Coleção de IMAGENS, ÁUDIOS, VÍDEOS, ARTIGOS, LIVROS e TEXTOS diversos (revistas e outros) com textos "scrollados" (deslizantes) e/ou no formato em PDF (com letras ampliadas e fácil de ler nos celulares). Acervo digital do Projeto Crescer Juntos (PCJ)
É sabido que os Evangelhos começam a falar de Maria somente a partir do momento da Anunciação, ou seja do seu engajamento total na Obra da Salvação quando a Virgem aceitou conscientemente a vontade de Deus para ser a Mãe de Jesus Cristo.
A piedade cristã, por sua vez, desde muito cedo, procurou dedicar bastante interesse também para com os outros momentos da vida da Santíssima Mãe de Deus.
Entre muitos momentos assim evidenciados e celebrados encontra-se a APRESENTAÇÃO DE MARIA NO TEMPLO.
A tradição extra-evangélica diz que Maria na idade de menina, foi levada pelos seus pais para o Templo de Jerusalém a fim de prestar alguns serviços na Casa de Deus e ao mesmo tempo aprender mais profundamente a herança religiosa de Israel.
Não sabemos como se realizou, em detalhes, esta experiência de Maria: que pessoas tomaram conta dela e, provavelmente, de outras meninas como Ela; que roteiro de ocupações foi realizado; e quanto tempo durou sua permanência na sombra daquele ambiente sagrado.
É de aceitar com fé, que o Espírito Santo conduzia esta sua Eleita, pelos caminhos de sua Providência. Maria, a Imaculada, aberta e dócil para as inspirações divinas, devia considerar muito proveitoso e edificante tudo em que participava todo dia.
Desde muito cedo Maria adquiriu e aprofundou aquela atitude de "meditar em seu coração", tão lhe característica e forte nas páginas do Evangelho.
Graças a esta atitude meditativa, Maria colhia muitas mensagens dos Livros Sagrados da Lei de Moisés, dos Profetas e dos Salmos. No seu Coração aberto e recolhido, inocente e cheio de graça, teceram-se os atos de louvor ao Pai do Céu, tão presente em todos os acontecimentos descritos nas páginas da Bíblia. Os atos de gratidão pela providência maravilhosa do Altíssimo no decorrer da história do povo de Israel, desde o Patriarca Abraão, homem de fé inabalável, e tantas outras figuras maravilhosas dos antepassados até os últimos momentos da atualidade. A gratidão pela libertação do Egito e pelo assentamento das tribos de israel na Terra Prometida. Tantas intervenções divinas nos momentos cruciais da caminhada do Povo.
Deviam doer-lhe as repetidas infidelidades e ingratidões do mesmo Povo para com o seu Deus. As ingratidões fazem parte integral da história de Israel. As tentações eram fortes e a inclinação dos filhos de Abraão para as divindades alheias era impressionante. Muitíssimas vezes obcecava-se o coração do povo em atitude de abandonar os preceitos do Senhor, para seguir os cultos dos deuses pagãos - coloridos, barulhentos e agitados e por isso tão fascinantes e irresistíveis. Ao mesmo tempo enganosos, porque retraíam o Povo Escolhido da sua missão, a única no seio da humanidade.
Com uma profunda dor de coração, Maria acompanhava as desgraças que caíam sobre seus antepassados quando estes abandonavam o Senhor. Deus os repreendia com dureza, mas sempre lhes perdoava, quando reconheciam seus erros e, humilhados, voltavam ao seu legítimo Pastor.
Toda a história de Israel era cheia de altos e baixos. A mais impressionante, no entanto, aparecia a fidelidade de Deus, que punindo e corrigindo os pecadores, continuava levando para frente sua Obra da Salvação.
Maria, então, conhecendo a História do seu Povo, até as raízes mais profundas, sentia uma viva esperança de que os Planos de Deus íam se cumprir todos, sem falha.
Ela ainda não suspeitava em que medida estes planos divinos incluíam a sua própria pessoa. Não obstante, se dispunha para tudo o que fosse do agrado de Deus. É muito provável que lá, durante a sua permanência no serviço do Templo, Maria chegou a se considerar "a serva do Senhor", até o mais fundo sentido desta palavra.
Inegavelmente, Maria tornou-se conhecedora peculiar da Palavra de Deus. Uma amostra disso foi o seu próprio cântico "Magnificat" em que Ela soube se expressar maravilhosamente, servindo-se das palavras da Sagrada Escritura.
Assim, a permanência de Maria no Templo foi muito providencial. De forma natural e orgânica, contribuiu para o resto do seu desempenho nos planos de Deus. Graças àquele estágio providencial no Templo, tornam-se mais compreensíveis as atitudes posteriores de Maria, seja no momento da Anunciação, seja nos momentos subseqüentes.
Em janeiro de 1991, por ocasião do primeiro Congresso Internacional do Poder da Mente, com o tema da nova era, que realizamos em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Brasil, eu lancei um livro com esse título, Aquarius – A Nova Era Chegou. Vou oferecer-lhe uma visão geral do assunto abordado nessa obra.
Li certa vez, de um grande pensador, o seguinte. Toda a teoria do universo está dirigida para o indivíduo, a saber, você mesmo. Nesta nova era, o que importa é o homem.
As grandes navegações se darão pelos desconhecidos oceanos da mente humana. O que hoje se conhece do microcosmo, ou seja, do mundo interior da criatura humana. Embora pareça muito, é algo superficial.
É tão pouco como imaginar que o planeta Terra tivesse somente o tamanho do que pudesse ser abrangido pelos olhos. O homem de Aquarius lança-se freneticamente à conquista do seu microcosmo. E as descobertas que vão se sucedendo formarão as bases da nova humanidade.
À medida que o ser humano modifica o seu modo de ser, o mundo também modifica-se-á. Aquarius leva o homem para dentro de si. Afim de que, partindo do seu centro, venha à tona com uma nova visão, com um novo relacionamento, com nova atitude, com nova mentalidade, com novos projetos de vida humana, social, espiritual e material.
Hoje, Era de Aquarius é um misto de ciência com mística. Amanhã será a palavra da verdade. Atualmente, a humanidade ainda está impregnada de uma visão do universo à moda das eras anteriores.
E pensa que o mundo é acionado apenas pelas máquinas, pelas forças materiais, pela energia física, pela matéria-prima da natureza. Mas logo mais reconhecerá que a força motriz do mundo e do progresso está dentro do seu microcosmo. A consciência da sua própria consciência, produzindo a consciência do seu próprio poder e de sua dimensão superior, levando o homem a percorrer do alfa ao ômega, na linguagem de Teilhard de Chardin, isto caracteriza a nova humanidade de Aquarius.
Pode-se dizer agora que não há nada no mundo a não ser o homem. Não há nada no homem a não ser a mente. Não há nada maior na mente a não ser Deus.
A compreensão da unidade Deus-Homem ou Homem-Deus, não no sentido de que o homem seja Deus, mas na significação de que no homem está Deus, e ambos são uma comunhão perfeita, de tal forma que Deus só pode agir no ser humano através do próprio ser humano. Isto já nos coloca num novo patamar da história. O grande sábio que anunciou a nova era, chamado Jesus, já ensinava que somos uma unidade com o Pai.
A partir do conhecimento desta verdade, compreendemos, com certa facilidade até, que temos dentro de nós o legítimo poder criador. Logo saltam aqueles que fazem uma pergunta oposicionista, baseados em conclusão errônea. Quer dizer, então, que o homem é Deus de si mesmo? Nada disso.
Nada disso. Quer dizer que Deus habita o íntimo do ser humano e se manifesta através de leis criadas pela sabedoria do próprio Deus. Em outras palavras, o homem é o que é, graças à presença divina em si.
O poder do homem é, na verdade, o poder de Deus no homem. É preciso reconhecer que Deus não usa a criatura humana como uma espécie de ferramenta para agir no mundo. Se assim fosse, tudo o que acontece no mundo seria obra exclusiva de Deus, tanto o bem quanto o mal.
Isso é absurdo. É absurdo. Deus criou o ser humano, a sua imagem e semelhança, manifestando o seu poder infinito através da palavra, do pensamento, da imagem, do desejo ou de qualquer ato criador da mente humana.
Esta sempre foi a verdade absoluta, mas a compreensão e a utilização deste conhecimento são a novidade da nova era de aquários. Jesus revelou esta verdade há dois mil anos, indicando o caminho certo pelo qual devia trilhar a humanidade daí para frente. Inicialmente, suas revelações eram encaradas como absurdo, como coisas de um louco e até foi taxado de demente.
Saíram para o reter porque diziam estar fora de si. É o que narra o evangelista Marcos. Por outro lado, muitos, numa lucidez visionária do mundo e do futuro da humanidade, exclamavam Este é realmente o profeta que deve vir ao mundo.
Este é realmente o salvador do mundo. Ele é bom, diziam uns. Qual, tornavam outros, engana o povo.
Por que esta contradição? Porque uns já vislumbravam na maior empolgação o nascer de um novo mundo, ao passo que outros viam-no como demente, visionário, alienado e perigoso para a sociedade. Que diria o homem das cavernas se você, numa visão futurística lhe falasse de aviões, de naves espaciais, de geladeira de máquina fotográfica, de raios laser, de edifícios de cem andares? Que poderia dizer o homem de dois mil anos atrás vivendo num mundo de guerras, de conquistas territoriais sob a lei da força, sob o domínio absoluto de imperadores e poderosos sob a orientação espiritual de religiões, de medos e castigos quando começasse a ouvir alguém falar-lhe de amor, de paz, de reino dos céus de perdão, de curas, de fraternidade de bondade, de uma força insuperável de um poder chamado fé? Que reação teria esse mesmo homem da antiguidade que via Deus além das nuvens quando alguém lhe explicasse que Deus está dentro de cada um e exerce seu poder em resposta à palavra, à oração, ao pensamento? Não admira, pois, que as mentes daquela época abertas apenas à compreensão de uma minúscula parcela do todo rejeitassem uma mensagem projetada para um futuro bem distante Jesus reconheceu essa dicotomia e reagiu à incompreensão e resistência de três maneiras Primeira, mesmo que o mundo do seu tempo não o entendesse e o condenasse não retiraria um tiro sequer de tudo o que afirmava Segunda, sabia que tendo olhos não viam e tendo ouvidos não ouviam Terceira, tinha certeza que a evolução dos tempos faria a humanidade amadurecer para a compreensão e prática de suas grandes verdades e revelações Jesus inaugurou a era de peixes anunciando a era de aquários e nesta longa caminhada de dois mil anos descobertas, invenções experiências e estudos abriram as portas de entrada da nova era Já estamos longe dos períodos obscuros da história em que o homem comportava-se como animal dedicando-se exclusivamente a prover a sua alimentação Também estamos deixando para trás o homem animal racional confinado nas parcas dimensões de suas análises objetivas e mergulhado no descontrole de sua vida O mestre foi radicalmente sábio quando disse que para entrar na nova era do reino dos céus, era necessário renascer Havia que desfazer-se de todos os conceitos e preconceitos arquivados na mente Era mistério liberar a velha carcaça de séculos e começar a partir da luz original do espírito eterno Sim, renascer pela água que deve lavar tudo o que se fixou e sedimentou até agora e pelo espírito que é a luz pura nascida do sol infinito O sol, a sua luz e a sua energia são a trindade humana da era de aquários que assinala o nascer de um novo homem o homem racional divino e portanto todo poderoso Este novo homem tem todas as condições para construir um mundo de paz, de amor de abundância, de saúde, de fraternidade e de reino dos céus, porque sabe que não precisa arrancar dos outros o que necessita para realizar-se plenamente na vida mas de si mesmo, já que a fonte está dentro de si, ao seu alcance Isto parece fantasia não porém para quem conhece a ciência do poder da mente agora a ciência está conduzindo a mística e a mística está levando a ciência a mente ligando-se ao além da mente e o além da mente dando a mão à ciência Como se dará a transformação do mundo de aquários e porquê? Inicialmente, em outras eras o ser humano abriu os olhos para o mundo ao seu redor e empreendeu a aventura fantástica da sua descoberta analisando-o, extraindo suas leis, determinando sistemas de melhor aproveitamento do mesmo ficou porém ao abandono o seu próprio microcosmo fato que originou tantos sofrimentos doenças, misérias, destruições, injustiças fome, depressão, angústias, tristezas estresse, solidão, desespero impossibilidade de conciliar seus desejos com suas realidades. Nesta era de aquários o pesadelo acabará o homem volta-se para dentro de si lançando-se na fantástica descoberta do seu microcosmo a façanha maior será percorrer as dimensões do seu mundo interior cuja visão profunda lhe dará a chave de uma nova vida de reino dos céus na terra a paz reinará em todo o planeta a fome e as privações desaparecerão pois a abundância é fruto do poder criador mental pedir e dar-se-vos-a a vida será mais fácil e livre porque a verdade será conhecida no interior da pessoa e a verdade vos libertará de ser o mestre e o que dizer dos grandes problemas mentais como a depressão, tristeza o desânimo, o estresse, a angústia, a ansiedade, as preocupações o nervosismo, a agitação, além de serem facilmente curáveis serão normalmente evitáveis sabe-se que a lei de causa e efeito rege a vida humana problemas mentais têm causas mentais mudando seus padrões de pensamento mudar-se-á o efeito pensamentos e mentalizações de alegria, de felicidade, de autoconfiança de calma, de ânimo, de entusiasmo de energia mental produzirão os resultados correspondentes ao conteúdo de cada palavra simples, simples nesta nova era o amor será reconhecido como a essência natural do indivíduo Aquarius é a era do amor dar-se-á a comunhão universal entre todos os seres a comunhão universal determina que o indivíduo é o universo e o universo é o indivíduo esta interação funde o ser humano com o universo físico numa íntima relação de amor essencial Aquarius a nova era lembre-se, para você a nova era é você, para a humanidade você, já vivendo a nova era é a luz que faltava festeja este novo dia levante um brinde a sua aventura cósmica o mundo reconhecido aplaudirá eternamente você
A Legião não se propõe este ou aquele trabalho especial: tem como objetivo principal a santificação dos seus membros. Para atingir esta finalidade apóia-se, em primeiro lugar, na assistência às diversas reuniões, em que a oração e outras práticas de piedade estão tão unidas e entrelaçadas que moldam com suas características toda a atividade legionária. Mas a Legião procura desenvolver a santidade de um modo peculiar, dando-lhe o caráter de apostolado, aquecendo-a até o ponto de sentir a necessidade de se comunicar. Esta difusão não é apenas o aproveitamento de uma força em desenvolvimento, mas, por uma espécie de reação, é um elemento necessário ao desenvolvimento dessa mesma força: nada contribui mais para o progresso do espírito apostólico do que o exercício do apostolado. Daí, o motivo por que a Legião impõe a cada membro uma obrigação essencial da máxima importância: a de realizar semanalmente um trabalho ativo, determinado pelo Praesidium. A execução desta tarefa constitui um ato de obediência ao Praesidium. Salvas as exceções adiante indicadas, o Praesidium pode aprovar qualquer trabalho ativo que satisfaça a referida obrigação. Todavia, a Legião exige que o trabalho obrigatório seja orientado para reais necessidades e, entre estas, as mais graves, pois a intensidade do zelo que a Legião se esforça por inflamar nos seus membros exige um objetivo digno. Um trabalho insignificante provocará reações desfavoráveis: corações prontos a sacrificar-se pelo próximo, a pagar a Jesus Cristo amor com amor e, em reconhecimento pelos Seus trabalhos e por Sua morte, prontos a dar-Lhe o seu esforço e o seu sacrifício – acabarão por instalar-se na pobreza de uma rotina e na perda de entusiasmo pelo trabalho apostólico.
“Eu não fui recriado com a mesma facilidade com que fui criado. Deus disse uma palavra – e tudo foi feito; mas, se isto bastou para me criar, já para me recriar disse muitas palavras, obrou muitas maravilhas e sofreu muitas dores.” (São Bernardo).
2. O fim mais remoto e mais elevado: o fermento da comunidade
Por mais importante que seja o trabalho que esteja sendo realizado, a Legião não o considera como o fim último ou mesmo principal do apostolado de seus membros. O trabalho pode consumir uma, duas ou mais horas da semana do legionário; para a Legião, porém, que olha mais longe, cada hora deve constituir a irradiação do fogo apostólico aceso no seu lar. O sistema que inflama assim as pessoas lançou no mundo uma força poderosa. O espírito apostólico domina como senhor e tudo governa: pensamentos, palavras e ações. As suas manifestações externas não são limitadas pelo tempo nem pelo espaço. Os indivíduos mais tímidos e os menos dotados adquirem uma capacidade especial para influenciar os outros, de modo que, onde quer que estejam, e mesmo sem terem a intenção de exercer apostolado, conseguem dominar o pecado e a indiferença. É a experiência universal que no-lo ensina. Tal como o general que contempla, satisfeito, a sólida ocupação dos pontos estratégicos, a Legião vê com alegria os lares, as oficinas, as escolas, os estabelecimentos comerciais e os lugares dedicados ao trabalho e ao recreio, onde um verdadeiro legionário foi colocado pelas circunstâncias. Mesmo onde a falta de religião e o escândalo se encontram fortemente entrincheirados, a presença desta nova Torre de David impedirá o seu avanço e fará com que recuem. A Legião nunca dará seu apoio à corrupção: antes, deverá se esforçar em remediá-la, tornando-a objeto das suas orações, lamentando-a com mágoa, combatendo-a contínua e decididamente, em busca de um êxito que certamente há de alcançar.
Assim, pois, a Legião começa por reunir os seus membros a fim de que, perseverem em oração, juntamente com a sua Rainha. Envia-os em seguida aos lugares de pecado e de aflição, para aí praticarem o bem e para que fazendo-o, se inflamem na vontade de realizar maiores coisas; e, finalmente, estende o seu olhar para os largos caminhos e pequenos atalhos da vida de cada dia, a fim de neles descobrir campo de ação para missões, cada vez mais gloriosas. Conhecedora das realizações operadas por pequeninos núcleos legionários; ciente das possibilidades ilimitadas de recrutamento; e convicta de que o seu sistema, se vigorosamente utilizado pela Igreja, constitui um meio extraordinariamente eficaz para purificar o mundo pecador, a Legião deseja ardentemente que os seus membros se multipliquem e se tornem Legião no número, como o são no nome.
Unindo os legionários ativos, os auxiliares e aqueles que estão sob sua influência, a Legião conseguirá abranger uma população inteira e erguê-la do nível de negligência e da rotina a uma entusiasmada fidelidade à Igreja. Imagine-se o que isto significa numa aldeia ou cidade! Os fiéis deixam de ser um peso morto na Igreja, para constituírem uma força motriz, cujos impulsos, diretamente ou através da comunicação dos Santos, atingem os confins da Terra e, até os lugares mais sombrios. Uma população inteira organizada pela causa de Deus – que ideal sublime! Ideal não apenas teórico, mas possível e prático no mundo dos nossos dias, se todos resolverem levantar os olhos para o alto e a pôr mãos à obra.
“Sim, o laicado é uma ‘raça escolhida, um sacerdócio santo’, chamado a ser o ‘sal da terra’, e a ‘luz do mundo’. A sua missão específica é exprimir o Evangelho na vida pessoal e, desta forma, colocá-lo como fermento, na realidade do mundo, em que vive e trabalha. As grandes forças que moldam o mundo – a política, os meios de comunicação social, a ciência, a tecnologia, a cultura, a educação, a indústria e o trabalho – são precisamente as áreas em que os leigos gozam de uma especial competência no exercício da sua missão. Se estas forças forem guiadas por verdadeiros discípulos de Cristo, que sejam ao mesmo tempo inteiramente competentes nos conhecimentos humanos, podemos estar seguros de que o mundo será transformado, a partir de dentro, pelo poder redentor de Cristo.” (João Paulo II, Irlanda, Limerick, outubro de 1979).
3. A união de todos os homens
“Procurar primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça” (Mt 6, 33), ou seja, trabalhar diretamente na salvação das almas, eis a preocupação maior da Legião de Maria. Não se deve esquecer, no entanto, que outras coisas lhe foram dadas por acréscimo, como, por exemplo, o seu valor como elemento social. Torna-se, assim, a Legião de Maria um tesouro nacional para o país onde se encontra, e converte-se, para os seus habitantes, em um valioso elemento de riqueza espiritual.
O exercício frutuoso da máquina social exige, como qualquer outro mecanismo, a cooperação harmoniosa de todas as suas peças. Cada uma, isto é, cada indivíduo, deve cumprir rigorosamente a função que lhe foi confiada causando o menor atrito possível. Aliás, se o indivíduo não cumpre com a sua obrigação, surge o desperdício de energia, o bom andamento é perturbado e os dentes da roda da máquina social deixam de se ajustar uns aos outros. Reparar o mal é impossível, pois torna-se dificílimo descobrir-lhe a extensão ou as causas. Por isso, o remédio a adotar consiste em aumentar a força motriz ou lubrificar a máquina com mais dinheiro. Este remédio leva a um fracasso progressivo, pois diminui a noção de serviço ou de colaboração espontânea. Há sociedades com tal vitalidade que podem continuar a funcionar mesmo quando metade de suas partes se encontram mal engrenadas. Mas à custa de quanta pobreza, de quanta frustração e infelicidade! Não se poupam dinheiro nem esforços para pôr em ação peças que deviam mover-se sem dificuldade ou ser, até mesmo, fontes de energia. Resultado: problemas, desordens, crises.
Ninguém ousará negar que isto se passa mesmo nos Estados mais bem governados. O egoísmo é a regra da vida individual; o ódio converte a existência de muitos em forças puramente destrutivas, e cada dia que desponta traz consigo uma nova e universal demonstração da verdade que pode ser expressa rigorosamente nestes termos: “Os homens que negam Deus, que Lhe são traidores, atraiçoarão igualmente todas as pessoas e tudo quanto existe abaixo de Deus – no Céu e na Terra” (Brian O’Higgins).
A que alturas podemos esperar que se eleve o Estado, se ele não é mais que a soma das vidas individuais? Se as são um perigo e um tormento para si próprias, que poderão oferecer ao mundo senão uma parte da sua própria desordem?
Suponhamos agora que uma força nova surge na sociedade, comunicando-se de indivíduo a indivíduo, como que por contágio, e converte em centro de atração os ideais generosos de abnegação e de fraternidade: – que transformação não seria operada! As chagas vivas cicatrizam-se e a vida passa a ser vivida num nível superior. Imagine-se ainda o aparecimento de uma nação em que a vida se ajuste por estas elevadas normas e apresente perante o mundo o exemplo de um povo inteiro que pratica unanimemente a sua Fé, e resolve, em conseqüência, todos os seus problemas sociais. Quem põe em dúvida que tal nação passaria a constituir, para o mundo, um farol luminoso, a cujos pés se sentaria a Terra para alimentar-se da luz dos seus ensinamentos?
Ora é indiscutível que a Legião possui a força capaz de interessar os leigos na sua própria religião, de forma vital e também de comunicar um idealismo ardente aos que vivem sob a sua influência, fazendo-os esquecer as divergências, as distinções e as rivalidades e fazendo com que se resolvam a amar o gênero humano e a servi-lo devotadamente. Este idealismo, que se encontra enraizado na religião, não é um simples sentimento, não se evapora: disciplina o indivíduo, educando-lhe a vontade de servir; anima-o a sacrificar-se e torna-o capaz de maiores heroísmos.
Por quê? A razão está na causa motriz. A energia deve ter uma fonte. A Legião dispõe de um motivo que força a servir a comunidade. E o motivo é este: Jesus e Maria eram cidadãos de Nazaré. Amavam a sua aldeia e o seu país com religiosa devoção, pois para os judeus a fé e a pátria estavam tão divinamente enlaçadas que formavam apenas uma só coisa. Jesus e Maria viveram perfeitamente a vida comum de sua localidade. Cada pessoa, cada coisa ali era para eles objeto do mais profundo interesse. Seria impossível imaginá-los indiferentes ou descuidados sob qualquer aspecto.
Hoje, o seu país é o mundo e cada lugar, a sua Nazaré. Numa comunidade de batizados, Jesus e Maria estão mais intensamente unidos às pessoas do que outrora aos seus próprios parentes. Mas o Seu amor tem agora de se exercer por meio do Corpo Místico. Se os membros deste corpo se esforçarem por servir o lugar em que vivem, Jesus e Maria virão a esse lugar e derramarão a sua benéfica influência, não só sobre as pessoas como também no meio-ambiente. Haverá progressos materiais e os problemas hão de diminuir. Nem há verdadeiros melhoramentos que possam vir de qualquer outra fonte.
A atenção ao nosso dever de cristãos em cada localidade seria mais uma manifestação de patriotismo. Esta palavra não é bem compreendida: que vem a ser de fato o verdadeiro patriotismo? Dele não existe no mundo nem mapa nem modelo. Um exemplo aproximado é a dedicação e o sacrifício pessoal que se desenvolve em tempo de guerra. Mas neste caso, a dedicação e o sacrifício são motivados mais pelo ódio do que pelo amor e, por conseguinte, orientados para a destruição. É imperioso, pois, estabelecer um modelo correto de patriotismo pacífico.
É este serviço da comunidade, feito por motivos espirituais, que a Legião vem estimulando com o nome de Verdadeiro Amor à Nação. Não só deve este serviço ser empreendido por motivos espirituais, mas ele e tudo o que origina nele deve ser utilizado para promover o bem espiritual. Atividades que só produzissem progressos materiais falsificariam a idéia do Verdadeiro Amor à Nação. O Cardeal Newman exprime perfeitamente esta idéia básica, quando diz que um desenvolvimento material, que não é acompanhado por uma manifestação correspondente de ordem moral é quase para inspirar medo. É indispensável garantir o verdadeiro equilíbrio.
O Concilium tem à disposição de quem o desejar, um folheto sobre este assunto.
Reparem, povos da Terra! Se assim é a Legião, não parece que ela nos oferece, pronta para o combate, uma Cavalaria dotada do poder mágico de unir os homens num sublime empreendimento pela Causa de Deus, serviço que supera infinitamente as lendárias campanhas do Rei Artur, o qual, segundo Tennyson, “na sua ordem da Távola Redonda, juntou a Cavalaria Andante de seu reino e de todos os reinos numa Companhia gloriosa, elite da humanidade, para servir de modelo ao mundo poderoso e constituir o início sorridente de uma nova era?”
“A Igreja, que é ao mesmo tempo ‘agrupamento visível e comunidade espiritual,’ caminha juntamente com toda a humanidade, participa da mesma sorte terrena do mundo e é como que o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus.
O Concílio incentiva os cristãos, cidadãos de ambas as cidades, a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que caminhamos em busca da futura, pensam que podem por isso descuidar dos deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé os obriga ainda mais, a cumprir esses deveres, segundo a vocação própria de cada um” (GS 40-43).
“Uma resposta prática a esta necessidade e obrigação realçadas na Constituição Conciliar encontra-se no movimento legionário começado em 1960 e conhecido como o Verdadeiro Amor à Nação. A medida dos bons êxitos já alcançados mostra as vastas possibilidades de desenvolvimento. Mas, note-se bem, o que a Legião tem para oferecer à ordem temporal não é um conhecimento ou competência excepcionais, não é uma habilidade extraordinária, nem mesmo um grande número de trabalhadores – mas o dinamismo espiritual que a converteu numa força mundial que pode ser aproveitada para elevar qualquer setor do Povo de Deus, que tenha a inteligência e o bom senso de aproveitar essa força. A iniciativa, porém, deve vir da Legião. Afastando embora tudo o que possa sugerir mundanismo, a Legião há de recordar-se sempre do mundo, no sentido do Decreto anterior. Tome consciência de que o homem tem de viver no meio das coisas materiais, das quais depende em larga escala, a sua própria salvação” (Padre Thomas O’Flynn, C.M., antigo Diretor Espiritual do Concilium Legionis Mariae).
4. A grandiosa campanha pela causa de Deus
Esta é a cavalaria de que a Igreja precisa neste tempo de extraordinário perigo para a religião. A preocupação com as coisas do mundo e a falta de consciência religiosa, animados por hábil propaganda, difundem a sua influencia corruptora, em círculos cada vez mais vastos, ameaçando submergir o mundo.
Comparada com estas forças formidáveis, vemos como a Legião é uma organização modesta! Não importa. Esse mesmo contraste torna-a mais audaz. A Legião é formada por almas estreitamente unidas à Virgem poderosíssima; encerra em si grandes princípios e conhece a forma eficaz de os aplicar. Tudo leva a crer, portanto, que o Onipotente se digne operar nela e por ela os maiores prodígios.
Os objetivos da Legião de Maria são totalmente opostos aos das legiões que negam “o nosso único Mestre e Senhor Jesus Cristo” (Jd 1, 4). O objetivo da Legião de Maria é levar Deus e a religião a todo o indivíduo; o das outras legiões é precisamente o contrário. Não se pense, no entanto, que o plano da Legião foi idealizado especialmente para opor-se a este império da descrença. As coisas passaram-se com extrema simplicidade. Um pequeno grupo de almas reuniu-se em torno de uma imagem de Nossa Senhora e disse-lhe: “Guiai-nos!” Unidos a Ela, começaram a visitar uma enorme enfermaria, cheia de aflitos, de doentes e miseráveis, de uma grande cidade, vendo em cada um deles o amado Filho de Maria. Compreenderam que Jesus estava presente em cada membro da humanidade e que deviam ajudar Maria na tarefa maternal de cuidar d’Ele. De mãos dadas com Ela, iniciaram o seu trabalho simples e humilde, e ei-los tornados Legião. Esta Legião entrega-se a atos simples de amor de Deus, no homem, e de amor dos homens por amor de Deus; em toda a parte este amor revela o seu poder de ganhar os corações.
Também os sistemas materialistas professam amar e servir o homem. Pregam um evangelho vazio de fraternidade, em que milhões e milhões de pessoas acreditam. Para o abraçar abandonam a religião que julgam sem vida. No entanto, esta situação não é desesperada. Há um meio de trazer de novo à fé estes milhões de homens e de salvar outros milhões incontáveis. A esperança baseia-se na aplicação de um grande princípio que São João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, formulava nestes termos: “O mundo pertence a quem mais o ama e melhor lhe testemunha o seu amor.” As pessoas não deixarão de ver e de ser impressionadas por uma fé real que atua, movida por um amor heróico a todos os homens. Convencei-os de que a Igreja os ama mais do que os outros, e hão de regressar à fé, apesar de todas as dificuldades e, se for preciso, derramar por ela o próprio sangue.
Para realizar uma conquista assim, não basta um amor vulgar, nem um Catolicismo pobre que dificilmente se agüenta a si mesmo. Tal obra só pode ser levada avante por um Catolicismo que ame de todo o coração a Jesus Cristo, seu Senhor, e saiba vê-lo e amá-lo em todos os homens, sem distinção. Mas esta suprema caridade de Cristo deve ser praticada em tão alto grau que leve os que a observam a considerá-la como uma verdadeira característica da Igreja e não como manifestação isolada de alguns de seus membros. Deve manifestar-se na vida do conjunto dos leigos.
Não será demasiada ambição querer inflamar toda a Igreja neste sublime ideal? Sim, a tarefa é heróica. Os horizontes do problema são tão extensos e tão numerosas as hostes que dominam os povos, que até o coração mais valente pode ser levado a desanimar. Mas Maria é o coração da Legião, e este coração é fé e amor sem igual. Com esta firme convicção, a Legião estende os seus olhares sobre o mundo com inabalável esperança: “A terra pertence a quem mais a ama.” E voltando-se para a sua excelsa Rainha, diz-lhe como no princípio: “Guiai-nos!”
“A Legião e o materialismo que age na sociedade enfrentam-se mutuamente. Vamos compará-los. A verdadeira energia motriz do sistema materialista é a sua disciplina implacável, exercendo-se através de uma rede de espiões e denunciantes. Isto está de tal modo desenvolvido que os cidadãos em geral sentem que tudo quanto fazem ou dizem será denunciado. Utilizando este instrumento de terror universal, uma autoridade que oprime pode impor a sua vontade a uma nação inteira. É um sistema eficiente, mas horrível. A submissão completa a este controle absoluto significa a extinção da liberdade e finalmente da própria faculdade moral.
Nada consegue resistir a este domínio a não ser a mobilização total dos católicos. A Legião possui, para este fim, a engrenagem perfeita, fato admitido pelo exército contrário. Mas essa engrenagem por si, é inútil se lhe falta uma força que a movimente. Essa energia motriz reside na espiritualidade legionária, que consiste num real apreço pelo Espírito Santo e pela Verdadeira Devoção à Sua Esposa, a Bem-aventurada Virgem Maria, e numa verdadeira confiança nos mesmos, espiritualidade esta que se alimenta do Pão da Vida, a Eucaristia.
Quando estas duas forças, a Legião e o materialismo, entram em luta, este último pode matar e perseguir, mas falhará na tentativa de esmagar o espírito da Legião. Os legionários suportam os maus tratos e, mantendo vivas as chamas da liberdade e da religião, acabam, finalmente, por triunfar” (Padre Adão MacGrath, S.S.C.).
Fim
Fonte:
https://legiomariae.com.br/sobre/manual-estatuto/
Biblioteca Virtual do PCJ
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Fins Externos da Legião
A **Legião de Maria** tem como principal objetivo promover a **santificação espiritual** de seus membros por meio de reuniões de oração e da obrigação semanal de realizar um **trabalho apostólico ativo**. Além das tarefas imediatas, a organização busca transformar a **sociedade a partir de lares e comunidades**, inspirando os leigos a viverem o Evangelho com profundo **entusiasmo e dedicação**. Esse movimento atua como uma força espiritual capaz de combater o **materialismo e a indiferença religiosa**, promovendo o amor genuíno ao próximo e o **verdadeiro amor à nação**. Guiados pelo exemplo de Jesus e Maria, os legionários esforçam-se para **unir os homens sob a causa divina**, enfrentando desafios com inabalável esperança e confiança na fé católica.