📺️(1121)_A morte de um justo (Milícia da Imaculada)

 


A MORTE DE UM JUSTO...


Nunca em minha vida vi tanta serenidade no semblante de um corpo inerte pela morte.

Nunca vi uma pessoa com tanto respeito e amor à Virgem Maria, como este irmão.

Homem Íntegro, responsável pela Renovação Carismática em Escada PE, Ministro da Eucaristia, zelador do Sagrado Coração de Jesus, orientador e conselheiro. Homem fiel no amor ao Espírito Santo.

Formou uma família e alicerçou com amor divino verdadeiros cristãos. Pai de cinco filhos, dois homens e três mulheres. Não posso deixar de ressaltar sua esposa, amiga e companheira inigualável. Juntos levavam o amor da Virgem Santíssima. Quantas pessoas foram convertidas por esta família maravilhosa que transborda de amor a Deus como fonte de água viva!

Ele sempre tinha tempo para quem o procurasse e chegava sempre até aqueles que se distanciavam da fé em Deus e na Virgem Maria.

Meu amigo irmão! Quantas vezes você me confortou, me deu força para com que eu superasse as minhas dificuldades, me reclamava quando eu estava sentindo-me falha em minha Fé. Fazia longas caminhadas para atender, socorrer, divulgar a palavra de Deus aos mais necessitados, com toda sua serenidade transmitia a paz a todos. Era um verdadeiro mensageiro da Paz.

Às 14 horas do dia 16 de outubro passado, em uma tarde linda com um céu azul cor do manto de Maria, meu amigo foi chamado por Deus para o Reino da glória. Foi encontrado sem vida em seu leito, e entre os dedos já rígidos, segurava uma conta do Rosário onde marcava uma Ave Maria enquanto o resto do Rosário caia sobre o seu corpo, como para purificá-lo ainda mais. E um sorriso nos lábios como que dissesse: "Estou contigo, Mãe Querida, na glória do meu Pai".

Este meu amigo é nada mais que o humilde JOSÉ FRANCISCO, pai do nosso querido Marcos, que hoje vive no Jardim da Imaculada, seguindo os passos de São Francisco e São Maximiliano Maria Kolbe.

Só ti peço, meu amigo: interceda por nós, escadenses, e pelo mundo inteiro, junto ao Pai, para que possamos amar mais a Mãe de Jesus e nossa Mãe, você que morreu na esperança da Ressurreição!

MARIA NORMA FIGUEIRÓA DA SILVA

ESCADA-PE

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ESTA COLUNA CONTA SEMPRE COM A COLABORAÇÃO DOS PRÓPRIOS LEITORES, JÁ ESTÃO SABENDO DISSO.

OS EXEMPLOS CONCRETOS DE PESSOAS ÍNTEGRAS, EMPENHADAS E DEDICADAS SÃO, HOJE EM DIA, MUITO IMPORTANTES, PRINCIPALMENTE PARA AQUELES QUE ACHAM QUE O MAL JÁ TEM DOMINADO TODOS E TUDO, NÃO É VERDADE! AINDA HÁ "JUSTOS" QUE SEGURAM ESTE MUNDO.

SERÁ QUE VOCÊ NÃO CONHECE NENHUM CASO QUE FOSSE DIGNO DE DIVULGAÇÃO?

ENTÃO, NÃO DEMORE! ESCREVA E MANDE LOGO!


Fim

Fonte: Revista CAVALEIRO DA IMACULADA, nº108, 1988.







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📺️(1120)_A Rocha Brasileira Que Vira Adubo (Canal Brasil Inova)

 


A Rocha Brasileira Que Vira Adubo


O Brasil depende fortemente da importação de cloreto de potássio para a agricultura, embora o território nacional abrigue imensas reservas minerais capazes de suprir essa demanda. O uso de pó de rocha e remineralizadores, técnica conhecida como rochagem e amplamente testada pela Embrapa, surge como uma alternativa viável para substituir os adubos tradicionais estrangeiros. Apesar do grande potencial geológico, o setor enfrenta diversos desafios logísticos, judiciais e de mercado, incluindo a baixa reatividade de certas rochas e impasses em grandes projetos de mineração. Contudo, iniciativas legais recentes e o desenvolvimento de novas tecnologias buscam impulsionar a produção nacional de fertilizantes, reduzindo a vulnerabilidade externa do país.

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(Texto do vídeo)

A Rocha Brasileira Que VIRA ADUBO e Pode SUBSTITUIR o Potássio Importado


Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil comprou do exterior 8,8 milhões de toneladas de cloreto de potássio, o adubo que dá o K do NPK. Foi o maior volume já registrado para esse período, segundo dados do comércio exterior compilados pelo portal Farm News. E em 2025, cerca de 96% de todo o potássio consumido no país veio de fora, segundo dados citados pela própria indústria do setor.


Só que debaixo do próprio chão brasileiro existem reservas de minério de potássio, que segundo estimativas atribuídas à Agência Nacional de Mineração, bastariam para abastecer o consumo interno até o ano 2100. E uma parte desse potássio está numa rocha verde no interior de Minas Gerais, que já é moída, ensacada e vendida para agricultores. Isso não é promessa de rede social.


Num experimento publicado por pesquisadores da Embrapa, uma rocha brasileira moída chegou a ter eficiência equivalente à do cloreto de potássio importado. E no dia 3 de setembro de 2026, uma lei federal passou a prever que, a partir de julho de 2027, o adubo vendido no Brasil leve uma parte de fertilizante nacional na mistura. Então por que o país continua importando quase tudo? Porque boa parte do potássio brasileiro tem um detalhe que o do Canadá não tem.


E é esse detalhe que decide se esta história vira solução de verdade. Se você curte vídeos assim, deixa o like e se inscreve, porque tem muito mais coisa dessa por aqui. Comece pelo preço.


Em julho de 2026, a tonelada do cloreto de potássio chegou ao Brasil por cerca de US$359, no chamado preço FOB, ou seja, o valor da carga antes do frete. Segundo o Farm News, foi o preço mais alto para um mês de julho, desde 2022. E esse preço depende de decisões tomadas muito longe daqui.


Os principais fornecedores do potássio brasileiro são o Canadá, Rússia e Belarus. Quem viu o vídeo da casca de coco aqui no canal lembra o que acontece quando esses países entram em crise. Segundo a CNN Brasil, a tonelada saiu de US$279, em maio de 2021, para US$680, em dezembro do mesmo ano.


Agora olhe para o lado de cá. Segundo um estudo publicado em 2025 na revista Coloquio, o Brasil produziu, em 2022, cerca de 190,3 mil toneladas de potássio, medido em K2O, ou seja, a forma padrão de contar o nutriente nos adubos. E isso equivale a 0,5% da produção mundial, e coloca o país só em 11º lugar.


E o cloreto de potássio produzido no Brasil sai de um único lugar, o Complexo de Taquari Vassouras, em Rosário do Catete, a cerca de 45 quilômetros de Aracaju, descrito pela imprensa como a única mina de potássio convencional em atividade no país. Em agosto de 2025, a americana Mosaic anunciou a venda dessa mina para a AVL Mineração, por até US$27 milhões. Segundo a Mosaic, seriam necessários mais de US$25 milhões só para manter a mina viável.


A nova dona assumiu o controle em novembro de 2025 e promete modernizar a operação. De um lado, um país que, no papel, teria potássio até o fim do século. Do outro, uma única mina convencional, que a dona anterior preferiu vender.


E o potássio do papel está espalhado. Segundo os números atribuídos à Agência Nacional de Mineração, o potencial total do país chega a 2,9 bilhões de toneladas de minério. Mais de 1,5 bilhão de toneladas estão em Minas Gerais, outros 939 milhões no Amazonas.


E cada uma dessas reservas esbarra num problema diferente. No Amazonas, perto do município de Autazes, a cerca de 120 quilômetros de Manaus, está o tipo de depósito que o mundo inteiro conhece. Sal de potássio, a centenas de metros de profundidade, numa estrutura que a Agência Brasil 61 descreveu como comparável às da Rússia, de Belarus e do Canadá.


O projeto da empresa Brasil Potash enfrenta há anos uma disputa judicial. Em dezembro de 2016, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra o empreendimento e organizações indígenas se opõem ao projeto, que fica numa região do povo Mura. Em agosto de 2026, segundo documento da própria empresa enviado à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, o Tribunal Regional Federal da primeira região manteve as licenças ambientais e considerou adequada a consulta ao povo Mura.


Mas a Defensoria Pública da União, em nome de organizações indígenas contrárias ao projeto, já tinha levado o caso ao Supremo. E mesmo com as licenças, até agosto de 2026, a empresa ainda não tinha recebido a concessão de lavra, ou seja, a autorização final para minerar. Até junho de 2026, já tinha gastado cerca de US$ 295 milhões, sem tirar uma tonelada do chão.


A engenharia básica do projeto só deve ficar pronta no segundo trimestre de 2027. E há uma novidade recente. Em 13 de outubro de 2026, a empresa divulgou um teste feito com a ERCOSPLAN, usando raio X e inteligência artificial para separar os pedaços de minério mais ricos.


O teor de cloreto de potássio da fração selecionada subiu de cerca de 13 para cerca de 27%. Mas a própria empresa ressalta que a amostra foi pequena, e que o resultado pode não se repetir em escala industrial. Já em Minas Gerais, o problema é outro, e é aqui que está o detalhe que o Canadá não tem.


O potássio mineiro não está num sal, está preso dentro de uma rocha esverdeada, conhecida como verdete, ou siltito glauconítico, ou seja, uma rocha sedimentar formada por um mineral chamado glauconita, que guarda o potássio dentro da própria estrutura cristalina. O sal do Canadá dissolve na água, a rocha de Minas não. Num estudo de 2015 feito na Universidade Federal de Viçosa, amostras de verdete de cedro do Abaeté e de Quartel Geral, em Minas, tinham entre 5% e 9% de K2U no total.


Mas, em média, só cerca de 0,6% desse potássio se dissolvia em água. A conclusão dos pesquisadores foi direta. A rocha tinha baixa reatividade, o que limitava o uso direto como adubo.


Durante muito tempo, essa foi a principal limitação apontada para o verdete. Muito potássio, pouco potássio disponível. Mas o que parecia um defeito começou a ser lido de outro jeito por um grupo de pesquisadores brasileiros.


A ideia tem nome, rochagem, ou seja, usar rocha moída diretamente no solo como fonte de nutrientes. Na Embrapa Cerrados, em Planaltina, no Distrito Federal, o pesquisador Éder de Sousa Martins estuda esse tipo de material desde o ano 2000. E segundo a própria Embrapa, houve um tempo em que essa proposta era descartada, porque contrariava a lógica do adubo solúvel.


Em 2013, a Lei 12.890 reconheceu os remineralizadores como insumo agrícola. Pela definição da lei, remineralizador é um material de origem mineral que passa apenas por redução e classificação de tamanho, por processos mecânicos. Em 2016, o Ministério da Agricultura publicou as regras.


Para ser registrado, o produto precisa ter a eficiência agronômica comprovada por instituições públicas de pesquisa, como a Embrapa e as universidades. E os testes trouxeram uma surpresa. Num experimento publicado em 2006 por pesquisadores da Embrapa Soja, da Embrapa Pecuária Sudeste e da Universidade Estadual de Londrina, cinco rochas brasileiras foram comparadas com o cloreto de potássio.


Primeiro cultivou-se girassol, depois soja, sem adubar de novo. Uma das rochas, chamada Ultramáfica Alcalina, teve índice de eficiência agronômica equivalente ao do cloreto de potássio num dos solos testados, somando os dois cultivos. O biotita, xisto e o carbonatito ficaram em média entre 60 e 80%.


E o detalhe mais revelador foi o que aconteceu com o adubo importado. O girassol, o primeiro cultivo, absorveu mais de 90% do potássio aplicado como cloreto. Sobrou pouco para a soja.


Já as rochas continuaram liberando potássio aos poucos para o cultivo seguinte. Ou seja, a liberação lenta, o mesmo tipo de característica que derrubava o verdete no laboratório, pode virar efeito residual no campo. Mas vale o cuidado.


O verdete não estava entre as rochas desse experimento. Segundo a Embrapa, um estudo da Embrapa Cerrados, com soja, no Planalto Central, mostrou que o biotita, xisto, foi mais vantajoso que o cloreto de potássio já no primeiro ciclo, quando aplicado a até 200 quilômetros da fonte da rocha. E em 2016, a Embrapa estimava o custo de produzir o pó de rocha entre 20 e 30 reais por tonelada.


Foi nessa linha que uma empresa decidiu apostar na rocha verde de Minas. A Verde Agritec, fundada e comandada pelo empresário Cristiano Veloso, extrai-se o título glauconítico em São Gotardo, no Alto Paranaíba, e vende o produto com o nome de K-Forte. Em 2018, segundo o Jornal Diário do Comércio, a mina foi apontada como a primeira mina de potássio a entrar em operação no Brasil em 33 anos, depois de cerca de 120 milhões de reais investidos em pesquisa desde 2005.


Segundo a empresa, as reservas comprovadas e prováveis têm, em média, 9,19% de K2O, e os recursos certificados somam 3,3 bilhões de toneladas. A capacidade declarada das fábricas chega a 3 milhões de toneladas por ano, e a empresa afirma que o produto não tem cloro nem sódio, exatamente os dois elementos que, como o canal mostrou no vídeo da casca de coco, podem salinizar o solo. Se você chegou até aqui, deixa o like agora, porque isso ajuda o vídeo a alcançar mais gente que também curte, entender uma descoberta até o fim, sem ficar só na manchete, e a Rocha Verde de Minas é só uma das portas que esse caminho está abrindo.


Pense numa pedreira de brita! Segundo a Embrapa, pedreiras em Aparecida de Goiânia, em Goiânia, e em Abadiânia, em Goiás, já exploravam o biotita xisto como subproduto da produção de brita, um subproduto da construção civil, que pode virar adubo para elavor a vizinha. Pense na lei nova! O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o PROFERT, criado pela Lei 15.496, de 3 de setembro de 2026, prevê uma mistura obrigatória de fertilizante nacional de no mínimo 2% a partir de julho de 2027, chegando a 10% até 2037. E segundo a agência Senado, o programa inclui os remineralizadores.


Em agosto, o governo federal também anunciou 4 bilhões de reais em recursos do BNDES para o setor de fertilizantes. Pense no norte! Segundo um estudo publicado em 2025, na revista Colóquio, os portos paraenses de Vila do Conde e Santarém receberam mais de 1 milhão de toneladas de fertilizantes de potássio importados em 2023. E em agosto de 2024, o Pará não tinha nenhum produtor de remineralizador registrado no Ministério da Agricultura entre 75 estabelecimentos ativos no país.


E pense nas terras raras! Em resultados divulgados em 2026, a mesma Verde Agritec apresentou a descoberta de um depósito de terras raras em argila, em Minas Gerais. Com mais de 3,5 quilômetros quadrados, a empresa que começou vendendo pó de rocha agora mira um dos minerais mais disputados do planeta. Mas nada disso significa que o problema está resolvido.


E aqui é preciso olhar com a mesma atenção para o que ainda pode dar errado. O primeiro obstáculo é a concentração. O cloreto de potássio tem cerca de 60% de K2O.


A rocha de São Gotardo tem, em média, cerca de 9. Para entregar a mesma quantidade de potássio, é preciso transportar mais de seis vezes mais material. Por isso, segundo a Embrapa, a viabilidade econômica do pó de rocha fica num raio de 100 a 300 quilômetros da origem. O segundo obstáculo é o tempo.


A liberação lenta, que vira efeito residual, também significa que a rocha pode não entregar todo o potássio no momento em que a lavoura mais precisa. E existe um problema de medição. Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás concluíram em 2020 que dois métodos químicos comuns não deveriam ser usados para medir o potássio disponível do siltito glauconítico.


Ou seja, até a análise de laboratório que orienta o agricultor pode subestimar ou superestimar o que a rocha entrega. O terceiro obstáculo é o mercado. Em 2025, segundo resultados divulgados pela empresa, a Verde Agritec vendeu 258 mil toneladas contra 318 mil em 2024 e a receita caiu para 16,6 milhões de dólares.


O presidente da empresa atribui a queda a uma grande crise do agronegócio brasileiro, iniciada em 2023, com alta nos pedidos de recuperação judicial e crédito mais difícil para o produtor. E o volume vendido em 2025 é menos de um décimo da capacidade declarada de 3 milhões de toneladas por ano. O quarto obstáculo é o Amazonas.


O projeto de Autazes ainda depende da concessão de lavra, do fim da disputa judicial, do diálogo com o povo Mura e de financiamento. E segundo o próprio documento enviado à SEC, os auditores da empresa mantêm uma dúvida sobre a capacidade de continuidade das operações sem novos recursos. O quinto obstáculo é a única mina convencional do país.


Taquari Vassouras precisou trocar de dono para continuar de pé e ainda depende de investimento para seguir produzindo. E o sexto obstáculo é o tamanho da evidência e da lei. Parte dos resultados mais animadores vem de experimentos em vasos e de testes de laboratório.


E os benefícios que a Verde Agritec atribui ao CAForte são afirmações da própria empresa. E a mistura obrigatória do Profert começa em apenas 2%, com os percentuais de cada nutriente ainda a serem definidos por um conselho do governo. Mas cada um desses seis obstáculos é um problema de logística, de mercado ou de dinheiro.


Nenhum deles é mais um problema de geologias. Que o potássio está no chão brasileiro e que a rocha moída consegue alimentar uma lavoura já foi medido, pesado e publicado. E o Brasil já transformou pó de rocha em revolução agrícola uma vez.


Nos anos 1950, o pesquisador americano Colin McClung estudou os solos do Cerrado, que muita gente considerava terra perdida, e mostrou que com o calcário, micronutrientes e adubo eles podiam produzir. Calcário, vale lembrar, é rocha moída. A partir dos anos 1970, o pesquisador brasileiro Edson Lobato passou cerca de 30 anos estudando a fertilidade desses solos.


E Alison Paulinelli, ministro da Agricultura entre 1974 e 1979, criou políticas de crédito para os produtores ocuparem a região. Em 2006, os três dividiram o World Food Prize, conhecido como o principal prêmio mundial da alimentação. Segundo a Voz da América, as terras que antes eram vistas como improdutivas passaram a ter mais de 40 milhões de hectares de soja, milho e algodão.


E um detalhe fecha o círculo. Em 2018, segundo o Diário do Comércio, o mesmo Alison Paulinelli aparecia como diretor da empresa que vende o potássio de rocha de São Gotardo. Se você curtiu, deixa o like, se inscreve e ativa o sininho para não perder o próximo vídeo sobre inovação brasileira.


Então fica a pergunta, se o adubo de rocha brasileira agir mais devagar, você usaria na sua lavoura para o país depender menos da Rússia e do Canadá? Comenta aqui embaixo!


Fim

(Transcrito por TurboScribe)

Fonte:

A Rocha Brasileira Que VIRA ADUBO e Pode SUBSTITUIR o Potássio Importado | A Embrapa Já Testou!

https://youtu.be/UEbO72-3_BU

Canal Brasil Inova

17:18




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📺️(1119)_Manual da Legião de Maria - Capítulo 14 - O PRAESIDIUM

 


Capítulo 14 - O PRAESIDIUM


1. O núcleo de Membros Ativos da Legião de Maria chama-se Praesidium. Esta palavra latina indicava um destacamento da Legião Romana incumbido de determinada tarefa: um setor da linha de batalha, uma praça forte, uma guarnição. Conseqüentemente, o termo Praesidium é aplicado, com a máxima razão, à unidade orgânica da Legião de Maria. 


2. Cada Praesidium adota como nome um título de Nossa Senhora, por exemplo: “Nossa Senhora da Misericórdia”, ou o de um dos seus privilégios, como “Imaculada Conceição”, ou, finalmente, o de algum acontecimento da sua vida, p. ex., “A Visitação”.


Feliz o Bispo que vier a ter na sua Diocese, Praesidia suficientes para formar uma Ladainha viva de Maria!


3. O Praesidium tem autoridade sobre todos os seus membros e poder para regular as suas atividades legionárias. Os membros, por seu lado, devem obedecer lealmente a todas as ordens legítimas do Praesidium.


4. Cada Praesidium, quer diretamente, quer por intermédio de um Conselho aprovado, deve estar filiado ao Concilium Legionis, sem o que não pertencerá à Legião. Segue-se que nenhum Praesidium deve ser fundado sem prévia licença de sua Curia ou, à falta desta, do Conselho Superior imediato, ou ainda, em último recurso, do Concilium. O novo Praesidium dependerá diretamente do Conselho que autorizou a sua fundação.


5. Nenhum Praesidium deve ser fundado em qualquer paróquia, sem o consentimento do Pároco ou do Ordinário. Um ou outro deve ser convidado a presidir à cerimônia da inauguração.


6. O Praesidium deve se reunir regularmente, uma vez por semana. A reunião deverá ser feita conforme o estabelecido no Capítulo intitulado “Ordem a observar na reunião do Praesidium.”


Esta regra é absolutamente invariável. Haverá quem diga com várias e excelentes razões que é difícil reunir semanalmente e que uma reunião quinzenal ou mensal bastaria para os fins em vista. 


A tais objeções tenha-se presente que a Legião em circunstância alguma pode consentir que a reunião deixe de ser semanal, nem concede a nenhum Conselho o direito de alterar esta norma. Se a regulamentação do trabalho ativo em curso fosse o único assunto a tratar, talvez bastasse uma reunião mensal, embora seja para duvidar que o referido trabalho fosse feito semanalmente, como manda o Regulamento. Mas um dos fins essenciais da reunião é a oração semanal em comum, e será inútil acrescentar que tal fim só pode ser atingido com a reunião semanal.


É certo que uma reunião semanal acarreta sacrifício. Mas, se a Legião não pode exigi-lo com confiança aos seus membros, – onde encontraremos a base necessária e firme para o seu sistema?


7. Haverá em cada Praesidium como Diretor Espiritual, um sacerdote, e também um Presidente, um Vice-Presidente, um Secretário e um Tesoureiro.


Chamam-se Oficiais do Praesidium e são os seus representantes na Curia. As obrigações de cada um deles serão tratadas no capítulo 34. A primeira, porém, há de ser a perfeita execução do trabalho semanal ordinário, de modo a servirem de exemplo aos restantes membros.


8. Os Oficiais deverão apresentar ao Praesidium um relatório de cada reunião da Curia, e manter assim o necessário contato entre o Praesidium e a Curia.


9. O Diretor Espiritual é designado para o seu cargo pelo Pároco ou pelo Bispo. A permanência no cargo dependerá da aprovação dos mesmos.


Um Diretor Espiritual pode encarregar-se, ao mesmo tempo, da direção de mais de um Praesidium. 


Caso ele não possa participar das reuniões do Praesidium, poderá fazer-se substituir por outro sacerdote ou religioso, ou, em circunstâncias especiais, por um Legionário competente, chamado Tribuno.


Embora o Diretor Espiritual deva estar a par do que se passa nas reuniões, a sua presença não é essencial à validade das mesma.


O Diretor Espiritual pertence à categoria dos Oficiais do Praesidium e deve apoiar toda autoridade legionária legítima.


10. O Diretor Espiritual deverá ter autoridade decisiva nas questões religiosas ou morais levantadas nas reuniões do Praesidium, cabendo-lhe o direito de suspender qualquer deliberação até que o Pároco ou o Bispo dêem o seu parecer.


“Este direito é uma arma necessária; mas, como qualquer arma, deve ser usada discreta e cautelosamente, para que não aconteça tornar-se instrumento de destruição e não de proteção. Numa associação bem organizada e bem dirigida a sua utilização nunca será necessária.” (Civardi: Manual da Ação Católica)


11. Os Oficiais do Praesidium, exceto o Diretor Espiritual, serão nomeados pela Curia, ou, se esta não existir, pelo Conselho imediatamente superior.


É para desejar que se evitem francas discussões a respeito das qualidades ou defeitos de candidatos a Oficiais, possivelmente presentes. Assim, quando se tem que preencher qualquer vaga no quadro dos Oficiais, o Presidente da Curia costuma apresentar a esta, depois de cuidadosa pesquisa (em que deve ser ouvido sobretudo o Diretor Espiritual do Praesidium) o nome da pessoa que lhe pareça mais idônea, e que a Curia nomeará, se assim o entender. 


12. A duração do mandato dos Oficiais (exceto a do Diretor Espiritual) é de três anos, prolongável por outro período igual ao primeiro, isto é, seis anos ao todo. Depois de o seu mandato terminar um Oficial não pode continuar a exercer as suas funções.


A transferência de um Oficial para outro cargo ou para cargo idêntico em unidade diferente deverá considerar-se como nova nomeação.


Após um intervalo de três anos, um Oficial pode ocupar o mesmo cargo no mesmo Praesidium.


Quando, por qualquer motivo, um Oficial não puder completar os três anos de mandato, deverá considerar-se como tendo servido três anos, na data do abandono do cargo. Aplicam-se depois as normas gerais da renovação dos mandatos: a) se se tratar de um primeiro período, pode, dentro do triênio que não completou, ser designado para o mesmo lugar por um novo período de três anos; b) se se tratar de um segundo período, deve decorrer três anos entre a saída do cargo e a nova nomeação para as mesmas funções.


“O problema da duração de um cargo deve ser resolvido de acordo com os princípios gerais. Em qualquer organização – sobretudo numa organização religiosa de voluntários – nunca devemos perder de vista o grande perigo de acomodação que a ameaça, no todo ou em qualquer das suas partes, pela diminuição do entusiasmo, pela infiltração do espírito de rotina, pelo endurecimento dos métodos, diante dos males que surgem constantemente. Perigo realmente sério, – porque muito humano.


Este processo de deterioração conduz a um trabalho sem vida, a uma completa indiferença. A organização deixa de atrair ou reter os membros mais qualificados, caindo numa indiferença aniquiladora. É disto que a Legião tem de se defender a todo o custo. Para tal, é absolutamente indispensável garantir, em todo e cada um dos Conselhos ou Praesidia, um perpétuo renovar de entusiasmo. O nosso primeiro cuidado deve recair sobre os Oficiais – fontes naturais de zelo – esforçando-nos para que não diminua o impulso do seu primitivo fervor, o que se consegue com a mudança a que acima nos referimos. Se os Oficiais falham, tudo falha. Se neles se extingue a chama do entusiasmo, vão esfriar, na mesma medida os grupos que eles dirigem. E o pior é que se contentarão facilmente com o estado de coisas, a que se habituaram. Para tal situação não há remédio possível a não ser que o socorro venha de fora. Teoricamente, tal remédio estaria num estatuto que exigisse a renovação periódica de um cargo. Na realidade, porém, este remédio não seria eficaz, pois que os próprios conselhos administrativos não se aperceberiam do lento desmoronar e aprovariam automaticamente a reeleição dos mesmos dirigentes.


Conseqüentemente, parece que a única atitude segura a se tomar é substituir os Oficiais, sem considerar seus méritos ou outras circunstâncias. O procedimento das ordens religiosas sugere à Legião, o critério a seguir: “o de limitar a seis anos a duração dos cargos e exigir a renovação do poder após o primeiro triênio” (Decisão tomada pela Legião, limitando a duração dos cargos dos Oficiais).


13. “Não há maus soldados,” dizia Napoleão, – “só há maus oficiais”. É esta uma forma irônica de afirmar que são os oficiais que fazem os soldados. O padrão estabelecido pelos Oficiais, dentro da organização, em matéria de generosidade e de trabalho, nunca será ultrapassado pelos Legionários. Daí, a imperiosa necessidade de escolher os Oficiais entre os melhores elementos. Se o operário deve ser digno de seu salário, o legionário deve ser digno de ocupar um cargo de direção.


A nomeação sucessiva de bons Oficiais deveria significar o aperfeiçoamento constante do espírito do Praesidium. Cada novo Oficial, além de velar cuidadosamente pela manutenção do nível adquirido, há de contribuir com a sua participação pessoal para o progresso do Praesidium.


14. A nomeação do Presidente, sobretudo, requer madura reflexão. Um erro em tal matéria pode ser a ruína do Praesidium. A escolha só deve ser feita depois de um sério exame dos possíveis candidatos, de acordo com os requisitos apontados no capítulo 34, n° 2, relativo ao Presidente. A pessoa que não ofereça garantia de poder satisfazer às normas ali estabelecidas, deve ser absolutamente posta de lado, por maiores que sejam os seus méritos, sob qualquer outro ponto de vista.


15. Não havendo razões especiais em sentido contrário, a Curia, sempre que proceder à reorganização de um Praesidium que esteja em má situação, substituirá o Presidente. A ruína do núcleo provém, na maior parte dos casos, do desleixo ou incapacidade do Presidente.


16. Durante o tempo de prova, o legionário só provisória ou temporariamente poderá exercer um cargo de direção num Praesidium de adultos. Se ele não tiver sido retirado do cargo, durante o período de prova, ao expirar este torna-se Oficial de pleno direito, e o tempo decorrido vai ser tomado em conta para o triênio acima referido.


17. Nenhum membro do Praesidium deve sair para entrar em outro, sem prévia autorização de seu Presidente. A admissão em novo Praesidium será feita de acordo com as regras e constituições que regulam a admissão de novos membros, podendo estes ser dispensados da prova e da Promessa. Tal autorização, quando pedida, não deve ser negada sem razão suficiente. Ao pretendente fica sempre o recurso de apelar para a Curia.


18. O Presidente do Praesidium, depois de consultar os Oficiais, pode suspender qualquer membro do Praesidium, por motivos que todos considerem suficientes, sem ter de dar contas ao Praesidium.


19. A Curia tem o direito de expulsar ou suspender qualquer membro de um Praesidium, ficando a este o recurso de apelar para o Conselho diretivo, imediatamente superior, cuja decisão será definitiva.


20. Qualquer discordância entre Praesidia, relativa à divisão dos trabalhos, será solucionada pela Curia.


21. Um dos deveres essenciais do Praesidium é recrutar e manter à sua volta um sólido grupo de Auxiliares.


Um exército bem comandado, corajoso, perfeitamente disciplinado e armado, representa uma força irresistível. No entanto, se contar apenas consigo próprio, a sua eficiência será pouco durável. Ele depende a toda hora de uma grande multidão de trabalhadores que lhe fornecem munições, víveres, fardas e assistência médica. Vamos privá-lo de toda essa ajuda e veremos o que acontecerá a esta excelente formação, depois de alguns dias de combate.


Os Auxiliares são para o Praesidium o mesmo que aquela turma de trabalhadores é para o exército. Fazem parte integrante da organização. Sem eles o Praesidium é incompleto.


O verdadeiro método para se manter a comunicação com os Auxiliares é o contato pessoal. Não bastam cartas para cumprir tão importante dever.


22. Um exército procura sempre assegurar o futuro pelo estabelecimento de escolas de formação militar. Da mesma maneira, cada Praesidium deve considerar a fundação e direção de um Praesidium Juvenil como parte essencial do seu próprio sistema. Dois legionários adultos serão escolhidos para Oficiais do Praesidium Juvenil. Nem todos os legionários servem para tais cargos. A formação dos jovens exige qualidades especiais do educador. Que os Oficiais sejam, portanto, escolhidos com muito cuidado. O desempenho desta tarefa satisfaz a obrigação do trabalho semanal que lhes compete como membros do Praesidium de adultos a que pertencem. Representarão o Praesidium Juvenil na Curia de adultos ou na Curia Juvenil, se esta existir.


Os outros dois cargos de Oficiais serão preenchidos por membros juvenis que assim serão treinados para as responsabilidades futuras. Representarão o Praesidium na Curia Juvenil, nunca, porém, na Curia de Adultos. 


“Numerosos são os raios do sol, mas uma só a luz; muitos os ramos da árvore, mas um só o tronco, firmemente seguro por raízes inabaláveis.” (São Cipriano: De Unitate Ecclesiae).



Fim


Fonte: 

https://legiomariae.com.br/sobre/manual-estatuto/






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📺️(1118)_A MENINA ENCANTADA [Literatura] (Guiherme Malta)


A MENINA ENCANTADA 


Era uma vez uma rainha que estava grávida e era uma feiticeira. Uma noite ela deu à luz e no batizado a criança foi sequestrada pela bruxa Penélope. A criança foi jogada na rua.

O rei e a rainha se mudaram para a cidade. Quinze anos depois, a princesa Larissa Manoela morava na floresta. Ela não sabia que ela era a princesa.

Ela ficava com as meninas Tia Fauna e Primavera. Ela adorava cantar. Elas comiam frutas, faziam roupas de flores.

Num dia, Larissa Manoela conheceu um príncipe chamado Daniel. Eles ficaram amigos e um dia eles namoraram. Eles foram no castelo.

O príncipe estava lá no castelo. Larissa Manoela foi depois quando a bruxa estava lá disfarçada. Quando Larissa Manoela chegou, a bruxa enrolou a princesa e jogou ela dentro de um buraco.

Ela foi para a cidade. Ela chegou, os carros buzinavam, os carros batiam. Ela ficava desesperada.

Ela achou um castelo de propaganda. Ela subiu. Lá ficava gritando Daniel.

Passou um carro que estava com o pai dela dentro. E estava uma menina chamada Maria de cinco anos. Ela queria ver o que estava acontecendo.

Ela saiu do carro sem pedir. E aí o castelo estava alto. O pai da princesa saiu do carro.

A princesa estava caindo. Ela caiu e o pai segurou nela. Ela levou Lari para vir para casa para passar o dia lá.

Daniel lá dormiu. Lá de amanhã. A casa estava toda bagunçada.

Ela arrumou com os animais que ela falava. Os animais lá na casa. Ele tinha um menino chamado João Guilherme.

Ele tocava guitarra e tinha uma banda chamada Rollerband. Lari ficava cantando pela casa. Eles eram amigos.

Ele chamou ela para a casa para ficar na banda. No primeiro dia lá ela contou. Nós vamos cantar o que ela fez.

E a mãe e o pai dela sabiam que ela era filha dela. Quando chegou ela ficou muito boa cantando. O João Guilherme disse a ela que ia ter um show.

A bruxa foi lá para impedir. Ela fez uma maçã e ela comeu e desmaiou. A bruxa ficava e a bruxa ficou feliz.

Ela acordou e o João Guilherme deu um beijo nela. Eles ficaram enamorados e a bruxa morreu. Eles voltaram para o castelo de verdade do mundo real.

Guilherme Malta.



Fim




 



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📺️(1117)_Origens e Doutrinas dos Batistas (Cavaleiro da Imaculada)

 


...IDE E ENSINAI!

RELIGIÕES E RELIGIÃO


**OS BATISTAS**


**1. ORIGEM**

Não se pode entender o surto dos Batistas sem mencionar os Anabatistas ($=$ rebatizados, aqueles que batizam de novo).


**1.1. Os Anabatistas**

Durante as lutas religiosas desencadeadas por Martinho Lutero (1483-1546) na Alemanha, surgiu o grupo dos "Profetas de Zwickau", que aderiram a Lutero; pouco depois, porém, ultrapassaram Lutero na linha das reformas. Foram chamados "Anabatistas", porque rejeitavam o Batismo de crianças e rebatizavam os adultos batizados em idade infantil (coisa que Lutero não fazia); além disto, professavam um tipo de "Reino de Deus" de inspiração socialista e revolucionária o que atraiu muitos camponeses. Em conseqüência, desencadeou-se a chamada "Guerra dos Camponeses" (1524-1525). Este movimento foi sufocado na Alemanha; mas as idéias anabatistas - depuradas de reivindicações políticas - sobreviveram na Suiça, na Alsácia e na Holanda. O principal ramo anabatista ficou sendo o Mennonismo, devido a Menno Simons ($+$1559), ainda hoje existente na Holanda e Alemanha.


**1.2. Os Batistas**

Passemos agora à Inglaterra do século XVI. A reforma religiosa anglicana parecia a muitos grupos extremados conservadora demais, pois mantinha a hierarquia episcopal. Entre os opositores inflamados, destacavam-se os Congregacionalistas, que atribuíam o governo da Igreja à congregação local e não à hierarquia de bispos e presbíteros.


Em Gainsborough, no ano de 1604, fundou-se uma comunidade congregacionalista, dirigida por John Smyth, antigo ministro anglicano; acolheu refugiados anabatistas e menonitas, Smyth, porém, e seus adeptos viram-se obrigados a se exilar, indo para Amsterdam (Holanda), onde o calvinismo predominava. No exílio, Smyth viveu em casa de um padeiro menonita, que o persuadiu de que o batismo conferido às crianças era inválido (tese anabatista). Em conseqüência, Smyth administrou a si mesmo um segundo batismo, de cujo valor, porém, começou em breve a duvidar. Diante deste fato, os seus companheiros, por ele convencidos da tese anabatista, o expulsaram da comunidade; Smyth não conseguiu ser admitido nem mesmo entre os menonitas, aos quais pedira acolhimento; faleceu em 1617.


Em 1612 um grupo de seus discípulos regressou à Inglaterra e lá fundou a primeira Igreja dita "batista" (não mais "anabatista"). Foram também chamados "Batistas Gerais" ou Arminianos, porque contrariamente à doutrina calvinista, professavam que Cristo na Cruz morreu por todos os homens.


Outro grupo se formou, pouco depois, dito "dos Batistas regulares ou particulares"; eram dissidentes do anglicanismo de Londres, que em 1641 se convenceram da tese anabatista. Mandaram então um de seus membros, Ricardo Blount, a Rijnsburg na Holanda, a fim de pedir o batismo de adulto à seita de Dompelaers (derivada do menonismo) e levar à Inglaterra o "verdadeiro batismo". Blount desincumbiu-se da sua missão: voltando em 1641, rebatizou por imersão (única forma de batismo reconhecida pela seita) 55 membros da comunidade de Londres. Aceitou do calvinismo holandês a doutrina de que Cristo salva somente os predestinados; donde o nome de "Batistas regulares" ou "particulares" que lhes tocou. Em 1644 havia na Inglaterra 47 comunidades de Batistas Gerais e 7 de Batistas Particulares. Com o tempo, porém, os Batistas Gerais foram declinando numericamente.


Nos Estados Unidos a denominação batista assumiu grandes proporções. Em 1630, o ministro anglicano William Rogers (1599-1683), descontente na Inglaterra, teve que emigrar para a América do Norte. Em 1638 convenceu-se de que batismo recebido na infância era inválido; por isto pediu a um amigo, Ezequiel Hollyman, que o batizasse de novo; por sua vez, Ezequiel lhe solicitou o rebatismo. Outros companheiros imitaram tais exemplos, dando assim origem à primeira Igreja Batista nos EE.UU. da América. - O espírito de independência reinante na colônia provocou numerosas divisões entre os batistas norte-americanos; conhecem-se hoje dezenas de ramos batistas: Velhos Batistas, Batistas Primitivos, Batistas do Livre Arbítrio, Batistas Campbellistas ou Reformados, Batistas do $7^{\circ}$ dia (porque observam o sábado), Batistas dos Seis Princípios ($=$ arrependimento, fé, batismo, imposição das mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno; ver Hb 6,1s), Batistas Abertos, Batistas Fechados, Batistas Gerais, Batistas Particulares, Batistas das Novas Luzes, Batistas das Velhas Luzes, Batistas das Duas Sementes no Espírito...


A denominação batistas assim dividida já não constitui uma Igreja, mas Fraternidades ou Congregações de crentes, prontas a se subdividir, desde que haja divergência entre os seus membros. Todavia, como nota característica comum, guardam a tese de que o Batismo não se confere a crianças e, por conseguinte, é preciso rebatizar quem recebeu o sacramento na infância.


O governo de cada comunidade é congregacionalista: o poder administrativo compete à assembléia dos membros da igreja local. É esta quem escolhe e depõe os seus pastores.


Dada a grande autonomia de governo e de pensamento entre os Batistas, compreende-se que não tenham preocupação ecumênica. Os Batistas nem querem ser enumerados entre os protestantes, mas pretendem constituir uma denominação cristã própria, ao lado do Catolicismo, do Protestantismo, do Anglicanismo e da Ortodoxia oriental o que não se justifica, desde que se leve em conta a história do tronco batista; procede da Reforma protestante do século XVI.


**2. DOUTRINA**

Os Batistas professam pontos doutrinários do Calvinismo (Calvino foi um Reformador contemporâneo de Lutero, mais extremado que este):


* Deus predestina os homens não somente para a glória, mas também para a condenação eterna;

* Somente a fé salva; as boas obras são ilusórias;

* a graça de Deus não apaga o pecado no crente, mas apenas encobre-o; por isto Deus não o leva em conta;

* o Batismo e a Ceia não comunicam a graça, mas apenas a fortalecem naqueles que os receberam com fé;

* a Bíblia é a única fonte de doutrina.


Sobre estas teses fundamentais cada ramo batista coloca seus pontos de vista próprios.


**3. APRECIAÇÃO**

Quanto ao Batismo em particular, notemos o seguinte:


1. É verdade que a Escritura não refere explicitamente o batismo dos pequeninos. Isto se explica pelo fato de que o século I, quando os pregadores do Evangelho chegavam a determinada cidade, não encontravam famílias cristãs, cujos filhos pudessem ser batizados pelos missionários, mas era preciso pregar a fé aos adultos, pagãos ou judeus para dar origem a familias cristas. Os casos de Batismo de crianças só se podiam tornar normais a partir da segunda geração cristã, ou seja, em épocas que em grande parte já escapam ao âmbito do Novo Testamento. Mesmo assim, porém, a Sagrada Escritura narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar "com toda a sua casa"; ver At 16,13-15. 31-33; 18,8; 1 Cor 1,16. A expressão "casa (oikos)" significa na antigüidade o chefe da família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que geralmente não faltavam). Por isto o escritor cristão Orígenes, por volta de 240, podia dizer: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar o Batismo aos pequeninos".

2. Quanto à maneira de batizar, reconheçamos que a imersão (mergulho) era geralmente praticada na Igreja antiga. Todavia não era o único rito em uso: é difícil crer que os 3.000 convertidos de Pentecostes em Jerusalém (cidade onde a água era escassa; cf 2Rs 20,20) tenham sido batizados por imersão (cf At 2,41); muito menos se concebe que o carcereiro batizado com toda a sua família em Filipos tenha sido mergulhado na água (cf At 16,33); o mesmo se deve talvez dizer do sacramento administrado por São Pedro na casa do centurião Cornélio (cf At 10,47s). Afinal, o que importa não é a quantidade de água, mas a água mesma como símbolo de purificação.


*(Transcrito do "NÓS e nós", ES 01-04, Editora Santuário, Aparecida SP, da autoria de dom Estevão Bettencourt, OSB).*


Fonte: 

Revista CAVALEIRO DA IMACULADA, nº 10, 1988.






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📺️(1116)_SUS em Pauta: Avanços e Cuidado em Salvador

 


O informativo SUS em Pauta destaca diversas iniciativas e avanços na rede municipal de saúde de Salvador, abrangendo desde campanhas de vacinação animal e apoio ao aleitamento materno até a expansão de infraestrutura com a construção de uma nova policlínica. A publicação também enfatiza a valorização profissional por meio de contratações públicas, capacitações em Libras e programas de residência, além de promover a equidade racial e a visibilidade de mulheres negras no serviço público. Outros pontos centrais incluem o fortalecimento da Vigilância em Saúde com novos núcleos e a comemoração dos trinta anos do SAE São Francisco, consolidando um modelo de atendimento cada vez mais humanizado e descentralizado.





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📺️(1115)_Manual da Legião de Maria - Capítulo 13 - CONDIÇÕES DE ADMISSÃO NA LEGIÃO

 


Capítulo 13 - CONDIÇÕES DE ADMISSÃO NA LEGIÃO


1. A Legião de Maria está aberta para todos os católicos que:


a) pratiquem fielmente a sua religião;


b) estejam animados do desejo de exercer o seu apostolado na Igreja, como membros da Legião;


c) e estejam resolvidos a cumprir todas as obrigações impostas aos membros da organização.


2. Aqueles que desejem ingressar na Legião de Maria devem solicitar sua inscrição em um Praesidium.


3. Os candidatos com menos de 18 anos só podem ser admitidos nos Praesidia juvenis (Ver o capítulo 36).


4. Ninguém deve ser admitido como candidato à Legião de Maria antes de o Presidente do Praesidium, a que é requerida a admissão, se ter certificado através de uma observação cuidadosa, de que o pretendente satisfaz as condições exigidas.


5. Antes de ser alistado nas fileiras da Legião, o candidato deve submeter-se satisfatoriamente a uma prova mínima de três meses. Pode, todavia, desde o princípio,  participar plenamente nos trabalhos da Legião.


6. A cada candidato será entregue, um exemplar da Tessera.


7. A admissão propriamente dita consiste essencialmente no Compromisso Legionário e na inscrição do nome do candidato na lista dos membros do Praesidium. A fórmula do Compromisso Legionário vem inserida no capítulo 15 e está impressa de forma a facilitar a leitura.


Monsenhor Montini (mais tarde Papa Paulo VI), escrevendo em nome de Pio XII, declara: “Este Compromisso Legionário e Mariano tem fortalecido os legionários de todo o mundo na sua luta por Cristo, especialmente os que estão sofrendo perseguições pela fé”.


Existe um comentário do Compromisso Legionário – “A Teologia do Apostolado” – devido à pena ilustre de Sua Eminência, o Cardeal Suenens, Arcebispo de Malinas, e publicado em várias línguas. Obra de incalculável valor, que devia andar nas mãos de todos os legionários. A sua leitura, no entanto, aproveita também a qualquer católico responsável, pois encerra uma exposição notável dos princípios diretivos do apostolado cristão.


[Capítulo 13      Condições de Admissão na Legião      página 81]

a) Terminado o período de provação de uma forma satisfatória, deverá o candidato ser informado com uma semana de antecedência, pelos menos, da sua admissão. Durante ela, o candidato procurará familiarizar-se com as palavras e o sentido do Compromisso Legionário, de maneira que, na cerimônia da admissão, o leia com facilidade, compreensão e fervor. 


b) Na reunião semanal do Praesidium, logo após a recitação da Catena e enquanto todos os membros se conservam de pé, aproxima-se o Vexillum do candidato que, tomando na mão esquerda uma cópia do Compromisso, recita-o em voz alta, intercalando o seu próprio nome no lugar respectivo. No início do terceiro parágrafo leva a mão direita à haste do Vexillum e aí a conserva até o fim da recitação. Depois recebe a bênção do sacerdote (se este estiver presente) e o seu nome é inscrito na lista dos membros. 


c) Em seguida os legionários sentam-se de novo, ouvem a alocução e a reunião segue o seu curso.


d) Se o Praesidium não possuir ainda o Vexillum, o candidato fará o Compromisso perante uma imagem do mesmo – a que figura na Tessera, por exemplo.


8. Uma vez aprovado, o candidato deve assumir sem demora, o seu Compromisso Legionário. Dois ou mais candidatos podem ser recebidos no mesmo dia, o que não é aconselhável, pois se torna evidente que, quanto mais numerosos, menos solene se torna a cerimônia para cada um deles.


9. A cerimônia da recepção pode constituir uma difícil prova para as pessoas extremamente sensíveis; mas tanto melhor: porque a cerimônia ganhará para elas em solenidade e seriedade – que se refletirão na sua futura vida legionária. 

10) Compete ao Vice-Presidente, de maneira especial, o dever de acolher os candidatos, de os instruir nas suas obrigações, e de os animar durante a provação e depois dela. É este, porém, um dever em que todos os legionários devem colaborar.


11. Se um candidato, por qualquer motivo, não desejar assumir o Compromisso, poder-se-á prolongar o período de provação por mais três meses. O Praesidium tem o direito de adiar o Compromisso até se certificar de que o candidato satisfaz as condições exigidas.  Dê-se a este, de modo semelhante, ampla oportunidade para se decidir. Mas ao fim dos três meses suplementares, o candidato deverá assumir o Compromisso incondicionalmente, ou deixar o Praesidium. 

[Capítulo 13      Condições de Admissão na Legião      página 82]


Se um membro, depois de ter assumido o Compromisso, mais tarde o rejeita interiormente, tem a obrigação moral de deixar a Legião. 


A aprovação e o Compromisso são a porta por onde se ingressa na Legião. Não deve ficar aberta, por negligência, aos indivíduos despreparados que possam baixar o nível e enfraquecer o espírito da Legião.


12. O Diretor Espiritual não está obrigado à cerimônia do Compromisso. Mas assumi-lo seria não só legítimo, como agradável e honroso para o Praesidium.


13. Reserve-se esse Compromisso ao seu fim específico. Não é permitido usá-lo como ato de consagração na Acies ou em outras solenidades. Nada impede, porém, que os legionários o utilizem nas suas devoções particulares.


14. As faltas dos legionários às reuniões do Praesidium deverão ser consideradas com justa compreensão, conforme as causas que as motivaram. Não se risquem levianamente os nomes da Lista Oficial, sobretudo se as ausências se baseiam em doença, mesmo prolongada.  Quando, porém, o nome de um membro foi retirado da lista por haver faltado de maneira irresponsável, requer-se, para reingressar na Legião, novo período de provação e novo Compromisso.


15. Em tudo ao que se refere o serviço legionário e só nisso, os membros tratar-se-ão por “Irmão” ou “Irmã”.


16. Conforme as necessidades e com a aprovação da Curia, os membros se agruparão em Praesidia de homens, mulheres, rapazes, moças ou mistos. No seu início, a Legião foi um organismo puramente feminino. Só oito anos mais tarde se formou o primeiro Praesidium de homens. Apesar disso, a Legião apresenta base igualmente apropriada para estes, existindo atualmente em atividade numerosos Praesidia, quer mistos, quer masculinos. Os primeiros Praesidia da América, da África e da China foram de homens. 


Embora as mulheres ocupem, por isso, lugar de honra na Legião, usamos sempre nestas páginas o pronome masculino para designar os legionários de um e outro sexo.  Tal é o costume do direito. Evitam-se, assim, repetições cansativas de “ele ou ela”.


“A Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, através deles, conduzir efetivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o seu reino para glória

[Capítulo 13      Condições de Admissão na Legião      página 83]


de Deus Pai. Toda a atividade do Corpo Místico que seja orientada para este fim, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado. Do mesmo modo que num corpo vivo, nenhum membro tem um papel meramente passivo, mas antes, juntamente com a vida do corpo, também participa da sua atividade, assim também no corpo de Cristo, que é a Igreja, todo o corpo “segundo a função de cada parte, opera o próprio crescimento” (Ef. 4, 16). Mais ainda: é tão profunda neste corpo a união entre os membros (Ef. 4, 16) que se deve dizer que não aproveita nem à Igreja nem a si mesmo, aquele membro que não trabalha para o crescimento do corpo, segundo sua própria medida” (AA2).


Fim


Fonte: 

https://legiomariae.com.br/sobre/manual-estatuto/






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📺️(1114)_Plano de Aula] Prof Paulo de Figueiredo] A PESSOA COMO O SER MAIS PERFEITO DO UNIVERSO

 


PLANO DE AULA

I. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

Universidade Federal da Bahia

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

Professor: PAULO DE FIGUEIREDO

Disciplina: Filosofia Geral

Data: ...... .....

II - ASSUNTO CENTRAL:

"A PESSOA COMO O SER MAIS PERFEITO DO UNIVERSO"

III - OBJETIVOS:

Os alunos deverão identificar, num primeiro momento, a noção de Pessoa, mediante uma rápida resenha histórica e, em seguida, compreender a razão por que a Pessoa é o ser mais perfeito do universo, através da reflexão metafísica da Autotranscendência, que implica a espiritualidade do homem; o que será possível pelo esquema e resumo distribuídos, a exposição a ser feita e os textos anexos. O desempenho será satisfatório se os alunos captarem a Noção de Pessoa na filosofia medieval e contemporânea e souberem explicar, através da Autotranscendência, por que a Pessoa é o ser mais perfeito.

IV - CONTEÚDO: ESQUEMA GERAL

Introdução

I. Súmula Histórica da Noção de Pessoa

1.1) A Pessoa e a Filosofia Greco-Latina

1.2) A Pessoa e a Patrística

1.3) A Pessoa e a Filosofia Medieval

1.4) A Pessoa e a Filosofia Moderna

1.5) A Pessoa e a Filosofia Contemporânea

II. A Pessoa: ser mais perfeito do Universo

Considerações Prévias

2.1) Noção da Autotranscendência

2.2) Significado(s) da Autotranscendência

2.3) Autotranscendência - Natureza Espiritual - Perfeição do homem

Conclusão

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RESUMO:

"A PESSOA COMO O SER MAIS PERFEITO DO UNIVERSO"

INTRODUÇÃO:

1) O problema da Pessoa está no centro das preocupações da Filosofia (cf. Personalismo), das Ciências Humanas em geral (cf. psicólogos, psicanalistas, educadores, juristas, políticos). O respeito aos direitos da Pessoa Humana encontra-se no centro das discussões ideológicas: o respeito aos direitos humanos constitui-se o crivo da validade e legitimidade de determinada ideologia ou sistema político.

Fala-se muito a favor da Pessoa humana: intuitivamente, se atinge o seu valor e perfeição no universo. Aqui, devemos aprofundar, filosoficamente, esta questão.

2) Seguiremos o roteiro seguinte: em primeiro lugar, responderemos à questão: "O que é a Pessoa", para, logo em seguida, na segunda parte, compreendermos por que "a Pessoa é o ser mais perfeito do Universo".

I. SÚMULA HISTÓRICA DA NOÇÃO DE PESSOA

1.1) A Pessoa e a Filosofia greco-latina:

Os gregos desconhecem essa realidade metafísica. Falta-lhes, inclusive, a terminologia apropriada: cara, máscara do autor. Os latinos, igualmente, não conheceram ambas as coisas: "Persona" deriva, provavelmente, de "Personare" = ressoar; máscara que ampliava a voz do ator. O latim elaborou o termo a partir, provavelmente, do termo etrusco: "Fersu" = rótulo da representação de dois mascarados.

Teria Sêneca usado o termo "Persona" em sentido metafísico, ao tempo em que valorizou, extraordinariamente, o homem como indivíduo particular?! Suas expressões mostram que não: "Malit habere personam quam faciem" (De Beneficio II, 13, 2: "Prefere usar a máscara que o próprio vulto"); "Nemo potest personam diu ferre" (De clem. I, 1, 6: "Ninguém pode carregar a máscara por muito tempo") etc.

1.2) A Pessoa e a Patrística:

Por conseguinte, autores diferentes reconhecem o fato de os Clássicos desconhecerem a Realidade e a Terminologia: com efeito, a Realidade Metafísica e a terminologia são de Origem Cristã (ao lado de "Criação"): cf. E. Zeller, Die Philosophie der Griechen in ihrer geschichtlichen Entwicklung, Leipzig, p.843; E. Mounier, Il Personalismo, AVE Roma, pp. 14-16; R. Garaudy, Qu'est-ce que la morale marxiste? Ed. Sociales, Paris, p. 63.

1.2.1) A patrística, as disputas trinitárias e cristológicas dos primeiros séculos do Cristianismo aprofundaram o Dado BÍBLICO: vg. Sto. Agostinho, De Trinitate VII, 6, 11 e XV, 7, 11: procura um termo apropriado a traduzir o mistério da SSma. Trindade, um termo que não faça do Pai, do Filho e do Espírito Santo três deuses e que, por outro lado, não os dissolva numa só natureza ou essência. Encontra-o e no latino "persona", que "não significa uma espécie, mas algo de singular e de individual". Neste sentido, pode dizer que Deus é uma Natureza e três pessoas; que Cristo tem 2 naturezas e uma pessoa.

Agostinho, ademais, acrescenta: "Singulus quisque homo una persona est": Valorizando, de modo particular, o pensamento, o bispo de Hipona une os caracteres de unidade e singularidade, com os quais define a pessoa, ao poder do intelecto (mens): "Singulus quisque homo, qui ... secundum solam mentem imago Dei dicitur, una persona est e imago Trinitatis in mente".

1.2.2) São João Damasceno na linha da reflexão de Gregório Nazianzeno, que, resolutamente, destacara o significado de "persona" da máscara do teatro e acentuara as notas de "Totalidade, independência e inteligência" como características da pessoa oferece uma definição de pessoa ainda hoje atual: "Pessoa é aquilo que, exprimindo a si mesmo através de suas operações e propriedades, coloca uma manifestação de si que o distingue dos outros com a sua mesma natureza" (Dialect. c.43, in Migne P. G., 94, col. 613).

1.3) A Pessoa e a Filosofia Medieval:

1.3.1) É básica a definição de pessoa, dada por Severino Boécio, in: "Contra Eutichen et Nestorium" c.4: "Persona est rationalis naturae individua substantia".

1.3.2) Sto. Tomás d'Aquino repete a definição de Boécio e formula outras com o mesmo teor: vg: "Omne individuum rationalis naturae dicitur persona" (S. theol. I, 29, 3 ad 2).

A pessoa, segundo Tomás d'Aquino, pq. autônoma no ser ou pq. possui o próprio ser a pessoa é "Ens in se" e "Ens per se" é incomunicável. Aliás, a incomunicabilidade é tríplice: "Antes de tudo, o indivíduo que é pessoa não se pode comunicar com as outras coisas como parte, sendo um todo completo; depois, não se pode comunicar como o universal se comunica com os singulares, porquanto a pessoa é algo de subsistente; enfim, não se pode comunicar como algo de assumível porque o que é assumível ocorre na personalidade do assumente e não há mais uma personalidade própria. Não é, porém, contrária ao conceito de pessoa a capacidade de assumir" (In III Sent. d.5 q.2, a.1 a 2m). Em outras palavras, a pessoa é um ser completo (assim, o braço ou o coração da pessoa não é a pessoa); é um ser singular (desse modo a humanidade não é a pessoa); é um ser distinto (contra a possibilidade de duas pessoas se fundirem).

A pessoa é, acima de tudo, um ser racional e intelectual. Sto. Tomás, na linha de Agostinho, acentua, sobremaneira, esta característica. Analisando e desenvolvendo-a, como bem observa Dalle Nogare, Sto. Tomás pode afirmar: "A pessoa significa o que há de mais perfeito em todo o universo, isto é, o subsistente de natureza racional" (Sum. theol. I, 29,3).

Adiante, na parte reflexivo-metafísica, aludiremos ainda ao pensamento tomista. Assinalamos as seguintes fontes de aprofundamento: V. Degl'Innocenti, Il Problema del Persona nel pensiero di S. Tommaso d'Aquino, PUL, Roma, 1967; L. Pitteri, La Persona humana, sua structura ontologica nella filosofia di Tommaso d'Aquino.

1.3.3) De acordo com Stefanini, os doutores da filosofia escolástica acentuaram, sempre, as seguintes características da pessoa: "Inseidade (ens in se), perseidade (ens per se), singularidade, subsistência (amiúde usada em lugar de substancialidade), integridade, perfeição, incomunicabilidade".

Significativa, por fim, de toda a preocupação escolástica em torno da pessoa é a etimologia sugerida por Alano de Lilla (Theologicae Regulae, seg. 32, in Migne PL, 210, col. 637): persona ut "RES PER SE UNA". Em razão disso, o busílis do debate escolástico foi determinar o verdadeiro constitutivo da pessoa em face do indivíduo.

1.4) A Pessoa e a Filosofia Moderna

1.4.1) Com René Descartes começa a aparecer uma outra definição de pessoa. Já não se acentua a autonomia no ser, com suas consequências. Insiste-se, agora, na autoconsciência: "Cogito, ergo sum". A pessoa pensa a si mesma e tem a consciência de não ser puro sonho ou ilusão. Ia idéia clara e distinta!

1.4.2) A pessoa como "ser que possui Autoconsciência" influenciou toda a filosofia moderna: ser homem é ser autoconsciente ou a Pessoa é autoconsciência: cf. Hume, Fichte, Hegel, Schelling, G. Gentile. Mais recentemente: Jean Paul Sartre: é inegável que a distinção básica entre o "Pour-soi" e o "En-soi" encontra-se na consciência, cuja função negadora em face do mundo é fundamental na filosofia sartreana.

1.4.3) I. Kant, in: "Fundamentos da metafísica dos costumes" diz: "Os seres racionais são chamados pessoas porque a sua natureza os distingue como fins em si... o homem e em geral cada ser racional existe como um fim em si e não somente como um meio de que esta ou aquela vontade pode servir-se a seu bel-prazer". Consequentemente, dentro da problemática típica de Kant o traço característico da pessoa passa a ser: ser fim a si mesma.

1.5) A Pessoa e a Filosofia Contemporânea

A Filosofia moderna encerrou-se com a apoteose da Dialética hegeliana. A acentuação moderno-racionalista do homem como autoconsciência terminou por reduzi-lo a um momento, quiçá, insignificante, do movimento tritético da Idéia identificada ao Real. Em reação a tudo isto, a filosofia contemporânea voltou-se, em várias frentes, para a reflexão sobre a pessoa. Aludiremos a algumas apenas:

1.5.1) Sören Kierkegaard: a realidade fundamental é o homem: chama-o "Singular". Destarte, o Universal Espiritual de Hegel e o Universal humano de Marx são puras abstrações. O Singular conquista-se mediante a liberdade que é Angústia: o verdadeiro singular, finalmente, é aquele que, pela e na Fé, lança-se nas mãos de Deus. Quem não o fizer viverá de um dos 3 tipos de Desespero: Desespero de nem saber ter um eu próprio; Desespero Feminino; Desespero Masculino.

Com Kierkegaard, em suma, a temática da pessoa é fundamental: acentua a singularidade, já presente na filosofia escolástica como decorrente da autonomia no ser e sendo uma das expressões da incomunicabilidade. Mas, as palavras enganam e o enfoque Kierkegaardiano não é o escolástico: o singular é captado, não mediante uma análise essencialisto-metafísica, mas através da categoria existencial. Como disse Lotz: "A filosofia existencial /.../ oriunda de Kierkegaard e preparada por Scheler advoga de novo a causa da pessoa; desloca, todavia, exageradamente a essência da mesma para o que é inerente ao ato, embora seja verdade que o homem se eleva à autenticidade /.../ só pela decisão com que aceita o seu ser".

A perspectiva Kierkegaardiana fez-se presente, naturalmente com enfoques particulares e irredutíveis, na problemática de todos os filósofos existencialistas: Karl Barth, Karl Jaspers, G. Marcel, J. P. Sartre, Heidegger e tantos outros.

1.5.2) O Personalismo:

A) Charles Renouvier, em 1903, com "Le Personnalisme", deu início a uma corrente filosófica, cuja temática fulcral é a pessoa. Para ele, o caráter específico da Pessoa é o Conhecimento: não é nem um conhecimento criador, como afirmaram os idealistas, nem um conhecimento de caráter fenomênico, como assegurava I. Kant. Dá-se, aqui, um retorno à perspectiva augustiniano-tomista e escolástica em geral: a pessoa como Conhecimento é, fundamentalmente, abertura ao mundo e abertura ao Absoluto. Pode conhecer a Pessoa primeira e criadora. Ademais, "a hipótese de um mundo existente por si, eterno, não é mais do que a de um mundo que possa dar razão a si mesmo da sua existência" (Le Personnalisme, Parte VIII).

B) E. Mounier, idealizador e criador da comunidade de "Les murs blancs", é, sem dúvida, o filósofo do Personalismo mais conhecido.

a) Com referência às seguintes questões: traços biográficos, obras, contexto; Objetivo primordial e modelos empíricos de sociedade: cf.

b) Quais as principais características da pessoa? (Le Personnalisme):

A pessoa é, antes de tudo, "existência incorporada", "existência encarnada": "Não posso pensar sem ser e ser sem o meu corpo; por meio dele eu estou exposto a mim mesmo, ao mundo, aos outros; por meu meio eu fujo da solidão de um pensamento que seria apenas o pensamento do meu pensamento. Negando-me a conceder uma completa transparência para mim mesmo lanço-me continuamente para fora de mim, na problemática do mundo e na luta do homem".

A pessoa é Transcendência em face da natureza: "o homem caracteriza-se por uma dupla capacidade de destacar-se da natureza; é o único que conhece este universo que o engole e o único que o transforma, ainda que seja o menos aguerrido e o menos potente de todos os grandes seres animados".

A pessoa é comunicação: "O primeiro movimento que revela um ser humano na primeira infância é um movimento em direção aos outros; a criança dos seis aos doze meses, saindo da vida vegetativa, descobre-se a si mesma nos outros. É somente mais tarde, perto dos três anos, que haverá a primeira onda de egocentrismo consciente... A primeira experiência da pessoa é a experiência da segunda pessoa: o tu e, portanto, o nós vêm antes do eu, ou pelo menos o acompanham. É na natureza material (à qual estamos parcialmente submetidos) que reina a exclusão, porquanto um espaço não pode ser ocupado duas vezes; a pessoa, por sua vez, através do movimento que a faz existir, expõe-se, porque é por natureza comunicável e é antes a única a sê-lo".

A pessoa é Dinamismo: "A vida da pessoa é a busca até a morte de uma unidade pressentida, cobiçada e que não se realiza nunca".

A pessoa é Vocação: "Cada pessoa tem um significado tal que não pode ser substituída no lugar que ocupa no universo das pessoas".

A pessoa é Liberdade: essa "não é ligada indissoluvelmente ao ser pessoal como uma condenação (Sartre), mas lhe é proposta como um dom; ele pode aceitá-la ou rejeitá-la".

c) Além disso, Mounier está convencido de que a pessoa é o centro do universo: "Deve-se reconhecer que a realidade central do universo é um progredir para a personalização, que as realidades impessoais, ou mais ou menos despersonalizadas (a matéria, as espécies vivas, as idéias) não são senão perdas de velocidade, langores da natureza no caminho da personalização". Como não perceber, aqui, a influência de Teilhard de Chardin, para quem o homem é o "ponto ômega minúsculo", preparado pela complexificação-interiorização crescente da matéria pré-humana?!

C) M. Nédoncelle:

a) Com uma metodologia que se inspira em Gabriel Marcel (para este a abordagem científica do homem e de Deus coisifica "o mistério": cf. "Position et Approches concrètes du Mystère Ontologique"), Nédoncelle crê que o método fenomenológico e o método metafísico se devam meiar no estudo do homem. Aliás, é essa, também, a posição de G. Mondin in O homem, quem é ele?! Elementos de Antropologia Filosófica.

b) A relação Eu-tu constitui o fato primitivo: a consciência não se pode subtrair sem tender a suprimir-se. A dualidade Eu-Objeto supõe a dualidade eu-tu: esta é reciprocidade. E a reciprocidade é amor. Neste sentido, a relação fundamental é o nós, que resiste a toda força centrífuga: comunhão, consciência colegial, vontade de mútua promoção, que se alarga numa dimensão universal e tem, finalmente, como centro e fundamento o Tu por excelência ou seja Deus, tudo isto é o Amor, bem como a natureza da pessoa revelada por Amor.

c) A pessoa para se personificar deve combater todas as formas do impessoal e do anti-pessoal (o mal): a pessoa não se constrói sem riscos. Sem a intervenção do Deus-Caridade, inclusive, a pessoa mais facilmente se desfaz (cf. M. Nédoncelle, Vers une philosophie de l'amour de la personne, Paris, 1957).

D) Martin Buber em "Ich u. Du", palmilhando a mesma estrada de Mounier, Nédoncelle, Marcel, estabelece dois tipos de relação fundamental:

a) A relação "Ich-Es": aquela do homem com as coisas.

b) A relação "Ich-Du": aquela do homem com o homem.

a) A primeira relação - "Ich-Es" - tem o caráter do monopólio e os aspectos de: experimentação, objetividade, utilização, posse, fatalidade, arbítrio.

b) A segunda relação - "Ich-Du" - tem o caráter do diálogo e os aspectos de: encontro, presença, liberdade, amor, destino, ser.

c) A segunda relação pode, no entanto, ser adulterada e vivida como a primeira: um tu, então, se transforma numa "Coisa-Pessoa". Em consequência: o tu afirma "Je serai ton esclave et ta chose", como Electra a Zeus num drama de Sartre e o Eu, por seu turno, também se perde pois "Eu tenho origem na minha relação com o tu; quando eu me torno Eu, então digo tu".

II. A PESSOA: SER MAIS PERFEITO DO UNIVERSO

CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS: Depois de responder, na primeira parte, à pergunta: o que é a pessoa?, urge considerá-la como o ser mais perfeito do universo.

a) Pedro Dalle Nogare (na revista: Presença Filosófica, 1974, nºs 1,2,3, pp. 100-113) desenvolve este tema sob o ponto de vista de Santo Tomás: o homem é, sobretudo, ser racional; consequentemente, seu corpo e espírito são os mais perfeitos no mundo; por fim, o homem é o valor absoluto.

b) Seguiremos outra estrada: analisando a Autotranscendência do homem, indicada por J. de Finance (Essai sur l'agir humain, PG, Roma, 1962) e por B. Mondin (O Homem, quem é ele? Elementos de Antropologia Filosófica, Ed. Paulinas, 1980).

c) Afirma B. Mondin (depois de definir a pessoa como: um indivíduo dotado de autonomia quanto ao ser (= Boécio, Tomás, R. Guardini), de autoconsciência (= Descartes, Fichte, Hegel), de comunicação (= Marcel, Mounier, Nédoncelle, Buber) e de autotranscendência (= Blondel, Heidegger, Brightman)): "de todos esses elementos o que ilustra melhor a grandeza da pessoa humana e faz entender mais profundamente as suas características é /.../ a autotranscendência" (op. cit. p. 297).

d) Da dupla metodologia para explanar a autotranscendência: tomaremos a peito o método metafísico (Mondin: Método Fenomenológico X M. Metafísico).

2.1) NOÇÕES DE AUTOTRANSCENDÊNCIA

2.1.1) De transcendência, em sentido sensível "estar além das nuvens"; passou-se à Transcendência, em sentido abstrato "o mundo do espírito transcende o da matéria". Deste, a Transcendência passou a significar, na idade moderna, a própria Substância Divina e, contemporaneamente, a transcendência passou a ser aplicada ao sujeito: é a autotranscendência.

2.1.2) Autotranscendência, abstratamente, divide-se em: Autotranscendência Horizontal ou Histórica ("Passage", em De Finance) e Autotranscendência Vertical ou Metafísica ("Dépassement").

A autotranscendência horizontal ou histórica é aquela em que o homem efetua a superação de si mesmo, olhando para a frente, orientando-se para as coisas futuras no pensar, no querer e no agir. Divide-se em: Egocêntrica e Filantrópica.

A autotranscendência vertical ou metafísica é aquela em que o homem se ergue sobre si mesmo, olhando para cima e notando a própria finitude.

2.2) SIGNIFICADO(S) DA AUTOTRANSCENDÊNCIA

2.2.1) Concepção Egocêntrica

A) Comum a filósofos de orientações tão diferentes - Platão, Aristóteles, Estóicos, Descartes, Feuerbach, Hegel, Sartre, Nietzsche, Heidegger - a Autotranscendência seria: o esforço do homem, contínuo e ingente, para superar-se, para transpor a situação precária e indigente em que se encontra, com vistas à obtenção de um próprio ser mais verdadeiro e autêntico, de uma situação mais plenamente humana. Numa palavra: o homem, este ser insatisfeito, projeta-se, de contínuo, em busca de si mesmo.

B) Pessoalmente, com De Finance e Mondin, acreditamos que tal concepção é verdadeira em seus limites: com efeito, a autotranscendência não é imolação de si mesmo. É ela procura de um ser pessoal mais perfeito.

Por outro lado, é uma interpretação limitada, na medida em que deixa aberta uma questão de magna importância: qual a garantia do processo de autotranscendência? Como não o confundir com o esforço insensato e vão?! Todos os autores citados depositam nas mãos frágeis do próprio homem esta formidável iniciativa... e a vida, prestes, nos ensina que os acontecimentos, amiúde, ultrapassam nossas iniciativas, projetos e intenções.

2.2.2) Concepção Filantrópica

A) A partir de Karl Marx e A. Comte e acentuada, recentemente, por autores como E. Bloch, Marcuse, R. Garaudy, surgiu a Concepção Filantrópica da Autotranscendência, cujo conteúdo é o seguinte: o homem, de modo permanente, supera os angustos e estreitos quadros da própria existência, em busca da edificação de uma sociedade justa e humana. A "Humanidade autenticamente humana", eis a razão de ser da autotranscendência de cada homem autêntico.

B) Esta interpretação parece-nos conter, mais uma vez, uma profunda verdade em seus limites: a realização da pessoa humana não poderá ser um evento individual, considerando-se o fato de que a pessoa é, fundamentalmente, relação, convivência, como bem acentuaram E. Mounier, Nédoncelle, Buber e tantos outros.

Por outro lado, como notou J. de Finance e Mondin, esta interpretação deixa em aberto duas interrogações fundamentais:

Em primeiro lugar, qual a garantia de que o esforço de cada um e da humanidade atual não seja uma luta inglória?! Afinal, evoluímos de fato?! Sob tantos aspectos, constatamos um real progresso; sob tantos outros, deparamos com uma involução... Neste sentido, a "Gaudium et Spes" nº 4 e 8, analisando a real situação da humanidade fala de "Paradoxos", isto é, o entrelaçamento de aspectos positivos e negativos.

Em segundo lugar, como notou H. Gollwitzer, in: La critica marxista della religione e la fede cristiana, admitida a consecução do ideal de uma Humanidade perfeitamente humana; a realização da humanidade amanhã - vg. daqui a 200 anos! - esta não será a realização do homem singular de hoje. A interpretação filantrópica não tem palavras à esperança, que mecha em cada coração.

2.2.3) Concepção Metafísica ou Teocêntrica

A) M. Blondel, G. Marcel, K. Rahner, Metz, Boros, Lonergan e De Finance, todos de inspiração cristã, avançam a interpretação teocêntrica da Autotranscendência humana, cujo conteúdo fundamental é o seguinte: o homem abandona, permanentemente, os quadros existenciais vigentes; encontra-se polarizado para além de si mesmo; o homem "ex-sistere" numa palavra, pq. é atraído e convidado, no seu ser, a agir e pensar, por Deus. A reflexão de Blondel analisa, com perspicácia incomum, a tensão transcendental no âmbito dessas três dimensões: ser, agir e pensar.

B) Esta interpretação parece-nos ser a mais correta, congraçando as exigências das duas anteriores e atalhando suas dificuldades. Numa palavra, ela corresponde à exclamação de Santo Agostinho, que é também o anelo de todo homem: "Inquietum est cor nostrum, Domine, donec non requiescat in Te".

Há, no entanto, uma dificuldade que, em geral, é aventada: esta interpretação supõe a existência de Deus, realidade que parte significativa da filosofia moderna e contemporânea não está disposta a admitir; o agnosticismo ou mesmo o ateísmo declarado pervagam muitas filosofias.

A resposta de todos os autores desta interpretação e também a nossa é a seguinte: na verdade, esta tradução da autotranscendência humana não pressupõe a existência de Deus. Ao contrário, a autotranscendência, enquanto movimento que exige uma finalidade - caso contrário, não seria compreensível! -, é um claro testemunho a favor da existência de Deus.

Por outro lado, fica patente que a Transcendência horizontal - seja egocêntrica ou filantrópica - e a transcendência vertical não se excluem, reciprocamente. Esta, aliás, é a verdade já assinalada por Merleau-Ponty, in: "Signes": "Não foi jamais típica de nenhuma filosofia a escolha entre transcendências: por exemplo, a de Deus e a do acontecer humano; pois, antes, é esforço constante de cada filosofia mediar tais transcendências".

Em suma, como diz Joseph de Finance (op. cit. p.191): "O que é necessário reconhecer é que o impulso em direção do Ideal não é possível e não tem significado senão por causa da presença atraente e como que aspirante do Ideal Subsistente ou, para dar-lhe o nome sob o qual o invoca a consciência religiosa, de Deus. É Ele e Ele somente o Outro Absoluto e não menos a fonte de minha ipsidade que, embora me dando a mim mesmo, arranca-me do meu eu; é a presença que introduz em mim um princípio de tensão interior e de ultrapassagem".

2.3) AUTOTRANSCENDÊNCIA - NATUREZA ESPIRITUAL - PERFEIÇÃO DO HOMEM

2.3.1) Após os esclarecimentos em torno da Noção de Autotranscendência (cf. 2.1) e do(s) significado(s) da mesma realidade, mediante a aplicação do método metafísico (cf. 2.2) na suposição evidentemente do método fenomenológico, podemos prosseguir nossa pesquisa com a seguinte questão: qual a explicação suficiente da autotranscendência como tal?! Essa questão muito nos interessa, pois atinge o objetivo do presente estudo.

Se é verdade que pela Autotranscendência - e estamos plenamente convencidos disso! - o homem busca, incessantemente, a Deus, único Ser capaz de saciá-lo em relação ao anelo infinito que o invade; a razão suficiente para explicar este salto permanente para fora de si, para além de todo imediato e do mundo em sua globalidade, só pode ser uma realidade não sujeita às categorias do tempo, do espaço, da quantidade: uma realidade espiritual, em síntese!

"Agere sequitur Esse" - e esta é uma formulação dinâmica do Princípio de Identidade! - então: o homem não se satisfaz nunca com os horizontes tangíveis, ultrapassa-os permanentemente, porque é Espírito!

2.3.2) Na verdade, o homem, situado no mundo, com os pés no chão, partícipe da natureza, apresentando-se como o derradeiro rebento de 15 bilhões de [anos de] aventura do universo, ultrapassa-os pelo espírito: o homem é, substancialmente, corpo e espírito!

a) Não se trata de considerar esta união do corpo e do espírito como algo acidental, na perspectiva de Platão e dos seus discípulos mais famosos de ontem e de hoje: Plotino, Agostinho, Boaventura, Descartes, Malebranche, Leibniz etc. Não se fala, aqui, da união "do timoneiro ao navio" ou "do cavaleiro ao cavalo" ou da "teoria da harmonia preestabelecida" e "ocasionalismo".

b) Não se trata, mais ainda, de eliminar um dos dois elementos da união substancial humana: a alternativa entre Idealismo ou Materialismo, como se acentuou depois de Descartes.

c) Trata-se de compreender a união do corpo e da alma, como o fez Sto. Tomás: é uma união profunda, substancial e duradoura. O corpo e a alma formam uma única substância; eles têm um único ato de ser, o da alma; dele se torna participante também o corpo no momento da sua geração (Confronte-se: Summa theol. I, 75,2: a alma, pq. opera para si mesma, subsiste por si mesma; c/ Summa theol. I, 75,4: o sentir não é uma operação só da alma, logo o homem é corpo e espírito).

2.3.3) Manifesta-se, então, em consonância com todas as considerações anteriores, a razão pela qual a "Pessoa é o ser mais perfeito do universo".

O homem, de fato, está colocado como "Pontifex" entre o visível e o invisível! Coroa do universo, ele o ultrapassa. É o ponto ômega minúsculo. Em suma: o ser mais perfeito do universo.

Como descreveu com maestria Teilhard de Chardin: "Tendo chegado /.../ a um ponto crítico de coordenação (ou como dizemos, aqui, de enovelamento) a vida se hipercentralizou sobre si mesma, no ponto de tornar-se capaz de previsão e invenção. Ela se tornou consciente em segundo grau" (Groupe Zoologique, p.79); "A consciência, pela primeira vez na terra, dobra-se sobre si mesma, até se tornar pensamento" (Réflexions sur l'ultrahumain, p.52): "Não é só a primeira vez, mas também a única vez que esse passo foi dado" (Groupe Zoologique, p. 79).

CONCLUSÃO:

[Manuscrito ilegível no final do documento]





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