente para o hipotálamo, desencadeando reflexos medulares, ou simplesmente ativando a parte psíquica com a sensação de frio ou calor. 


Interessante saber que o recém nascido possui também mecanismo semelhante ao do adulto, porém de grande importância nele é a produção de calor por ação de substâncias químicas  as catecolaminas  como a adrenalina e noradrenalina, sobre sua gordura marron. 


A faixa de variação de temperatura que ele pode suportar é muito estreita. A produção de calor através da movimentação muscular e calafrio não é tão intensa no recém-nascido. A sua perda por evaporação só consegue compensar um limite de calor produzido em condições normais pois apesar do grande número de glândulas sudoríparas que ele possui, relativo a uma dada superfície corporal, estas funcionam com apenas um terço da sua capacidade normal. Devemos por isso ter muito cuidado com o padecimento/resfriamento do recém-nascido. 


Todos estes fatores acima comentados são de grande importância para compreendermos a utilização dos meios usados no controle da temperatura. 



==============================


A FEBRE


Nosso organismo está sempre se valendo de mecanismos para se manter em equilíbrio. Quando estes mecanismos se intensificam em geral, há uma alteração na termorregulação com conseqüente produção de hipertermia. A febre é uma elevação da temperatura do corpo a um nível acima do normal no qual existe uma adaptação do organismo, até certo ponto, a esta elevação. Ocorre um deslocamento do nível de equilibrio do termostato havendo um reajuste para temperaturas mais altas, daí a sensação de frio e o aparecimento de calafrios em pessoas com febre. 


Modificações na temperatura normal pode ser ocasionada por vários fatores como idade, fatores psicológicos, exercício físico, enfermidades, uso de medicações, etc.


Anomalias do encéfalo, traumatismos, desidratação, etc., devem ser lembrados quando se está fazendo um controle da temperatura. 


No exercício físico, por aumento do metabolismo dos músculos em geral, há um conseqüente aumento da temperatura que pode inclusive chegar a niveis de 40°C quando tomados por via retal, sem no entanto se tratar de uma anormalidade. 


A febre é um dos fenômenos que acontecem quando o organismo como um todo trabalha com uma finalidade de se manter em equilibrio. Concordo inteiramente com Ruiz-Barra quando ele diz que a febre "é um movimento vital como outro qualquer, ainda que seja morboso, e o morboso não se pode considerar como efeito de um ataque de um agente recebido de 

forma passiva pelo ser cuja vida se altera".


Temos que buscar uma finalidade em tudo que ocorre em nosso organismo. Na febre, na enfermidade em geral, existe toda una constelação de mecanismos que atuam com a finalidade de eliminação do morboso, para permitir posteriormente um maior equilibrio no funcionamento do organismo. Por exemplo, notamos que na febre ocorre uma alteração generalizada no funcionamento, como se o organismo desviasse sua atenção concentrando-se no sentido de purificação deste corpo: ocorre em geral, uma perda do apetite, uma lassidão com diminuição dos movimentos do corpo e outros achados obstante significativos. Existe o abafamento de algumas funções, o que permite a exaltação de outras. O organismo concentra-se na eliminação do que lhe é necessário e, em geral, lhe é prejudicial. 



MÉTODOS PARA A TOMADA DA TEMPERATURA


Existem três métodos mais usados para o controle da temperatura corporal. Em nosso meio o mais rotineiro é a tomada da temperatura axilar: coloca-se o termômetro sob o braço por tempo de aproximadamente quatro minutos obtendo uma temperatura normal de 36,5°C mais ou menos 0,3°C. 


Para crianças acima de cinco anos um método útil é a tomada da temperatura oral: coloca-se o termômetro sob a lingua, mantendo-se os lábios fechados por mais ou menos quatro minutos. Aí a temperatura normal fica em torno de 37°C mais ou menos 0,3°C. 


Para crianças menores, é aconselhável o controle da temperatura retal. O termômetro é colocado no reto há uns quatro centímetros da entrada, por mais ou menos quatro minutos, com temperatura normal em torno de 37°C mais ou menos 0,3 C. 


Como vimos, nosso organismo necessita de uma temperatura ideal constante para se manter em equilíbrio. Quando ocorre uma modificação na nossa temperatura, entram em ação os mecanismos reguladores através do hipotalamo, glândulas, etc., que foram anteriormente comentados, na tentativa de trazer esta temperatura para um nível normal; a febre atuando com tros fenômenos, mostra a tentativa do organismo se ajudar para alcançar o equilíbrio, eliminando calor excessivo. 


Adiante falaremos do conceito naturopatico de febre e sobre um assunto que muito preocupa os pais  a convulsão febril. 



----------------------------------------


CONCEITO NATUROPÁTICO DE FEBRE


- FEBRE DESTRUTIVA -

- FEBRE CURATIVA -


Já sabemos que o homem é um animal isotérmico que deve manter uma temperatura constante em todo o seu corpo para manter-se em equilíbrio.


Para isso é necessário que haja uma boa circulação sangüínea pois uma má distribuição do sangue vai gerar aumento da temperatura no local para onde esta foi desviada, ficando a área menos irrigada com a temperatura mais baixa em relação às outras areas do corpo. Isso vai ocasionar um desequilíbrio térmico. Este desequilíbrio térmico o homem vem provocando todo o tempo no seu dia a dia.


O homem, distorcendo e alterando sua alimentação, vem provocando estas alterações na sua temperatura. Ele obriga o seu aparelho disgestivo a desempenhar um esforço muito grande para conseguir uma digestão. Para efetuar a digestão, vai haver necessidade de um esforço maior, com aumento do trabalho necessário, trazendo uma maior quantidade de sangue, uma congestão nas paredes do aparelho digestivo e conseqüentemente, um aumento na temperatura interna do corpo.


Este aumento na temperatura fará com que haja uma má atuação das enzimas digestivas, deixando os alimentos mau digeridos, o que provocará fermentação e putrefação dos alimentos, permitindo uma maior produção de gases e substâncias irritantes no interior do estômago e intestinos. Conseqüentemente, haverá um maior aumento na pressão, gerando aumento na temperatura, criando um círculo vicioso. Os alimentos assim não serão elaborados a uma temperatura que seria ideal, o que vai gerar fermentações e putrefações indesejáveis. As extremidades ficarão mais frias, com circulação deficiente. Somando a isso, o stress do dia a dia que diminui o ritmo digestivo, o abafamento da pele pelas roupas com prejuízo para seu funcionamento e perda de calor. A pele será pouco estimulada pelo frio e calor da atmosfera, perdendo muito da sua função. Estes fatores agindo juntos são responsáveis pela origem da febre interna ou febre destrutiva, assim chamada porque representa um desequilíbrio (já vimos que o organismo necessita manter certas temperaturas). 


A febre externa (febre curativa), é a que na realidade, mais apavora as pessoas. Esta febre é causada por uma reação do organismo, o que revela vitalidade; uma maior capacidade de defesa. 


Quando o organismo necessita se livrar de substâncias que não lhe são úteis, e se ele tem uma boa capacidade de reação, se tem vitalidade, ele lança mão da febre externa, promovendo uma vasodilatação periférica, derivando o calor do interior do corpo para o exterior e propiciando uma maior eliminação de substâncias que não lhe são necessárias ou mesmo que lhe são prejudiciais. 


Quando o organismo perde esta capacidade de responder com febre externa, ele perpetua um estado de desequilíbrio térmico com conseqüente aparecimento de enfermidades diversas.


Um estado de FEBRE EXTERNA deveria ser um estado permanente de nosso corpo. A pele deveria estar sempre quente, porém não febril, mostrando que está havendo um equilíbrio na temperatura, exceto claro, quando o frio do ambiente for muito grande e tivermos que economizar o calor, a reação ao frio que provoca febre externa fica em grande parte impedida pelas roupas usadas diariamente. Também a ação do sol provocando vasodilatação e descongestionando o interior dos órgãos é grandemente impedida pelo uso de roupas. 


======================


ALIMENTAÇÃO NA CRIANÇA COM FEBRE


Ao exposto acima podemos acrescentar que uma das maneiras de se evitar e combater a febre é a preocupação com a alimentação.


Se uma alimentação inadequada é um dos fatores responsáveis por um desequilíbrio na temperatura, uma atenção especial deve ser dada a ela de modo geral e em especial na febre.


A alimentação errada provoca congestão das vísceras por necessitar de um maior esforço para seu trabalho gerando um desequilíbrio térmico. Se o corpo tem condições de reagir a este estado, ele conseguirá, como uma das maneiras de voltar ao seu equilíbrio, redistribuir estas temperaturas, provocando a febre externa, febre curativa.


ALIMENTAÇÃO


A temperatura tem a máxima importância nas reações que ocorrem no nosso organismo. Na enfermidade febril existe uma intensificação do metabolismo, ou mesmo uma alteração com orientação maior no sentido do catabolismo, no sentido de eliminação. A alimentação no período febril deverá ser orientada no sentido de ser muito simples, que não necessite um grande esforço no seu metabolismo, que não ocorrendo de maneira ideal nestas ocasiões, ocasionará o aparecimento de substâncias tóxicas com prejuízo para o organismo.


Deve ser respeitada a anorexia (falta de apetite e disposição para alimentar-se) que está em 

geral, presente, procurando não forçar a alimentação, o que às vezes pode provocar uma rejeição mais evidente através do aparecimento de vômitos, que se apresenta em algumas ocasiões quando se insiste para que o enfermo se alimente, mostrando uma defesa natural do organismo, evitando que assim ele tenha que desviar sua atenção do trabalho importante de eliminação que está se processando, para metabolizar os alimentos que estão chegando.


Devemos ter em conta que se a digestão é um trabalho difícil para o homem normal, mais ainda em especial nos doentes com febre, no qual há uma exaltação do seu metabolismo e um desvio no sentido do catabolismo, ou seja, na transformação ou eliminação de substâncias complexas em substâncias mais simples pelo organismo, com produção de energia. 


De posse desses conhecimentos, sabemos que os alimentos devem ser simples, de fácil digestão e pronta eliminação, evitando que permaneçam por muito tempo no aparelho digestivo e, conseqüentemente, sofram putrefação, além de se dever orientar sua alimentação no sentido de se auxiliar o processo de eliminação. 


Os alimentos cozidos, em geral, são mais dificilmente digeridos e exigem um maior esforço digestivo, provocando uma congestão nas vísceras, devendo por isso ser evitados o mais possível. Também a temperatura dos alimentos deve ser normal. Eles não devem ser servidos nem muito frios, nem muito quentes, o que provocaria uma reação nas mucosas do aparelho digestivo, mantendo um estado de congestão com conseqüente aumento da febre interna. 


De início é comum observar-se que o doente, a criança no caso, aceita apenas água, fazendo um jejum espontâneo, mostrando uma cooperação natural com a finalidade do processo. 


As frutas suculentas de uma maneira geral, os sucos de frutas e verduras, as folhas e hortaliças cruas, são ricos em água e seus resíduos estimulam a eliminação, podendo ser oferecidos em pequenas quantidades numa fase em que já melhora a aceitação. 


Os alimentos ricos em amidos, féculas, gordura vegetal, já requerem um trabalho maior e devem ser evitados num processo febril. Os alimentos ricos em proteínas, com composição mais complexa, são mais dificilmente metabolizados e seus resíduos mais dificilmente eliminados, exigindo um trabalho extra, o que perturba a finalidade do processo febril. 


Se não há fome, oferecer os alimentos sob a forma de sucos ou água, que são melhor aceitos nestas ocasiões: e se há fome, deve-se ter os cuidados acima comentados na oferta de alimentos que lhe intoxiquem ainda mais. 


A alimentação fica mais simplificada quando oferecemos um tipo de alimento em cada refeição, pois cada alimento exige um trabalho diferente na sua digestão. 


O número de vezes que se deve dar os alimentos fica na dependência do tempo médio necessário para a digestão do alimento dado anteriormente. Além disso, em cada vez, deve-se oferecer pequenas quantidades, o que vai ajudar na mistura do alimento com o suco digestivo facilitando a digestão. 


Quando se vencer esta fase inicial, devemos na fase em que já vai melhorando o apetite, não tentar compensar o tempo perdido na esperança que a criança engorde (já que em geral há uma queda no peso), oferecendo alimentos mais 'fortes'. 


Lembremos que o organismo acaba de sair de uma crise e voltará paulatinamente à sua normalidade. Não devemos esquecer que o primeiro passo para se ter saúde é a manutenção de hábitos alimentares sadios, favorecendo um processo digestivo normal. 



========================



PROCEDIMENTOS NATURAIS USADOS NA FEBRE

 


Diante de uma criança com febre não devemos esquecer que esta, como outro processo qualquer, existe com uma finalidade e devemos procurar colaborar com o processo geral. Sabemos ainda que ao submetermos qualquer órgão a um trabalho forçado, haverá aumento de calor naquele órgão. Ao ingerirmos alimentos inadequados, cozidos, e de difícil digestão, im pomos um trabalho forçado ao aparelho digestivo. Em conseqüência, haverá necessidade da presença de uma maior quantidade de sangue naquele local e logicamente uma maior quantidade de calor por congestão das mucosas do aparelho digestivo. O sangue ficará mau distribuído, sendo que a pele e as extremidades, devido à conseqüente diminuição da circulação, estarão em geral frias, configurando a febre interna. 

 

Além disso, a nossa pele, com sua função grandemente prejudicada devido à falta de estímulo ambiental, coopera na manutenção dește quadro de febre, como já foi explicado anteriormente. 


-------------------figura


PELE:   CAMADAS:  EPIDERME  |  DERME   |   VASOS SANGUÍNEOS   |  PAPILA DÉRMICA   | CORNEA   |  GRANULOSA   |  ESPINHOSA   |  BASAL   |  


DERME

( DESENHO BASEADO EM MICROFOTOGRAFIA DO LIVRO HISTOLOGIA BÁSICA de Jun QUEIRA & CARNEIRO, 2°EDIÇÃO, 1971. )

VASOS SANGUÍNEOS  |  GLANDULA SUDORIFA  |  GLANDULA SUDORIPARA SEBÁCEA   |  FOLICULO PILOSO

------------------------------------


A pele é um tecido que cobre todo o corpo animal, com uma série de funções importantes como: 

1) Nutrição, absorvendo matérias externas que contribuem para a nutrição do nosso corpo, como oxigênio: 

2) Eliminando substâncias já não necessárias ou em excesso: 

3) Regulação da temperatura corporal, além de outras funções. Para isso, possui milhões de orifícios (os poros) e uma imensa rede de vasos e terminações nervosas que vai lhe possibilitar a regulação dessas funções, que estão seriamente comprometidas nas pessoas em geral, devido ao uso constante de roupas, produtos químicos, banhos quentes, etc., interferindo conseqüentemente no equilíbrio geral do corpo. 


Já sabemos também o que se passa durante um quadro de febre externa, febre curativa. Agora, temos dados suficientes para fazermos uma orientação consciente diante de uma criança com febre, tanto interna como externa. 


PROCEDIMENTOS USADOS


Os procedimentos usados em naturopatia são no sentido de se aumentar a perda de calor para o exterior através da estimulação da circulação e tambểm diminuindo a producão de calor, facilitando o trabalho digestivo. 


Congestionaremos a pele para descongestionarmos as vísceras. 


Já vimos que a pele será o órgão chave para se obter o equilíbrio da temperatura. Ela possui uma rica rede de vasos e armazena um terço do volume total do sangue do nosso organismo, o que vai realmente possibilitar uma regulação na temperatura corporal. Atuando sobre a pele podemos atuar sobre todos os órgãos porque a sua rede nervosa está em conexão direta ou indiretamente com todos os órgãos internos. 


Os meios usados para o combate da febre na naturopatia são, além da já comentada alimentação: 

# hidroterapia: que consiste no tratamento através da água, onde se pode usar as lavagens, frotação, os enfaixamentos e os banhos; 

# a coloterapia: o uso do ar para o controle de, no caso, febre;

# geoterapia: neste caso, usa-se a argila. 



HIDROTERAPIA: a água fria. 


A água é uma das armas principais que dispomos para alcançar o equilíbrio térmico. O principal efeito que se procura com o uso da água fria é a reação que se segue à sua aplicação. Ao entrar em contato com a água fria a pele, através de resposta nervosa, promove, após uma vaso constricção inicial, uma vasodilatação, o que possibilita o afluxo de sangue vindo do interior do corpo com temperatura alta, para ser refrescado. A intensidade da resposta ao estímulo térmico vai depender em grande parte, da temperatura da água usada que, regra geral, deve ser em torno de 12°C; dependerá também da superfície corporal em contato com a água, e, é claro, das condições de resposta da pessoa febril. 


Existem algumas regras que devem ser observadas fielmente na aplicação da água fria (e também de outros procedimentos como geoterapia):


1) O corpo deve estar em condições de reagir com o frio da água - a pele e extremidades (mãos e pés) deverão estar quentes, o que demonstra que haverá uma boa resposta. Caso contrário, será necessário um prévio aquecimento através de exercícios, fricções ou mesmo exposição ao sol, ou ainda o uso de bolsa de água quente; 


2)  Deve haver uma reação de calor após a aplicação da água fria; 


3)  Estas aplicações deverão ser feitas com o estômago vazio - lembrando que com os procedimentos que se visa trazer o sangue para a superfície do corpo, o que iria prejudicar a digestão de algum alimento que se tivesse ingerido. 


As aplicações de água quente, apesar de sabermos que também provocam uma vasodilatação como resposta imediata à sua aplicação, esta só dura enquanto se está efetuando a aplicação. Também a pele tem menor número de terminações nervosas para o calor que para o frio. Além disso, com o uso da água fria, aproveitaremos aquelas outras maneiras importantes de se perder calor - por radiação e condução, que é mais intensa quando o corpo está em contato com a água fria. 


De início devemos oferecer bastante líquido (água) ao paciente febril (à temperatura ambiente). Além disso, é recomendável que se faça uma lavagem intestinal que, além de refrescar os intestinos, irá efetuar uma limpeza do intestino grosso, retirando as fezes anormalmente retidas. Esta lavagem poderá ser repetida mais uma vez no mesmo dia caso permaneça a febre.

 

Para as crianças recém-nascidas o total de 50 a 100 ml de água filtrada, à temperatura ambiente, injetada parceladamente através de sonda retal, esperando que ocorra a expulsão após cada aplicação, até que se complete o total recomendado. Nas crianças de até seis meses um total de 200 a 300 ml de água, tendo os mesmos cuidados acima recomendados. Dos seis meses a um ano, poderá ser usado o total de 500 ml (meio litro). Nas crianças maiores até o total de um litro, ou um litro e meio nas mais crescidas (sete, oito... doze anos). 


-------------------------figura


LAVAGEM INTESTINAL:   CÂNULA RETAL  |  IRRIGADOR  |  POSIÇÃO PARA APLICAÇÃO DA CÂNULA  |  CÂNULA VAGINAL 

----------------------------------------


Chamo a atenção para a lavagem intestinal que só deve ser feita quando se tem a certeza de que não há um acometimento intestinal grave como o abdômen agudo, que se manifesta em geral pela presença de dor abdominal, vômitos, contração ou distensão abdominal, parada do trânsito intestinal, estado toxemiado, febre. Estes sinais e sintomas que em geral podem estar presentes com maior ou menor intensidade, poderão significar um quadro de abdômen agudo: apendicite, perfuração de vísceras, invaginação intestinal, etc., o que contra-indica a lavagem intestinal. 

 

Em seguida à lavagem, logo após, deve-se fazer uma frotação; a frotação consiste em molharmos um pano de algodão na água fria, retirar o excesso da água torcendo o pano, dobrá-lo em seis a oito faces e passar este pano sobre a superfície (pele) do corpo, iniciando-se pelo local mais longe do coração - o pé direito, em movimentos de baixo para cima, em seguida a perna esquerda, os membros superiores, e, finalmente, o tronco, alternando a face do pano em contato com a pele sucessivamente, ou então como mostra a ilustração. 


Após a frotação devemos procurar o aquecimento, a reação ao frio, cobrindo o corpo com cobertor por alguns minutos ou expondo o corpo ao sol. Este procedimento poderá ser repetido de hora em hora ou até de quinze em quinze minutos, se necessário, como em casos em que a febre não baixar ou não ceder com só a lavagem e uma frotação. 

 

-------------------------figura



FROTAÇÃO: 

NA ILUSTRAÇÃO ESTÃO REPRESENTADOS OS 4 PRIMEIROS TEMPOS DA FROTAÇÃO. O QUINTO TEMPO É IGUAL AO QUAR- то SÓ QUE SE REALIZA DO LADO ESQUERDO DO CORPO. O SEXTO TEMPO E' NAS COSTAS E PODE SER FEITO DE UMA SÓ VEZ. O SETIMO E ÚLTIMO TEMPO SE CONSEGUE APLI- CANDO O PANO ÚMIDO NA SOLA DOS PÉS. DEPOIS BUSCA- SE ENTRAR EM CALOR 

1° TEMPO  |  2° TEMPO   |  3° TEMPO  |  4° TEMPO 

-------------------------------


ENFAIXAMENTOS 


Os enfaixamentos consistem em envolver o corpo total ou parcialmente com pano de algodão molhado e espremido, bem estirado, para evitar que fique camada de ar entre a pele e o pano, funcionando como isolante, o que impediria a perda de calor. Sobre esta faixa, colocar outra faixa (lã ou flanela), agora seca. A duração do enfaixamento é em torno de uma a uma hora e meia, tendo-se o cuidado de, ao se retirar o pano úmico, que deverá estar quente, manter o corpo um pouco protegido com cobertor. O enfaixamento pode ser longo (envolvendo o corpo das axilas até os pés) ou curto, quando se envolve só o tronco ou o abdômen, o que permitirá, no caso das crianças principalmente, uma movimentação adequada. O enfaixamento restrito só ao abdômen pode ser repetido até de quinze em quinze minutos ou mais. 


Aqui chamamos a atenção que o enfaixamento só do abdômen pode ser feito mesmo com  o estômago cheio, como também a aplicação da argila só no abdômen. 


O envolvimento longo não convém repetir mais que três vezes na semana.


-------------------------- figuras


FAIXA ÚMIDA ABDOMINAL 



BANHO DE TRONCO COM FRICÇÃO 


========================


Nos casos em que a febre esteja muito alta podemos fazer uma lavagem, seguida de frotação e, logo após reaquecer, um enfaixamento longo. Após isso, esperar em média uns quarenta minutos a uma hora e ficar fazendo frotações seguidas a cada dez ou quinze minutos reaquecendo a cada frotação. 



BANHOS 


Os banhos consistem em imergir determinada parte do corpo na água. Para a febre, um banho com efeito muito bom é o banho de tronco. Ele permite o resfriamento de uma porção muito grande do corpo: sentar a criança numa banheira com água fria (lembrar sempre que as extremidades devem estar quentes) de modo que grande parte do tronco permaneça sob a água. Ao mesmo tempo deve-se friccionar o baixo ventre. Este banho deve ter duração de dez a trinta minutos e poderá ser repetido várias vezes, com intervalo mínimo de uma hora, caso seja necessário. 


Sabemos que a nível de 41.5°C começa a aparecer lesão celular. Então, se já se usaram todos os recursos e a febre continua subindo, às vezes é necessário usar um recurso mais drástico como colocar a criança em um banho geral de água gelada, rapidamente, por um a dois minutos, aquecendo-a em seguida com fricções e cobertores até a pele se esquentar. Esta imersão deve ser paulatina e não abruptamente. 



EOLOTERAPIA: é o uso do ar visando o retorno ao equilíbrio. 


Manter o ambiente ventilado e o corpo livre (pele exposta, sem estar abafada) é extremamente necessário, principalmente na criança com febre como já foi explicado anteriormente, o que em geral se faz ao contrário, a tendência é proteger mais ainda a criança com cobertores e ambientes não ventilados. 


Isso, manter o corpo livre, vai permitir uma boa perda de calor por evaporação, radiação e condução do ar. 



GEOTERAPIA: é o uso da argila sob diversas formas, também com finalidade de se trazer o organismo para o equilíbrio. 


A argila possui propriedades analgésicas, cicatrizantes, descongestionantes, refrescantes, etc., que podem ser comprovadas mediante o seu uso bem orientado. 


O cataplasma consiste em preparar uma massa, uma pasta, com uma terra que tenha liga (argila), misturando-a com água; após, peneirá-la para que fique mais fina. Coloca-se esta pasta sobre um paninho de algodão, enfaixando o tronco todo ou só o abdômen, de modo que a pele fique em contato direto com a argila, que deve ter uma espessura de três а quatro milímetros a, no máximo, um centímetro. Em seguida, por fora deste pano, coloca-se um outro, seco, de lã ou flanela; prender bem com linha ou presilhas. 


------------------figura

CATAPLASMA DE ARGILA AO VENTRE E RINS: ARGILA  |  PANO FİNO  |  JORNAIS  |  PANO GROSSO 

ARGILA JÁ ENVOLVENDO VENTRE E RINS 

 

--------------------------------


A argila a ser usada deve ser retirada do local onde se vive, de uma profundidade de mais ou menos 50 cm, num local longe de esgotos, cisternas, etc., e guardada em saco de papel ou em caixa de madeira, sempre em contato com a atmosfera para que não perca suas propriedades.

 

O tempo de duração de uso da argila visando o controle da febre deve ser em torno de uma hora, quando deverá ser retirada e substituída (após observar os cuidados necessários) ou não por novo cataplasma, ou então ser trocada cada vez que se esquente. 





CONVULSÃO FEBRIL 


Em presença de febre na criança logo surge uma preocupação: a possibildade de uma convulsão. 


A convulsão febril se caracteriza por aparecer em crianças com idade entre os seis meses a seis anos, dentro das primeiras vinte e quatro horas de febre, em crianças previamente sadias, sem passado neurológico; ela é de curta duração raramente mais que dez minutos, atingindo o corpo de forma generalizada. 

 

Realmente há que ter preocupação com este tipo de episódio porém este excesso de preocupação não se justifica. 


O melhor é cuidar para que a febre não atinja piques muito altos e procurar manter limpos os intestinos da criança através de uma dieta basicamente crua como recomendam os mestres naturalistas. Devo lembrar que a convulsão febril ocorre apenas nas primeiras vinte e quatro horas de febre, principalmente nas primeiras oito horas. Crianças que já tiveram anteriormente convulsão febril convém que se observe rigorosamente a recomendação da alimentação basicamente crua, mantendo sempre o intestino limpo. 


Por fim, e o mais importante, é a prevenção não só da febre como de outros transtornos através de uma boa alimentação e, conseqüentemente, uma boa digestão, através de exercícios físicos que garantirão uma boa circulação do sangue, banhos frios, associados a uma respiração adequada, pele arejada, sem excesso de roupas. Estes fatores observados garantirão grandemente um estado de equilíbrio geral, funcionando como prevenção. 


Quando iniciamos a orientação, deixamos claro que a nossa intenção não é de que se suprima a febre, e sim que, após compreensão do processo, se tenha uma atitude tranqüila diante de uma criança com febre, ajudando o seu organismo nessa procura do reequilíbrio. Queremos que se tenha a capacidade de se aceitar esta febre, controlando-a para que se mantenha a níveis toleráveis, a fim de que ela, juntamente com outros fenômenos concomitantes, possam cumprir a sua tarefa, sem trazer prejuízo para o nosso corpo. 



BIBLIOGRAFIA 


1 - AVERY, Gordon B. NEONATOLOGIA. Brasil, Artes Médicas, 1978. 


2 - GUYTON, Arthur C. TRATADO DE FISIOLOGIA MÉDICA. 2a. ed. México, Interamericana, 1965. 


3 - LEZAETA, Rafael. MANUAL DE ALIMENTACION SANA. Santiago, 1972. 


4 - LEZAETA, Manuel. A MEDICINA NATURAL AO ALCANCE DE TODOS. Brasil, Hemus, 1979. 


5 - RUIZ, Ibabra C. ALIMENTACION DE LOS ENFERMOS CON FIEBRE. Madri, Instituto Hipócrates, 1963. 


6 - HARDY, HARDY, Richard N. TEMPERATURA E VIDA ANORMAL. São Paulo, Universidade de São Paulo, 1981. 


7 - KAYE, Robert "et alii".  CORE TEXTBOOK OF PEDIATRICS. "s.1." s.d. 


8 - CIÊNCIA ILUSTRADA. "s.1.". Abril. n. 38. Ano II. 



FIM


📺️(613)_O MILIONÁRIO MODELO [Literatura] (por Oscar Wilde)







O MILIONÁRIO MODELO

( Esta é uma história curta escrita por OSCAR WILDE (1954-1990) que explora temas como riqueza, amor, generosidade e as complexidades da vida na sociedade aristocrática de Londres do século XIX. Essa narrativa satírica de Wilde questiona as noções de valor, aparência e generosidade na sociedade. )


Fonte: PDF disponível no site DOMÍNIO PÚBLICO: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=5978 | Título original: "El Millonario Modelo"


A menos que você seja rico, não adianta ser uma pessoa encantadora. O romantismo é privilégio dos ricos, não a profissão dos desempregados. Os pobres deveriam ser práticos e prosaicos. É melhor ter uma renda permanente do que ser fascinante. Estas são as grandes verdades da vida moderna que Hughie Erskine nunca compreendeu. Pobre Hughie!

Intelectualmente, devemos admitir, ele não era muito notável. Nunca disse nada brilhante em sua vida, nem mesmo algo mal intencionado. Mas, em contrapartida, era surpreendentemente bonito, com seus cabelos castanhos cacheados, seu perfil bem definido e seus olhos cinzentos. Era tão popular entre os homens quanto entre as mulheres e tinha todas as qualidades, exceto a de ganhar dinheiro. Seu pai deixou para ele sua espada de cavaleiro e uma HISTÓRIA DA GUERRA PENINSULAR, em quinze volumes. Hughie pendurou a última sobre o espelho, colocou a primeira em uma prateleira entre o Guia de Ruff e a Revista de Bailey, e viveu com as duzentas libras por ano que uma tia idosa lhe fornecia. Ele tentou de tudo.

Frequentava a Bolsa há seis meses; mas o que uma borboleta iria fazer entre "touros" e "ursos"? Ele foi comerciante de chá por um pouco mais de tempo, mas logo se cansou do chá chinês forte e leve. Então tentou vender xerez (vinho) seco; aquilo não deu certo; talvez o xerez fosse muito seco.

Por fim, dedicou-se a não fazer nada, e simplesmente a ser um jovem charmoso, inútil, de perfil perfeito e sem profissão.

Para piorar as coisas, ele estava apaixonado. A garota que ele amava era Laura Merton, filha de um coronel aposentado que perdeu o humor e a digestão na Índia, e que nunca mais recuperou nenhum dos dois.

Laura o adorava, e ele teria beijado os cadarços de seus sapatos. Eles formavam o casal mais lindo de Londres e não tinham um centavo entre eles. O coronel gostava muito de Hughie, mas não queria ouvir falar de namoro.

-Rapaz - costumava dizer -, venha me ver quando tiver dez mil libras suas, e veremos. E Hughie ficava melancólico nesses dias e tinha que procurar Laura em busca de consolo.

Certa manhã, enquanto se dirigia a Holland Park, onde os Merton moravam, ele decidiu visitar um grande amigo seu, Alan Trevor. Trevor era pintor. Pouca gente escapa disso hoje em dia; mas ele era artista além de tudo, e artistas são bastante raros. Como pessoa, era um indivíduo estranho e rude, com o rosto cheio de sardas e uma barba ruiva descuidada. No entanto, quando pegava o pincel, era um verdadeiro mestre, e seus quadros eram muito procurados. Hughie o havia interessado muito; inicialmente, devemos admitir, por causa de seu encanto pessoal.

-Um pintor - costumava dizer - deveria conhecer apenas pessoas tolas e bonitas, pessoas que são um prazer artístico de se ver e um repouso intelectual de se falar com elas. Os homens elegantes e as mulheres amadas governam o mundo, pelo menos deveriam governá-lo.

No entanto, quando Hughie o conheceu melhor, ele o apreciou tanto por seu otimismo radiante quanto por sua natureza generosa e desajeitada, e lhe deu entrada livre em seu estúdio.

Quando Hughie chegou naquele dia, encontrou Trevor dando os últimos retoques em um magnífico retrato de um mendigo em tamanho natural. O mendigo em si estava posando de pé, em um tablado, em um canto do estúdio. Era um velho magro, com um rosto parecido com um pergaminho enrugado e uma expressão extremamente lamentável. Ele estava vestindo um grosso casaco marrom todo rasgado e esfarrapado; suas botas grossas estavam remendadas e com remendos, e com uma mão ele se apoiava em um bastão áspero, enquanto com a outra segurava seu chapéu surrado, pedindo esmola.

-Que modelo surpreendente! - murmurou Hughie ao apertar a mão de seu amigo.

-Que modelo surpreendente? - gritou Trevor em voz alta -, isso eu concordo! Não se encontra mendigos como ele todos os dias. Um achado, meu caro; um Velázquez em carne e osso! Raios! Que gravura Rembrandt faria com ele!

-Pobre velho! - disse Hughie -, que aspecto tão triste ele tem! Mas suponho que para vocês, os pintores, o rosto dele vale uma fortuna.

-Certamente - respondeu Trevor -, você não quer que um mendigo pareça feliz, não é?

-Quanto um modelo cobra por posar? - perguntou Hughie, enquanto encontrava um assento confortável em um sofá.

Um xelim por hora. {= xelim é uma unidade monetária}

-E quanto você cobra pelo quadro, Alan?

-Oh, por este eu cobro dois mil!

-Libras?

-Guinéus. Pintores, poetas e médicos sempre cobram em guinéus.

-Bem, eu acho que o modelo deveria receber uma porcentagem - exclamou Hughie, rindo; ele trabalha tanto quanto você.

-Bobagem, bobagem! Olha, mesmo que seja só o trabalho de espalhar a tinta, e o ficar de pé o dia inteiro na frente do cavalete! Para você é muito fácil falar, Hughie, mas eu te garanto que há momentos em que a arte alcança quase a dignidade do trabalho manual. Mas não fique conversando; estou muito ocupado. Fume um cigarro e fique quieto.

Depois de um tempo, o criado entrou e disse a Trevor que o homem que fazia suas molduras queria falar com ele.

-Não saia correndo, Hughie - disse ao sair -, volto num instante.

O velho mendigo aproveitou a ausência de Trevor para descansar por alguns instantes em um banco de madeira que havia atrás dele. Ele parecia tão desamparado e tão infeliz que Hughie não pôde deixar de se compadecer dele, e vasculhou os bolsos para ver quanto dinheiro tinha. Tudo o que ele encontrou foi uma libra de ouro e algumas moedas de cobre.

"Pobre velho!" ele pensou consigo mesmo, "ele precisa mais disso do que eu; mas isso significa que não poderei pegar um táxi por duas semanas." E ele atravessou o estúdio e deslizou a moeda de ouro na mão do mendigo. O velho se assustou, e um leve sorriso passou por seus lábios ressequidos.

-Obrigado, senhor - disse -, obrigado.

Então Trevor chegou, e Hughie saiu, ficando um pouco corado pelo que tinha feito.

Passou o dia com Laura, recebeu uma adorável repreensão por sua extravagância e teve que voltar para casa a pé.

Aquela noite ele entrou no Palette Club por volta das onze horas e encontrou Trevor sentado sozinho na sala de fumantes bebendo vinho do Reno com água com gás.

-Tudo bem, Alan, você terminou a pintura? -disse ele, enquanto acendia o cigarro.

-Está terminado e emoldurado, rapaz - respondeu Trevor -, e a propósito, você fez uma conquista. O velho modelo que você viu tem verdadeira devoção por você. Tive que contar tudo sobre você para ele: quem você é, onde mora, quanto dinheiro tem, que perspectivas futuras você tem...

-Querido Alan - exclamou Hughie -, provavelmente o encontrarei me esperando quando voltar para casa. Mas, é claro, você está só brincando. Pobre velho infeliz! Eu gostaria de fazer algo por ele; acho terrível que haja alguém tão desafortunado. Eu tenho um monte de roupas velhas em casa; você acha que ele se interessaria por alguma delas? Como suas roupas estavam se desfazendo em pedaços!

-Mas ele está esplêndido com elas - disse Trevor. Não o pintaria com um paletó nem por todo o ouro do mundo. O que você chama de trapos, eu chamo de vestimenta romântica; o que parece pobreza para você, parece pitoresco para mim. No entanto, falarei a ele sobre sua oferta.

-Alan - disse Hughie gravemente -, vocês pintores são pessoas sem coração.

-O coração de um artista é sua cabeça - respondeu Trevor -, e, além disso, nossa tarefa é entender o mundo como o vemos, não reformá-lo de acordo com o conhecimento que temos dele. Cada um com seu trabalho. E agora, me diga, como está Laura? O velho modelo ficou muito interessado nela.

-Você não quer dizer que falou sobre ela para ele? - disse Hughie.

-Claro que sim. Ele sabe tudo sobre o implacável coronel, a bela Laura e as dez mil libras.

-Você contou ao velho mendigo todos os meus assuntos privados? - exclamou Hughie, ficando vermelho e muito zangado.

-Meu querido rapaz - disse Trevor, sorrindo -, esse velho mendigo, como você o chama, é um dos homens mais ricos da Europa. Ele poderia comprar toda Londres amanhã sem expor suas contas bancárias. Tem uma casa em todas as capitais; come em louça de ouro, e quando quer, pode impedir a Rússia de entrar em guerra.

-O que diabos você quer dizer? - exclamou Hughie.

-O que eu quero dizer - respondeu Trevor - é isso. O velho que você viu hoje no estúdio era o barão Hausberg. Ele é um grande amigo meu; compra todos os meus quadros e todas essas coisas, e há um mês me pediu para pintá-lo de mendigo. O que você quer? A fantasia de um milionário! E devo reconhecer que ele estava magnífico com os trapos, ou talvez devesse dizer com os meus, já que são roupas velhas que eu consegui na Espanha.

-O barão Hausberg! - exclamou Hughie. Meu Deus! E eu dei uma libra para ele!

E ele desabou em uma poltrona, parecendo a imagem da consternação.

-Você deu uma libra para ele? - gritou Trevor, rindo alto. Meu querido rapaz, você nunca mais o verá. Seu negócio é o dinheiro dos outros.

-Acho que você poderia ter me dito isso, Alan - disse Hughie, mal-humorado -, e não ter me deixado fazer papel de bobo.

-Bem, para começar, Hughie - disse Trevor -, nunca ocorreu para mim que você sairia por aí distribuindo esmolas de maneira tão imprudente. Posso entender que dê um beijo em uma modelo bonita, mas que dê uma moeda de ouro a um modelo feio, por Júpiter, não! Além disso, o fato é que na verdade eu não estava em casa para ninguém, e quando você entrou eu não sabia se Hausberg gostaria que seu nome fosse mencionado. Você sabe que ele não estava bem vestido.

-Que idiota ele deve pensar que eu sou! - disse Hughie.

-Nada disso. Ele estava de excelente humor depois que você saiu; só ria baixinho e esfregava as velhas mãos enrugadas. Eu não conseguia entender por que estava tão interessado em saber tudo sobre você, mas agora tudo está claro para mim. Ele investirá sua libra por você, Hughie, pagará os juros a cada seis meses e terá uma história maravilhosa para contar depois do jantar.

-Sou um pobre diabo sem sorte - resmungou Hughie. O melhor que posso fazer é ir para a cama, e você, querido Alan, não deve contar a ninguém; eu não me atreveria a mostrar minha cara em público.

-Bobagem! Isso honra sua alta reputação de espírito filantrópico, Hughie. E não saia correndo. Fume outro cigarro, e você pode falar sobre Laura tanto quanto quiser.

No entanto, Hughie não quis ficar lá; ele foi para casa, se sentindo muito infeliz e deixando Trevor com um ataque de risos.

Na manhã seguinte, enquanto tomava café da manhã, o criado lhe entregou um cartão em que estava escrito: "Monsieur Gustave Naudin, em nome do Sr. Barão Hausberg."

-Suponho que ele veio pedir desculpas - pensou Hughie consigo mesmo. E instruiu o criado a fazer entrar o visitante.

Entrou na sala um senhor idoso com óculos dourados e cabelos grisalhos, e disse com um leve sotaque francês:

-Tenho a honra de falar com o senhor Erskine? Hughie assentiu com a cabeça.

-Eu venho em nome do barão Hausberg - continuou ele. O barão...

-Rogo-lhe, senhor, que apresente minhas mais sinceras desculpas - gaguejou Hughie.

-O barão - disse o velho com um sorriso - me incumbiu de lhe trazer esta carta.

E estendeu-lhe um envelope lacrado, no qual estava escrito o seguinte: "Um presente de casamento para Hugh Erskine e Laura Merton, de um velho mendigo." E dentro havia um cheque de dez mil libras.

Quando se casaram, Alan Trevor foi padrinho, e o barão fez um discurso no café da manhã do casamento.

"Os modelos milionários", observou Alan, "são bastante raros, mas, caramba, os milionários modelos são ainda mais raros."



Fim

📺️(612)_ANJOS HUMANOS: aprenda a reconhecê-los [Comportamento] (por Biba Arruda e Mirna Grzich)


 


ANJOS HUMANOS: aprenda a reconhecê-los

(Dois artigos de Biba Arruda e Mirna Grzich que nos abre os olhos para que possamos ver os anjos que estão a nossa volta e de como podemos também ser "anjos" praticando gestos de bondade.)


Fonte: TRÊS Editores - Fascículo 17 intitulado "ANJOS: TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER" .


ANJOS DO COTIDIANO

( Durante toda a sua vida você deve ter cruzado com pessoas que o ajudaram em momentos difíceis )

Você sabe reconhecer os braços que o acolhem todos os dias, os gestos de bondade dos outros para com você? Você sabe reconhecer um anjo do cotidiano? Durante toda a sua vida, você deve ter cruzado com pessoas que ajudaram você a modificar seu jeito de pensar e ver o mundo, e que lhe deram forças nos momentos difíceis.

Ser anjo do cotidiano implica estar ligado no bem-estar e felicidade do outro, independente da sua própria, sem esperar reconhecimento; e, até pelo contrário, procurar realizar o bem anonimamente. Quando, num gesto espontâneo, damos a uma senhora um buquê de rosas vermelhas que iria para a mesa de jantar; quando cedemos nosso almoço ao músico que toca na estação do metrô para ganhar alguns trocados; quando, anonimamente, colocamos uma moeda no parquímetro onde um desconhecido estacionou o carro, porque percebemos no mostrador que o tempo está se esgotando, não estamos fazendo o que a vida espera de nós, mas o que nosso anjo nos convida a fazer.

A maioria de nós tenta, com grande. esforço, cumprir as obrigações que a vida nos impõe, ser pais e mães responsáveis, educar e premiar os filhos, ajudar funcionários ou colegas, apoiar e confortar o marido ou a mulher, fazer nossa parte do trabalho em casa ou no escritório. Mas essas são condutas esperadas, aquelas que, de fato, concordamos em realizar, pelos companheiros que escolhemos, pelo estilo de vida que escolhemos ter.

Na verdade, são as regras do jogo. Para sermos seres humanos razoáveis, decentes e civilizados, com uma existência estável, devemos fazer todas essas coisas.

Mas só quando saímos de nossos cenários habituais, e ultrapassamos os limites emocionais e circunstanciais de nossas vidas é que nossa bondade também se projeta além da rotina e penetra no reino dos anjos, do extraordinário e do notável. Ao invés de boas ações responsáveis, elas passam a ser a própria compaixão.

Portanto, realizar eventuais gestos de bondade, de certa forma, é tornar-se um anjo. Quando isso acontece, significa que conseguimos ultrapassar os limites de nossa condição humana cotidiana para roçar as asas do divino.

Agir assim significa ser duplamente abençoado. Porque, ao praticarmos essa bela virtude, gratuita e naturalmente, estamos transformando não só o mundo, mas a nós mesmos. Daphne Rose Kingma, ao escrever o prefácio para esse livro encantador, Gestos de Bondade, da Editora Ágora, diz que "o mundo em guerra, dividido, desencorajado, cansado da mentalidade de competição selvagem na qual vivemos envolvido pela doçura do amor criativo e espontâneo. Sem alarde, de forma quase imperceptível, ele começará a cantar porque sobre ele, o mundo, foram derramados pequenos gestos de bondade. E nós seremos transformados.

Ao escolhermos amar não somente aqueles que nos comprometemos a amar, mas aqueles cujos nomes, rostos e histórias jamais conheceremos, seremos clara e inevitavelmente mobilizados a compreender que amar e ser amado é a verdadeira vocação humana”.

Os anjos estão aqui, simplesmente, para nos ajudar a penetrar na nossa condição humana em toda sua plenitude.

xxx

GESTOS DE BONDADE

( Como desenvolver bênçãos por toda a eternidade. )

"Minha religião é muito simples. Minha religião é a bondade" (Dalai Lama)

Tudo que você criou, tudo que você fez por alguém, sem nem saber de sua existência, cria um campo sutil que vai além do espaço e do tempo, criando e desenvolvendo bênçãos por toda a eternidade.

Eis alguns gestos que você pode praticar agora:

* Vá à sala de aula de seu filho e fale sobre a bondade. Depois peça às crianças que façam uma lista das coisas boas que fizeram e das coisas boas que aconteceram com elas. Peça a elas que, em casa, conversem sobre o assunto com os pais e no dia seguinte tragam histórias contadas pelas próprias famílias.

* Passe meia hora na sala de emergência de um hospital e faça algo que seja, em si, um presente.

* Ofereça ajuda a pessoas que não podem atravessar a rua sozinhas -velhos, crianças, cegos...

* Plante uma árvore em seu bairro.

* Da próxima vez que alguém falar com você, ouça com atenção, sem nenhuma expectativa.

* Escreva a um chefe sobre alguém que tenha ajudado você, elogiando o funcionário e agradecendo a seu superior.

* Abra sua agenda de endereços, escolha um nome aleatoriamente e envie um cartão postal a essa pessoa.

* Escreva um cartão de agradecimento a alguém que lhe prestou um serviço e deixe-o junto com a gorjeta. Seja bem específico: “Agradeço o cuidado com que limpou meu quarto, sem tirar as coisas do lugar”; “Seu sorriso ao servir o almoço me fez ganhar o dia.”

* Ceda sua vaga no estacionamento a outro motorista. Faça o mesmo com seu lugar numa fila.

* Se algum vizinho viajar e esquecer de suspender a entrega do jornal, guarde-os em lugar seguro até ele voltar.

* Da próxima vez que for ao cinema, escolha alguém da fila, atrás de você, e avise ao bilheteiro que pagará pela entrada dessa pessoa. Certifique-se de que ele não revelará que foi você quem pagou.

* Se você conhece alguma pessoa que está passando por um momento difícil na vida, procure fazer algo qualquer coisa que - possa ajudar que mostre à pessoa que alguém se importa com ela - mas sem dar a entender que esse alguém é você.

* Peça a seus filhos para rever os brinquedos e separar aqueles que querem dar às crianças carentes.

* Se tiver algum vizinho doente, ofereça-se para fazer o supermercado para ele.



Fim

📺️(611)_VOCÊ TEM ESSE DIREITO? [Cidadania] (por DCL)


 




AS PRINCIPAIS MUDANÇAS DO CÓDIGO CIVIL

(O novo CÓDIGO CIVIL começou a ser elaborado em 1969, foi aprovado em 2001, e foi promulgado através da LEI Nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. O CÓDIGO antigo fora promulgado em 1º de janeiro de 1917. Esta artigo mostra algumas das principais mudanças que estão valendo na atualidade.)


Fonte: Fascículo "Redação&Direito" publicado por DCL (Difusão Cultural do Livro) | Trecho do capítulo 'UMA VISÃO DO DIREITO', pág 52-54.


IGUALDADE ENTRE SEXOS

Enquanto o Código Civil de 1916 faz referência ao "homem", o novo código emprega a palavra "pessoa". A mudança está em conformidade com a Constituição Federal de 1988, que estabelece que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações". 

A modificação reflete o objetivo de igualdade entre homem e mulher.


PROTEÇÃO DA PESSOA 

Na nova legislação, há um capítulo sobre "os direitos da personalidade", por exemplo, o direito à integridade do corpo, o direito ao nome, o direito à privacidade etc. Prevê perdas e danos em caso de ameaças ou lesões a esses direitos, também válidos para pessoas jurídicas.

Proíbe, por exemplo, todos os atos de disposição do corpo mediante pagamentos que reduzam a integridade física do indivíduo ou que contrariem os bons costumes, a moral ou a decência, tal como a comercialização de órgãos.


MAIORIDADE CIVIL 

A pessoa alcança a sua autonomia civil aos 18 anos, e não mais aos 21. Isso significa que, após os 18 anos, ela pode praticar todos os atos da vida civil - não é necessária a autorização dos pais para celebrar nenhum tipo de contrato. 

Haverá, por exemplo, perda do vinculo de dependência do filho ao completar 18 anos em empresas assistenciais e em clubes de lazer. A redução também privará o jovem adulto da proteção legal dos pais.


EMANCIPAÇÃO 

A emancipação do filho é concedida por ambos os pais ou só por um deles na ausência do outro. No código anterior, a mãe só podia emancipar o filho se o pai deste houvesse morrido.

 Com a redução da maioridade para 18 anos, a idade mínima para antecipação por ato dos pais cai para 16 anos.


FAMÍLIA 

O novo código estabelece que a "família" abrange as unidades familiares formadas por casamento, união estável ou comunidade de qualquer genitor e descendente. Segundo o código de 1916, a "família legítima" é aquela formada pelo casamento formal, que é o eixo central do direito de família.


VIRGINDADE 

Acaba com o direito do homem de mover ação para anular o casamento se descobrir que a mulher não era virgem. Da mesma forma, o texto acaba com o dispositivo que permite aos pais utilizar a "desonestidade da filha que vive na casa paterna" como motivo para deserdá-la.


CASAMENTO 

Anova legislação estabelece que o casamento é a "comunhão plena de vida", com direitos iguais para os cônjuges, obedecendo à regra constitucional segundo a qual os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher". O código de 1916 dispõe que o objetivo do casamento é constituir família.

 O novo código considera o casamento apenas como uma das formas de constituição da família.


CASAMENTO GRATUITO 

O novo código estabelece que todas as custas do casamento são gratuitas para as pessoas que se declararem pobres.


CASAMENTO RELIGIOSO 

O código de 1916 não fazia referência ao casamento religioso. O novo código seguiu as disposições da Lei de Registros Públicos de registro. O casamento religioso, para que tenha efeito civil, deve ser registrado em até 90 dias (e não mais em 30).


ADOÇÃO DE NOMES 

O marido poderá adotar o sobrenome da mulher o que era possível só com autorização judicial. Antes, apenas a mulher podia adotar o sobrenome do homem (ou manter o seu de solteira).


FIM DO PÁTRIO PODER 

O poder do pai sobre os filhos passa a ser chamado de "poder familiar”, a ser exercido igualmente pelo pai e pela mãe. Da mesma forma, o homem deixa de ser o "chefe da família", que é dirigida pelo casal, com iguais poderes para o homem e para a mulher. 

Se marido e mulher divergirem, não havendo mais a prevalência da vontade do pai, a solução será transferida ao Judiciário.


PERDA DO PODER FAMILIAR 

Seguindo a mesma orientação do Estatuto da Criança e do Adolescente, o novo código dispõe que perderá o poder familiar o pai ou a mãe que castigar imoderadamente o filho, deixá-lo em abandono ou praticar atos contrários à moral e aos bons costumes.


REGIME DE BENS 

Permite que o casal mude o regime de bens durante o casamento, o que antes era proibido Os três regimes clássicos são mantidos: comunhão universal, comunhão parcial e separação de bens. A mudança favorece, por exemplo, quem se casou no regime da comunhão universal de bens e depois se arrependeu.


NOVO REGIME 

Cria-se um novo regime de bens, a participação final nos aquestos (bens adquiridos), que se assemelha ao regime da comunhão parcial de bens. Neste último, os bens adquiridos durante o casamento são comuns, exceto os recebidos por herança e doação. Os bens anteriores são de quem os possuía. Na separação, os bens comuns são partilhados. Segundo o novo regime, os bens comprados durante o casamento pertencem a quem os comprou, mas eles são divididos na separação. 

O novo regime dá autonomia a cada cônjuge, que poderá administrar seu patrimônio autonomamente.


REPRODUÇÃO ASSISTIDA

 Filhos concebidos por reprodução assistida têm sua paternidade reconhecida e os mesmos direitos que os outros filhos. O novo código civil estabelece a presunção de paternidade em favor dos filhos havidos por inseminação artificial mesmo que dissolvido o casamento ou falecido o marido.


DIREITOS DOS FILHOS

 Desde a Constituição de 1988, os filhos adotados e os concebidos fora do casamento têm direitos idênticos aos dos filhos do casamento. Isso é atualizado pelo novo código, que acaba com a distinção entre filhos "legítimos" e "ilegítimos", adotada pelo código de 1916.


SEPARAÇÃO 

O novo código permite a separação após um ano da realização do casamento. O código de 1916 permitia a separação voluntária do casal (o desquite) apenas depois de dois anos, mas as disposições a respeito disso foram revogadas pela Lei do Divórcio, em 1977.


DIVÓRCIO 

O prazo para o divórcio é de dois anos após a separação de fato ou um ano depois da separação judicial. Outra norma nova é o fim da proibição do divórcio antes do término da partilha dos bens. Quem pede o divórcio sem comprovar a culpa do outro não perde o direito à pensão alimentícia.


GUARDA DOS FILHOS 

Na separação consensual, a Lei do Divórcio, de 1977, permitiu que os cônjuges determinassem livremente o modo pelo qual a guarda dos filhos seria exercida, em solução confirmada pelo novo código. Na separação judicial, a Lei do Divórcio atribuiu a guarda ao cônjuge que não tenha causado a separação e, sendo ambos responsáveis, determinou que os filhos menores, não havendo acordo entre os pais, ficariam em poder da mãe. O novo código determina que, na falta de acordo entre os cônjuges, na separação ou no divórcio, a guarda "será atribuída a quem revelar melhores condições para exercê-la". 

O juiz pode também atribuir a guarda dos filhos a outra pessoa. As melhores condições não são apenas econômicas, o juiz levará em conta os interesses do menor.


PENSÃO ALIMENTAR 

Pelo novo código, parentes, cônjuges ou conviventes podem pedir pensão alimentícia quando dela necessitarem. No código de 1916, ocorrida a separação, somente a mulher podia pedir alimentos; direito negado ao marido (apesar de admitido pela jurisprudência com base na Constituição). 

O novo código estabelece a possibilidade de que alimentos sejam fornecidos mesmo ao cônjuge culpado da dissolução do casamento.


ADULTÉRIO 

Pela nova legislação, o adultério continua sendo causa de dissolução do casamento, mas não acarreta impedimentos ao adúltero, como impossibilitar que este se case com o amante. O novo código permite que pessoas casadas, mas separadas de fato, estabeleçam união estável, inclusive com o amante.


HERANÇA 

A principal mudança acrescentou o cônjuge sobrevivente no rol dos herdeiros chamados necessários por definição legal, posição que, em 1916, cabia apenas aos descendentes e aos ascendentes. O texto de 2002 confirmou nos primeiros lugares da ordem sucessória os descendentes e os ascendentes do morto, mas também incluiu seu cônjuge sobrevivente como concorrente à herança. 

Não havendo descendentes, são chamados para a sucessão os ascendentes, também em concorrência com o cônjuge sobrevivente. 

Não havendo ascendentes ou descendentes, a herança vai inteiramente para o cônjuge. 

Não havendo o cônjuge, vai para os colaterais até o quarto grau (primos irmãos). 

Não havendo herdeiros, a herança vai para o município ou para o Distrito Federal.


TESTAMENTO 

Eram necessárias pelo menos cinco testemunhas tanto para o testamento privado quanto para o público. O novo código diminui o número para três, no caso de testamento privado, e para duas, no caso de testamento público. Continua o reconhecimento de testamentos sem testemunhas, caso seja essa a decisão de um juiz. 

O código de 1916 prevê o "testamento marítimo", elaborado em alto-mar, em caso de emergência. O novo código aceita também o "testamento aeronáutico". 

Pela nova legislação, as cláusulas de proibição de venda de bens herdados, de proibição de penhora e de impedimento de divisão com o cônjuge do herdeiro têm de ser justificadas no testamento.


USUCAPIÃO 

Hoje, o ocupante pode transformar-se em dono da área ou da casa na qual viva por 20 anos ininterruptos se a posse não for contestada nesse período. O novo código reduz esse prazo para 15 anos e até para apenas dez anos se o ocupante houver estabelecido no imóvel sua residência habitual ou nele tiver realizado obras ou serviços produtivos.


USUCAPIÃO ESPECIAL 

O novo código incorporou as regras constitucionais sobre o usucapião especial rural (áreas de até 50 hectares) e o usucapião especial urbano (terras de até 250 metros quadrados), que permitem sua aquisição depois de ocupação por cinco anos, se o ocupante não for proprietário de nenhum outro imóvel.


PERDA DE IMÓVEL EM DÉBITO 

O novo código prevê a possibilidade de o governo confiscar imóveis privados. Quando o imóvel urbano ficar abandonado, sem conservação, não ocupado, será declarado sob a guarda do município ou do Distrito Federal, quando estiver em sua área, por três anos; após esse prazo, passa à propriedade do município ou do Distrito Federal. O mesmo critério vale para o imóvel rural, mas a propriedade passará para a União. Se o proprietário deixou de pagar os impostos devidos incidentes sobre o imóvel, o abandono será presumido, podendo passar imediatamente à propriedade do Poder Público.


CONDÔMINO ANTI-SOCIAL

 A nova legislação prevê que o condômino que não cumpre reiteradamente com os seus deveres poderá ser multado em até dez vezes o valor pago mensalmente para o condomínio, o que poderia forçar a desocupação do imóvel. 

A imposição dessa multa, contudo, precisa ser aprovada por três quartos dos condôminos. Também existe a possibilidade de aplicação de multas de até cinco vezes o valor da contribuição mensal ao condomínio no caso de descumprimento das obrigações condominiais.


MULTA DE CONDOMÍNIO

 Estabelece multa de, no máximo, 2% ao mês para os condôminos em atraso (antes era cobrada multa de até 20%). Ao mesmo tempo que reduz a multa, o novo código acaba com o limite dos juros de mora, que era de 6% ao ano.


DESTITUIÇÃO DE SÍNDICO

 O novo código exige a maioria absoluta (metade mais um) dos condôminos para a destituição do síndico que praticar irregularidades, não prestar contas ou não administrar convenientemente o condomínio. O síndico pode ser uma pessoa estranha ao condomínio.


NEGÓCIO DA CHINA 

O texto prevê a anulação de contratos feitos em decorrência de lesão ou estado de perigo".

 Quem vender uma casa ou um carro por preço muito inferior ao de mercado para, por exemplo, ter dinheiro para pagar uma cirurgia de um parente poderá recorrer à Justiça e pedir a anulação da venda.


ONEROSIDADE EXCESSIVA

 Autoriza a resolução de um negócio quando uma parte fica em extrema desvantagem no contrato por motivos extraordinários ou imprevisíveis. 

Um exemplo disso é o caso recente de carros comprados com prestação em dólar, que tiveram suas prestações reduzidas pela Justiça após grande valorização da moeda norte-americana.


CONTRATOS DE ADESÃO

 Quando em um contrato de adesão (plano de saúde ou prestação de serviço de TV paga, por exemplo) houver cláusulas ambíguas, deverá ser adotada a interpretação mais favorável a quem aderiu.


FIANÇA E AVAL 

Segundo a nova legislação, para uma pessoa ser fiadora ou avalista é necessária a autorização do cônjuge. Antes não era necessária a autorização para ser avalista.


AUTENTICAÇÃO 

Documentos utilizados para prova de qualquer ato só precisarão ser autenticados se alguém contestar sua autenticidade. Não é cabível exigir previamente cópia autenticada de documentos.


RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR 

Pelo novo código, os administradores, mesmo que não sejam sócios, têm responsabilidade solidária pelos prejuízos causados pela empresa à sociedade. 

Antes, era necessário provar a má-fé e a responsabilidade direta do administrador para exigir ressarcimento por prejuízos causados pela empresa.




Fim