(1036)_O QUE ACONTECEU DEPOIS DAQUELA SEMANA AINDA ME IMPRESSIONA



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O QUE ACONTECEU DEPOIS DAQUELA SEMANA AINDA ME IMPRESSIONA!

Maria do Socorro Araújo


Meus amigos e minhas amigas, hoje eu quero conversar com vocês sobre uma história que, sinceramente, merece a nossa atenção. Não porque seja uma história de uma pessoa que nasceu cercada de privilégios, dinheiro ou oportunidades. Muito pelo contrário.

É a história de uma mulher que começou a vida adulta enfrentando dificuldades que muita gente teria considerado impossíveis de superar.

E o mais interessante é que, segundo o próprio relato de Maria do Socorro Araújo, tudo começou a mudar depois de uma descoberta aparentemente simples: a leitura de um livro.

Mas vamos voltar um pouquinho no tempo.

Maria conta que começou a descobrir essas coisas quando tinha pouco mais de vinte anos. Estamos falando de aproximadamente seis décadas atrás. Naquela época, ninguém falava com a facilidade de hoje sobre física quântica, criação da realidade, poder do pensamento ou assuntos semelhantes.

A vida dela também estava muito longe de ser fácil.

Ela se casou aos 15 anos. Aos 16, já tinha filhos gêmeos. Aos 21 anos, tinha cinco filhos. E, aos 22, encontrava-se numa situação extremamente complicada, sem estudos, vindo de uma família pobre e sem pessoas influentes que pudessem abrir portas para ela.

Era uma mulher jovem, com cinco crianças para criar e ainda precisando cuidar da própria mãe.

A situação, como ela mesma descreve, era terrível.

Mas havia uma coisa que ela carregava desde criança: o gosto pela leitura.

E talvez essa tenha sido uma das maiores chaves de transformação da sua vida.

Maria conta que gostava de ler desde pequena e que o primeiro livro que leu foi "Pinóquio". Para ela, esse gosto pela leitura acabou sendo uma porta para uma nova maneira de enxergar a vida.

E foi justamente essa porta que se abriu certo dia, quando ela entrou numa papelaria.

Imaginem a cena.

Ela entrou na papelaria para comprar cadernos para os filhos, provavelmente pensando nas despesas do começo do ano. E, em meio àquela situação de dificuldades, seus olhos encontraram um livro.

Um único livro na prateleira.

E, segundo ela, o livro estava até cheio de poeira.

O título?

"O Poder do Subconsciente".

Maria nunca tinha ouvido falar sobre subconsciente. Mas alguma coisa naquela capa chamou sua atenção.

Ela pegou o livro.

E começou a ler.

A promessa apresentada naquela leitura era justamente aquilo que uma mulher naquela situação desejava desesperadamente: possibilidade de mudar de vida, conquistar seus sonhos e melhorar sua condição financeira.

E ela queria dinheiro.

Não simplesmente por luxo.

Ela tinha cinco filhos e queria dar uma boa educação para eles.

Com os últimos trocados que tinha na bolsa, comprou o livro.

Era uma terça-feira.

Na quinta-feira, já tinha terminado a leitura.

E aqui começa uma das partes mais impressionantes do relato.

Maria diz que acreditou cem por cento no que havia aprendido.

Ela chegou para a mãe e disse:

"Neste sábado nós vamos sair para comprar uma casa. Eu vou comprar."

Agora imaginem a reação da mãe.

A pergunta foi muito simples:

"Com que dinheiro?"

E a resposta de Maria também foi direta.

Ela havia acabado de aprender, segundo sua interpretação do livro, que criava a própria realidade.

E então percebeu uma coisa.

Durante muito tempo, ela tinha se colocado na posição de vítima.

Era aquele pensamento que muita gente conhece:

"Por que isso está acontecendo comigo?"

"Por que eu tenho tantos problemas?"

"Por que minha vida é tão difícil?"

"Como vou conseguir criar meus filhos?"

Maria percebeu que passava muito tempo reclamando da própria situação.

E decidiu mudar a maneira de pensar.

Ela própria resume essa descoberta dizendo que, se aquilo que pensava, falava e sentia participava da realidade que estava construindo, então precisava mudar seus pensamentos, suas palavras e seus sentimentos.

Em outras palavras: se estava criando uma realidade que não queria, precisava começar a imaginar uma realidade diferente.

E foi exatamente o que decidiu fazer.

Maria trabalhava como modelista infantil numa empresa multinacional de lingerie.

Mas ela sabia que havia naquela empresa um cargo muito mais alto: gerente de produto.

E decidiu:

"Eu vou ser gerente de produto."

Só que havia um pequeno problema.

Para ocupar aquela posição, ela precisaria de diploma universitário. Precisaria falar francês. E seria desejável que fosse estilista.

Ela não tinha nada disso.

Quando a mãe lembrou desses obstáculos, Maria respondeu que havia aprendido no livro que aquilo fazia parte da mente racional, enquanto aquilo que ela chamava de mental superior funcionava de outra maneira.

E ela acreditou.

Não apenas acreditou.

Começou a imaginar.

E aqui está um ponto muito importante da história.

A imaginação dela não era uma ideia vaga.

Ela visualizou uma casa.

Uma casa específica.

Uma casa onde pudesse fazer uma horta para sua mãe. Uma casa com um pequeno jardim japonês na frente. Um quarto para as meninas. Outro para os meninos.

Ela imaginou a vida que desejava.

E, naquele sábado, saiu com a mãe para procurar a casa.

Encontrou exatamente uma casa que correspondia ao que havia imaginado.

Mas, quando chegou à imobiliária, descobriu que a renda familiar exigida para comprar aquele imóvel era completamente impossível para sua situação naquele momento.

Só que isso não fez com que ela abandonasse a ideia.

No domingo, começou aquilo que chamou de um "quadro mental".

Domingo.

Segunda-feira.

Terça-feira.

Quarta-feira.

Quinta-feira.

Durante esses dias, ela manteve aquela imagem em sua mente.

E então chegou a sexta-feira.

Segundo o relato, naquele dia Maria acordou com uma certeza absoluta.

Ela seria chamada.

Seria promovida.

Sairia da função de modelista infantil e se tornaria gerente de produto daquela multinacional.

E foi exatamente isso que, segundo ela, aconteceu.

Naquele mesmo dia, voltou para casa como gerente de produto.

A partir daquele momento, sua vida começou a mudar completamente.

A empresa pagou seus estudos.

Ela conseguiu se formar.

Depois participou da primeira turma de um curso relacionado à área de moda em Paris, conforme relata.

E construiu uma carreira que considera de grande sucesso.

Com isso, conseguiu educar seus filhos.

Hoje, segundo seu próprio relato, tem cinco filhos, dez netos e cinco bisnetos.

Mas talvez a maior consequência daquela experiência tenha sido outra.

Nasceu ali um propósito.

Maria decidiu que queria ensinar outras pessoas a criar a realidade que desejavam.

No começo, achou que seria fácil.

Afinal, ela havia vivido aquilo.

Mas então resolveu estudar mais.

Releu o livro.

Começou a procurar outras obras.

Foi estudando, pesquisando e observando.

E quanto mais estudava, mais distante ficava o momento de criar seu curso.

Por quê?

Porque ela começou a observar a própria vida.

Começou a perguntar:

"Por que algumas coisas acontecem?"

"Como elas acontecem?"

"Por que às vezes conseguimos alguma coisa e depois perdemos?"

"Por que determinadas situações se repetem?"

E essas perguntas fizeram com que ela passasse décadas estudando.

Segundo Maria, foram 45 anos de estudos até chegar ao primeiro curso chamado "Você e o Pensamento".

A partir de 2005, começou a ministrar esse curso.

Depois vieram outros trabalhos, incluindo o pré-natal mental e estudos relacionados à chamada criança ferida.

Ela também passou a estudar as sete leis apresentadas no Caibalion, buscando compreender aquilo que considera leis que regem a vida.

E aqui chegamos a uma mensagem central do relato.

Para Maria, conhecimento transforma.

Ela afirma que, quando uma pessoa se dedica profundamente ao conhecimento, pode mudar sua vida.

Mas a história vai além da questão financeira.

Com o passar dos anos, ela passou a observar também a relação entre mente, emoções, experiências da infância e aquilo que chama de criança ferida.

Ela fala sobre traumas, rejeição e abandono.

E conta que teve uma experiência diferente na infância.

Embora tenha perdido o pai aos três anos de idade, recebeu muito amor da mãe e das irmãs.

Para ela, esse amor recebido na infância facilitou sua compreensão sobre pessoas que passam pela vida sentindo rejeição ou abandono.

E aqui precisamos fazer uma pausa.

Porque essa parte da história traz uma reflexão importante.

Quantas pessoas carregam dentro de si dores que começaram há muitos anos?

Quantas pessoas adultas continuam reagindo ao mundo a partir de feridas que surgiram quando ainda eram crianças?

Quantas vezes uma pessoa olha para a própria vida e não entende por que reage de determinada maneira?

Maria apresenta sua própria interpretação para essas questões.

Ela acredita que experiências muito precoces podem deixar marcas profundas na maneira como uma pessoa enxerga a si mesma e o mundo.

E, para ela, compreender essas marcas é parte do caminho de transformação.

Voltando à sua própria história, ela diz que uma das coisas que mudou sua vida foi justamente perceber que não precisava continuar concentrando a mente apenas nos problemas.

Em vez de pensar o tempo todo nas contas, nas dificuldades e na preocupação com os cinco filhos, começou a imaginar uma vida diferente.

Imaginava os filhos estudando em boas faculdades.

Imaginava uma situação financeira melhor.

Imaginava uma vida de alegria.

E essa maneira de pensar passou a fazer parte da sua experiência.

Agora, meus amigos, é importante dizer uma coisa.

O que estamos contando aqui é o relato e a visão apresentada por Maria do Socorro Araújo no vídeo.

Ela mesma deixa claro que não está dizendo que todos precisam acreditar exatamente como ela acredita.

Ela afirma que respeita o conhecimento de cada pessoa e considera que cada ser humano possui seu próprio caminho, sua própria luz e seu próprio direcionamento de consciência.

E essa observação é importante.

Porque podemos ouvir uma história, refletir sobre ela e tirar nossas próprias conclusões.

Não precisamos transformar uma experiência pessoal em uma regra obrigatória para todo mundo.

Maria apresenta uma visão espiritual e filosófica sobre a vida.

E, dentro dessa visão, ela descreve o ser humano como uma espécie de tripé:

consciência, mente e cérebro.

Segundo sua explicação, a consciência seria aquilo que representa o eu superior, aquilo que há de divino dentro da pessoa.

A mente seria como um veículo.

E o cérebro seria o executor das informações recebidas.

Para explicar de uma maneira bem simples, imagine um carro.

Se ninguém estiver dirigindo, o carro pode andar sem direção.

Pode entrar numa estrada, depois em outra, bater, voltar, se perder.

Para Maria, algo semelhante acontece quando a mente não está sob a orientação de uma consciência mais elevada.

A mente fica desgovernada.

E o cérebro simplesmente executa aquilo que recebe.

Mas quando a consciência desperta e começa a orientar a mente, a pessoa passa a ter mais clareza sobre o caminho que deseja seguir.

É nesse ponto que ela relaciona pensamento, imaginação e hábitos.

Maria afirma que o cérebro cria redes neurais por meio da repetição.

Ou seja, aquilo que praticamos repetidamente tende a se transformar em hábito.

E é por isso que ela incentiva aquilo que chama de prática do "Eu Sou".

Nesse momento, ela também fala de Jesus Cristo.

Maria afirma que não se considera uma pessoa religiosa no sentido tradicional, mas diz ter uma profunda paixão por Deus e pela fonte criadora.

Para ela, Deus está presente em tudo.

Na água que bebemos.

No ar que respiramos.

Na energia do universo.

E ela entende que o ser humano não cria sozinho.

Ele co-cria.

Ou seja, segundo sua visão, existe uma participação da pessoa junto à energia criadora.

E isso nos leva a outra questão levantada durante a conversa:

Se existe uma energia disponível para todos, por que tantas coisas ruins acontecem?

Maria responde utilizando a ideia da polaridade.

Segundo sua interpretação, existem forças opostas e a pessoa pode direcionar sua energia para diferentes caminhos.

Ela também fala sobre causa e efeito.

A ideia apresentada é simples:

Aquilo que fazemos produz consequências.

Se alimentamos pensamentos de raiva, ódio e desejo de mal para outra pessoa, estamos também alimentando algo dentro de nós.

Por isso, ela faz um convite:

Vamos começar a prestar atenção no que estamos pensando.

Vamos observar o que estamos desejando.

Vamos perceber aquilo que estamos alimentando diariamente.

Porque é muito fácil olhar para o mundo e encontrar motivos para ficar com raiva.

Basta observar as discussões.

As brigas.

A política.

As acusações.

Uma pessoa chamando a outra de ladrão.

Uma pessoa atacando a outra.

E assim por diante.

Para Maria, esse comportamento acaba produzindo destruição nas próprias pessoas.

Por isso ela fala em despertar.

Despertar para os próprios pensamentos.

Despertar para a responsabilidade sobre aquilo que alimentamos dentro de nós.

Despertar para a possibilidade de buscar uma vida mais consciente.

E aqui aparece outra parte curiosa da conversa.

Ela fala até sobre extraterrestres.

E a lógica que apresenta continua sendo a mesma.

Se algo desconhecido vier até nós, por que receber isso inicialmente com medo?

Ela diz que, se estiver vibrando no bem e receber algo com o coração aberto e em paz, essa será sua postura diante daquilo que acontecer.

Já se estiver dominada pelo medo e pela expectativa de que algo ruim acontecerá, sua experiência será influenciada por essa disposição.

Novamente, meus amigos, essa é a visão apresentada pela entrevistada.

E talvez o mais interessante seja perceber como todos esses assuntos acabam voltando para o mesmo ponto:

o que estamos colocando dentro da nossa mente?

Porque hoje temos uma ferramenta que não existia quando Maria era jovem.

A internet.

E a internet colocou o mundo inteiro dentro das nossas mãos.

Com um celular, podemos receber conhecimento maravilhoso.

Podemos ouvir pessoas inteligentes.

Podemos aprender uma profissão.

Podemos estudar.

Podemos conhecer histórias inspiradoras.

Mas também podemos consumir diariamente conteúdos que despertam medo, raiva, ódio, ansiedade e pessimismo.

A mesma ferramenta pode nos ajudar ou nos prejudicar.

E essa é uma reflexão muito atual.

Você já parou para pensar no que está permitindo entrar na sua mente todos os dias?

Que tipo de vídeo você assiste?

Que tipo de notícia consome?

Que tipo de conversa acompanha?

Que pensamentos repete?

Que palavras costuma dizer sobre você mesmo?

Porque, se acreditamos na ideia apresentada por Maria, aquilo que recebemos constantemente acaba influenciando nossa maneira de pensar.

E, para ela, existe uma boa notícia.

A consciência humana está despertando.

Ela percebe que muitas pessoas estão procurando respostas.

Pessoas que querem mudar de vida.

Pessoas que querem entender melhor a própria mente.

Pessoas que desejam descobrir como controlar pensamentos e comportamentos.

Pessoas que estão cansadas de simplesmente repetir os mesmos padrões.

E Maria acredita que isso pode formar uma espécie de "massa crítica": um número cada vez maior de pessoas buscando consciência e transformação.

Mas a conversa ainda toca em outro ponto muito interessante.

A ideia de "falta de sorte".

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer:

"Eu não tenho sorte."

"Na minha vida nada dá certo."

"Nasci para sofrer."

"Comigo tudo é mais difícil."

Para Maria, não existe simplesmente falta de sorte.

Existe evolução.

Ela conta que teve experiências muito difíceis e que acredita já ter vivido situações em que foi uma pessoa extremamente negativa, chegando a mencionar, dentro de sua visão de múltiplas existências, experiências de violência, alcoolismo e drogas.

E ela afirma que essas experiências teriam contribuído para desenvolver a compaixão que sente hoje.

Aqui entramos numa dimensão espiritual muito particular da entrevista.

Maria fala sobre múltiplas existências e sobre a ideia de que todos nós teríamos passado por diferentes experiências ao longo da jornada.

Teríamos sido vítimas em algumas situações e algozes em outras.

Teríamos feito o bem e o mal.

Teríamos perdido oportunidades.

Teríamos cometido erros.

E, através dessas experiências, estaríamos aprendendo.

Independentemente de cada pessoa acreditar ou não nessa visão espiritual, existe uma reflexão que podemos aproveitar.

Todos nós cometemos erros.

Todos nós temos experiências difíceis.

Todos nós carregamos histórias que não podemos mudar.

Mas podemos escolher o que faremos com aquilo que vivemos.

Podemos transformar uma experiência dolorosa em aprendizado.

Podemos transformar uma queda em oportunidade de amadurecimento.

Podemos olhar para trás sem ficar presos eternamente ao passado.

E é aí que aparece uma frase atribuída por Maria a Jesus Cristo:

"Não julgueis, para não serem julgados."

Ela interpreta isso como um convite para não condenarmos simplesmente as pessoas.

Isso não significa necessariamente concordar com tudo.

Podemos não concordar.

Podemos não participar.

Podemos colocar limites.

Mas, ainda assim, podemos tentar compreender que cada pessoa está vivendo experiências e aprendizados diferentes.

E talvez essa seja uma das mensagens mais bonitas que podemos tirar de toda essa conversa.

A vida não é apenas aquilo que acontece conosco.

É também a maneira como interpretamos aquilo que acontece.

É o que fazemos depois da dificuldade.

É o que aprendemos depois da queda.

É a forma como escolhemos seguir em frente.

E voltamos ao começo da história.

Uma jovem de pouco mais de vinte anos.

Cinco filhos.

Pouco dinheiro.

Poucos estudos.

Nenhuma influência.

Uma vida difícil.

E uma papelaria.

Um livro empoeirado.

Uma leitura concluída em poucos dias.

Uma decisão.

Uma imagem mental.

E uma mudança que, segundo seu relato, transformou completamente sua trajetória.

Agora pense comigo:

Talvez o maior ensinamento dessa história não esteja simplesmente na promessa de conseguir uma casa, um emprego ou uma promoção.

Talvez esteja no momento em que aquela mulher deixou de olhar para si apenas como vítima das circunstâncias.

Ela passou a imaginar uma possibilidade diferente.

E começou a agir de acordo com essa nova visão.

Isso é algo que podemos levar para a nossa própria vida, mesmo que não concordemos com todas as interpretações apresentadas no vídeo.

Porque existe uma pergunta que vale a pena fazer:

"Que história eu tenho contado para mim mesmo?"

Se todos os dias eu digo que não consigo...

Se todos os dias digo que minha vida é um desastre...

Se repito que não tenho capacidade...

Se digo que tudo vai dar errado...

Como isso influencia minhas decisões?

Por outro lado, se começo a perguntar:

"O que eu posso aprender?"

"O que posso fazer diferente?"

"Qual é o próximo passo?"

"Que tipo de pessoa quero me tornar?"

A minha postura diante da vida já começa a mudar.

Não significa imaginar que todos os problemas desaparecerão magicamente.

A própria história de Maria mostra que transformação também envolve estudo, trabalho, aprendizado e persistência.

Ela não apenas imaginou uma carreira.

Depois estudou.

Se formou.

Construiu experiência.

Passou décadas pesquisando.

Criou cursos.

Continuou aprendendo.

Ou seja, a própria trajetória narrada por ela mostra uma combinação de pensamento, desejo, estudo e ação.

E talvez seja justamente essa combinação que merece nossa atenção.

Meus amigos, nós vivemos num mundo barulhento.

Todos os dias chegam novas informações.

Novas preocupações.

Novos conflitos.

Novos medos.

Novas opiniões.

E, se não tomarmos cuidado, passamos o dia inteiro absorvendo aquilo que outras pessoas colocam dentro da nossa cabeça.

Por isso, talvez seja uma boa hora para fazer uma limpeza.

Não estou falando de jogar fora o celular.

Nem de abandonar o mundo.

Estou falando de escolher melhor aquilo que alimentamos.

Escolher melhor as palavras.

Escolher melhor as conversas.

Escolher melhor os conteúdos.

Escolher melhor os pensamentos.

E, principalmente, observar a nós mesmos.

Porque ninguém consegue mudar aquilo que não percebe.

E essa talvez seja uma das grandes mensagens da história de Maria do Socorro Araújo:

Primeiro, observe.

Depois, compreenda.

E então, se perceber que alguma coisa precisa mudar, comece a mudança dentro de você.

A história começou com uma mulher que queria comprar uma casa.

Mas terminou se transformando numa longa jornada de estudo sobre pensamento, consciência, espiritualidade e comportamento humano.

Uma jornada que, segundo ela, levou 45 anos até que pudesse organizar seu primeiro curso.

E hoje, aos 84 anos, Maria olha para trás e interpreta sua própria trajetória como uma prova de que experiências difíceis podem se transformar em aprendizado.

Então, meu amigo, minha amiga, fica aqui uma pergunta para você levar consigo depois que esta conversa terminar:

Qual realidade você está construindo todos os dias?

Não pense apenas em dinheiro.

Pense na sua paz.

Na sua família.

Nos seus relacionamentos.

Na maneira como você trata as pessoas.

Na maneira como trata a si mesmo.

No que você espera do futuro.

E, principalmente, no tipo de pessoa que deseja ser.

Porque, no final das contas, talvez a transformação mais importante não seja conseguir uma casa maior, um carro melhor ou um salário maior.

Talvez seja conseguir dormir à noite com o coração tranquilo.

E Maria diz exatamente isso quando fala sobre a importância da paz: poder deitar e dormir serenamente, sem aquela angústia constante do dinheiro e dos problemas.

E isso, meus amigos, é algo que qualquer pessoa entende.

Porque todos nós queremos paz.

Todos nós queremos olhar para nossa família e sentir gratidão.

Todos nós queremos acordar com esperança.

Todos nós queremos acreditar que amanhã pode ser melhor.

Então, que tal começar por uma pequena mudança?

Escolha um pensamento bom.

Uma palavra de esperança.

Uma atitude diferente.

Uma leitura que possa acrescentar alguma coisa.

Uma conversa que traga paz em vez de conflito.

Um gesto de carinho.

Uma decisão que você vem adiando.

Talvez uma única mudança não transforme tudo de uma vez.

Mas toda transformação precisa começar em algum lugar.

E a história que ouvimos hoje começou exatamente assim.

Com uma mulher jovem.

Uma vida difícil.

Uma mãe.

Cinco filhos.

Poucos recursos.

Uma papelaria.

Um livro cheio de poeira.

E uma decisão de acreditar que a vida poderia ser diferente.

Essa é a história que Maria do Socorro Araújo escolheu contar.

E agora fica a reflexão para cada um de nós.

O que você vai fazer com a sua história?

Essa resposta, meu amigo, minha amiga, ninguém pode dar por você.

Porque cada pessoa tem seu caminho.

Cada pessoa tem suas experiências.

Cada pessoa tem suas escolhas.

E, como Maria mesma afirma, cada um de nós possui sua própria luz e seu próprio direcionamento.

Que possamos, então, aprender a olhar para dentro.

Que possamos cuidar melhor daquilo que colocamos em nossa mente.

Que possamos aprender com nossas experiências.

Que possamos abandonar um pouco da reclamação e aumentar a nossa capacidade de agradecer.

E, acima de tudo, que possamos buscar aquilo que talvez seja uma das maiores riquezas que alguém pode conquistar:

a paz interior.

Fica essa mensagem.

E fica também o convite para você refletir.

Talvez a mudança que você está esperando não comece amanhã.

Talvez ela comece hoje.

Dentro de você.

Uma boa reflexão para todos nós.


Fim

Fonte:  vídeo in YouTube - https://youtu.be/K6SoUyciFRw


(1035)_Pestalozzi: O Cultivo da Natureza Humana na Educação

 


13 GRANDES PENSADORES


J.H. Pestalozzi

Para o educador suíço, os sentimentos tinham o poder de despertar o processo de aprendizagem autônoma na criança


Márcio Ferrari


36 ABRIL 2004 ESCOLA


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O teórico que incorporou o afeto à pedagogia


Para a mentalidade contemporânea, amor talvez não seja a primeira palavra que venha à cabeça quando se fala em ciência, método ou teoria. Mas o afeto teve papel central na obra de pensadores que lançaram os fundamentos da pedagogia moderna. Nenhum deles deu mais importância ao amor, em particular ao amor materno, do que o suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827).


Antecipando concepções do movimento da Escola Nova, que só surgiria na virada do século 19 para o 20, Pestalozzi afirmava que a função principal do ensino é levar as crianças a desenvolver suas habilidades naturais e inatas. "Segundo ele, o amor deflagra o processo de auto-educação", diz a escritora Dora Incontri, uma das poucas estudiosas de Pestalozzi no Brasil.


A escola idealizada por Pestalozzi deveria ser não só uma extensão do lar como inspirar-se no ambiente familiar, para oferecer uma atmosfera de segurança e afeto. Ao contrário de muitos de seus contemporâneos, o pensador suíço não concordava totalmente com o elogio da razão humana. Para ele, só o amor tinha força salvadora, capaz de levar o homem à plena realização moral — isto é, encontrar conscientemente, dentro de si, a essência divina que lhe dá liberdade. "Pestalozzi chega ao ponto de afirmar que a religiosidade humana nasce da relação afetiva da criança com a mãe, por meio da sensação de providência", diz Dora Incontri.


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Inspiração na natureza


A vida e obra de Pestalozzi estão intimamente ligadas à religião. Cristão devoto e seguidor do protestantismo, ele se preparou para o sacerdócio, mas abandonou a idéia em favor da necessidade de viver junto da natureza e de experimentar suas idéias a respeito da educação. Seu pensamento permaneceu impregnado da crença na manifestação da divindade no ser humano e na caridade, que ele praticou principalmente em favor dos pobres.


A criança, na visão de Pestalozzi, se desenvolve de dentro para fora — idéia oposta à concepção de que a função do ensino é preenchê-la de informação. Para o pensador suíço, um dos cuidados principais do professor deveria ser respeitar os estágios de desenvolvimento pelos quais a criança passa. Dar atenção à sua evolução, às suas aptidões e necessidades, de acordo com as diferentes idades, era, para Pestalozzi, parte de uma missão maior do educador, a de saber ler e imitar a natureza — em que o método pedagógico deveria se inspirar.


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Bondade potencial


Tanto a defesa de uma volta à natureza quanto a construção de novos conceitos de criança, família e instrução a que Pestalozzi se dedicou devem muito a sua leitura do filósofo franco-suíço Jean Jacques Rousseau (1712-1778), nome central do pensamento iluminista. Ambos consideravam o ser humano de seu tempo excessivamente cerceado por convenções sociais e influências do meio, distanciado de sua índole original — que seria essencialmente boa para Rousseau e potencialmente fértil, mas egoísta e submissa aos sentidos, para Pestalozzi.


"As faculdades do homem têm de ser desenvolvidas de tal forma que nenhuma delas predomine sobre as outras."


"A criança, na concepção de Pestalozzi, era um ser puro, bom em sua essência e possuidor de uma natureza divina que deveria ser cultivada e descoberta para atingir a plenitude", diz Alessandra Arce, professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. O pensador suíço costumava comparar o ofício do professor ao do jardineiro, que devia providenciar as melhores condições externas para que as plantas seguissem seu desenvolvimento natural. Ele gostava de lembrar que a semente traz em si o projeto da árvore toda.


Desse modo, o aprendizado seria, em grande parte, conduzido pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento. É a idéia do "aprender fazendo", amplamente incorporada pela maioria das escolas pedagógicas posteriores a Pestalozzi. O método deveria partir do conhecido para o novo e do concreto para o abstrato, com ênfase na ação e na percepção dos objetos, mais do que nas palavras. O que importava não era tanto o conteúdo, mas o desenvolvimento das habilidades e dos valores.


"A natureza melhor da criança deve ser encorajada o mais cedo possível a combater a força prepotente do instinto animal"


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Para pensar


A pesquisadora Dora Incontri vê na obra dos filósofos da educação anteriores ao século 19 uma concepção do ser humano "mais integral" do que a que passou a prevalecer então. Segundo Dora, naquela época a ciência, incluindo a pedagogia, se tornou materialista. "Pensadores como Pestalozzi levavam em conta aspectos hoje negligenciados, como o espiritual." Ela lamenta a ausência dessa dimensão. No seu dia-a-dia na escola ou em seus estudos sobre educação, você já sentiu a sensação de que falta algo à teoria pedagógica? Chegou a pensar que carência é essa? De que forma ela se reflete na prática?


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Biografia


Johann Heinrich Pestalozzi nasceu em 1746 em Zurique, na Suíça. Na juventude, ele abandonou os estudos religiosos para se dedicar à agricultura. Quando a empreitada se tornou o primeiro de muitos fracassos materiais de sua vida, Pestalozzi levou algumas crianças pobres para casa, onde encontraram escola e trabalho como tecelãs, aprendendo a se sustentar. Alguns anos depois a escola se inviabilizou e Pestalozzi passou a explorar suas idéias em livros, entre eles Os Crepúsculos de um Eremita e o romance Leonardo e Gertrudes. Uma nova chance de exercitar seu método só surgiu quando ele já tinha mais de 50 anos, ao ser chamado para dar aulas aos órfãos da batalha de Stans. Mais duas experiências se seguiram, em escolas de Burgdorf e Yverdon. Nesta última, que existiu de 1805 a 1825, Pestalozzi desenvolveu seu projeto mais abrangente, dando aulas para estudantes de várias origens e comandando uma equipe de professores. Divergências entre eles levaram a escola a fechar. Yverdon projetou o nome de Pestalozzi no exterior e foi visitada por muitos dos grandes educadores da época.


 


Fim




(1034)_Bateu com o carro? E agora? Guia de Conduta (Seleções Reader's Digest)

 


Bateu com o carro? E agora?

Veja o que fazer e não fazer!

**ALESSANDRA SAUBERMAN**


CARRO À SUA FRENTE pára de repente. Você pisa no freio mas simplesmente não consegue parar a tempo. Seu pára-choque dianteiro encontra a traseira do outro carro. Crash!


Não parece ter havido danos, e o motorista no qual você bateu concorda que não vale a pena recorrer ao seguro e arriscar um aumento no prêmio. Então, depois de trocarem endereços, vocês seguem seus caminhos separados.


Imagine sua surpresa algumas semanas mais tarde ao receber uma carta do advogado da "vítima" exigindo cem salários mínimos para cobrir os reparos do carro, a dor e o sofrimento. Aparentemente o agradável motorista decidiu fazer um boletim policial culpando você pelo acidente.


Quando automóveis batem, você sabe como reagir? Aqui estão dez dicas práticas que podem ajudá-lo a evitar custos legais e corrida às seguradoras.


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### 1. Pare.


Não importa quão pequeno seja o acidente, pare imediatamente. Especialistas aconselham: se possível, remova o carro para o acostamento quando estiver interrompendo o trânsito. No entanto, se a batida ocorrer em via de pouco movimento, o ideal é não alterar a cena do acidente. Se alguém tiver sido ferido, não o movimente. O carro também não deve ser mexido.


Há exceções. Se, por exemplo, você está encurralado à noite, numa área insegura, pode ser sábio continuar seguindo e notificar a ocorrência à polícia o mais breve possível. Em certos casos, pessoas foram roubadas quando saíram dos carros.


### 2. Feche a boca solta.


Fale o mínimo necessário porque tudo o que disser poderá ser usado contra você. Mesmo um inocente pedido de desculpas pode, mais tarde, ser considerado admissão de erro. Procure não acusar o outro motorista de causador do acidente. As pessoas estão nervosas, estressadas, o trânsito anda ruim, há buracos nas ruas, excesso de veículos e carros em péssimo estado que provocam acidentes. Além disso, há muita gente armada e disposta a atirar durante briga de trânsito. Você não sabe como um estranho reagirá. Portanto, quanto menos atrito, melhor.


Lembre-se: não cabe a você decidir de quem foi o erro. Mesmo que você pense ter causado o acidente, pode estar errado.


### 3. Dê informação.


Se você está envolvido num acidente, deve dar seu nome, endereço, telefone e dados do veículo a: qualquer pessoa machucada no acidente; ao dono, motorista ou passageiro de qualquer carro danificado no acidente; ao policial que estiver no local. Mas atenção: essas informações precisam ser fornecidas na presença de testemunhas que concordem em assinar uma declaração detalhada sobre o ocorrido. A declaração deve ser redigida por você no local do acidente. Se você não é o dono do carro, dê o nome e o endereço do proprietário.


Forneça as informações mesmo que não haja feridos ou danos aparentes e mesmo que você não tenha causado o acidente. Também é boa idéia informar o nome de sua companhia de seguro. Entretanto, não discuta o valor de sua cobertura - isso pode inspirar a outra pessoa a exagerar os ferimentos.


O que você deve fazer se bater num carro estacionado cujo dono não está por perto? Deixe um recado com seu nome e as outras informações identificadoras num local seguro no carro. Imediatamente, contate a polícia. Assim, você se livra de futuras acusações que podem ser feitas por eventuais testemunhas. Comunicando o ocorrido à polícia o quanto antes, o próprio motorista relatará os fatos e o estado dos dois veículos.


### 4. Pegue informação.


Você deve obter dos outros envolvidos no acidente as mesmas informações que você lhes deu. Se o outro motorista se recusar a cooperar, anote o número da placa e o modelo do carro, para ajudar a polícia a identificar o proprietário.


### 5. Chame a polícia.


Se for um acidente sério no qual alguém se feriu, a polícia deve ser chamada imediatamente. Mas e se o acidente parece não ser grave? Digamos que outro carro encoste na traseira do seu. Se ambos os motoristas concordarem que não há danos ou ferimentos, cada um pode seguir seu caminho. Mas especialistas concordam: é importante ter uma referência do outro motorista, seja o telefone, o modelo do carro, a cor ou o número da placa.


Normalmente você deve chamar a polícia para registrar o ocorrido. Na maioria das cidades um guarda de trânsito irá até a cena, mesmo em acidentes menores. Caso contrário, você e o outro motorista devem ir à delegacia para registrar a ocorrência. Peça a um policial que verifique os dois carros.


Se você acha que não errou, tenha cuidado em aceitar a sugestão do outro motorista de deixar a polícia fora do caso e partir para um acordo privado. Se a polícia não esteve no local, você pode não ter um meio legal para se resguardar diante da Justiça, tendo em vista ser imprescindível um laudo técnico.


Mesmo que você tenha errado, é boa idéia envolver a polícia. Um policial anotará a extensão dos danos do outro motorista no boletim, limitando sua responsabilidade. Sem a presença da polícia, o outro motorista tem a oportunidade de aumentar os danos. Nos acidentes menores, os envolvidos podem chamar a perícia para obter laudo oficial de danos (que é cobrado).


### 6. Identifique testemunhas.


Pegue os nomes e endereços de quaisquer testemunhas, para o caso de futura batalha judicial. Pergunte a espectadores ou outros motoristas que pararam se viram o acidente. Se a resposta for sim, pegue informações identificadoras. Anote o nome, o número de registro e o batalhão policial no local, mesmo que eles deem o caso por encerrado.


### 7. Vá ao hospital.


Quando há feridos, a primeira providência é prestar socorro. Quando há morte no local, o próprio policial deve chamar o Instituto de Criminalística do Estado, órgão responsável pelas perícias. Se você estiver machucado, vá à emergência de um hospital (todos os hospitais públicos têm policiais de plantão para registrar as ocorrências de trânsito) ou ao seu médico. Quanto mais você espera, além de estar arriscando a saúde, sua queixa pode se tornar mais complicada.


### 8. Registre a ocorrência.


Todo motorista envolvido em acidente em que ocorra morte ou ferimento deve reportar o fato à polícia. Mesmo se o prejuízo do proprietário for algo em torno de 50 ou 1.000 reais, a maioria dos estados requer um boletim de ocorrência preenchido em 24 horas. Esse é o prazo oficial, mas na prática, em caso de morte, o registro tem de ser feito imediatamente porque o cadáver só pode ser removido do local do acidente depois da perícia. No caso de haver ferido atendido em hospital público, o mesmo acontece. Os formulários podem ser preenchidos por policiais no local do acidente ou na delegacia de polícia mais próxima.


### 9. Determine como pagar.


Fale com seu corretor de seguro o mais breve possível depois do acidente. Ele poderá ajudá-lo a decidir se deve recorrer ao seguro ou pagar do próprio bolso.


Por exemplo, digamos que você causou um acidente e o prejuízo total é de 1.000 reais. Você tem uma franquia de 600 reais, o que lhe dá a possibilidade de reivindicar ao seguro os outros 400 reais. Se você reivindicar, perderá o bônus concedido pelas companhias de seguro aos clientes que não as acionam durante determinado período. Os bônus chegam a descontos de, no máximo, 35%, até 5 anos. Seu corretor talvez esteja apto a estimar o valor do aumento (no caso da perda de bônus). Você pode comparar com a franquia de 600 reais para determinar se deve usar o seguro ou pagar os custos você mesmo. Tenha em mente que múltiplos usos do seguro às vezes dificultam a renovação de sua cobertura.


### 10. Evite um acordo rápido.


Se o outro motorista estiver errado e houver probabilidade de você estar machucado, não aceite logo o acordo proposto pela companhia de seguro daquela pessoa. Você pode não saber a extensão dos ferimentos por algum tempo e, uma vez aceito o acordo, talvez seja difícil melhorá-lo. Quando você não se machuca e recebe oferta justa para cobrir os danos de seu carro, pode aceitar o acordo, desde que seja testemunhado por escrito, por pessoas que viram o acidente.


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Fonte: SELEÇÕES MARÇO 1998

*Ilustração: LUIZ DACOSTA*

*ADAPTADO DE ARTIGO DE ARMOND D. BUDISH*



Fim




(1033)_Tempestade Mental: O Método das Vinte Ideias (Robert Abraham Abergel)

 


Tempestade Mental: O Método das Vinte Ideias


O material de Robert Abraham Abergel apresenta a Tempestade Mental, uma técnica individual de geração de ideias focada em prosperidade e resolução de problemas. O autor defende que o cérebro possui um potencial subutilizado e que a escrita no papel é fundamental para organizar o pensamento e estimular a criatividade profunda. O método central consiste em listar vinte soluções para uma única questão, forçando a mente a superar respostas óbvias até alcançar alternativas inovadoras. Além da criação intelectual, o texto enfatiza que o sucesso real depende da velocidade com que se coloca essas ideias em prática, combatendo a procrastinação. Ao transformar esse exercício em um hábito diário, o indivíduo treina sua percepção para identificar oportunidades valiosas em qualquer circunstância.



TEMPESTADE MENTAL 

Como desenvolver uma idéia para grande riqueza usando "Mind Storming" 

Robert Abraham Abergel 


Sua mente é o maior instrumento ativo que você possui. Não existe qualquer problema que você não possa superar ou qualquer objetivo que não possa atingir quando utiliza as forças inacreditáveis do seu cérebro. O fato é que você é um gênio em potencial. Você tem a capacidade de funcionar em um alto grau de inteligência e criatividade nunca tido antes. De acordo com um especialista em cérebro chamado Tony Buzan, seu cérebro contém 100 bilhões de células. Cada célula é conectada e interconectada com 20000 outras células do cérebro. Isso significa que a quantia de permutas ou pensamentos que seu cérebro pode criar é maior do que o número de todos os átomos conhecidos no universo. 


De acordo com o instituto da Stanford University nós não utilizamos 10 como se acredita, mas sim 2% da capacidade de nosso cérebro. Uma pessoa comum opera num nível muito, mas muito baixo de performance e resultados. Exercícios de Tempestade Mental (ou "Mind Storming") podem ajudá-lo a focar na solução dos problemas, objetivos e desafios. Quanto mais você concentrar em qualquer que seja o pensamento, problema ou objetivo maior será a atividade de sua capacidade mental, estimulada e focada na resolução daquele problema ou alcance daquele objetivo. 


О método seguinte tornou muitas pessoas ricas e foi desenvolvido por Nightingale Conant, um norte-americano motivador. Eu ensinei esse método para milhares de pessoas e negociantes. Na primeira vez que elas utilizaram este método, foram capazes de obter resultados que estavam muito além de suas expectativas. 


A LEI DA CAUSA E EFEITO 


"Mind Storming” é um método que utilizamos para gerar idéias. Diferente do "Brain Storming", que é feito em grupo, esse método é utilizado a fim de gerar idéias sozinho. Sua mente possui ouro, sendo que você precisa saber como cavar esse ouro. Esse ouro representa a sua idéias. Pense nisso. Tudo que está a sua volta é o resultado da qualidade de suas idéias. Em outras palavras, as idéias seguem a lei da causa e efeito, que defende a existência de um efeito para cada causa. Assim, se você quiser mudar o efeito (suas condições de vida atuais), tudo 

que precisa fazer é mudar as causas (seus pensamentos, suas idéias). Simplificando: As idéias ou pensamentos são as causas e suas condições presentes são o efeito. 


O método que você vai aprender agora vai revolucionar a sua maneira de pensar e ajudar-lhe a gerar idéias de qualidade para os problemas que estiver enfrentando. Esse método também é conhecido como "O método das vinte idéias”, Vejamos como funciona. 


PENSE NO PAPEL 


A tempestade mental é baseada no conceito de que "pensar no papel” é a melhor maneira de pensar-se. Por quê? 


1. Quando você pensa no papel, sua mente é capaz de focar muito melhor ао problema. 


2. Quando você pensa no papel pode ver as palavras (ou idéias) claramente e sua mente não se preocupa em ficar lembrando as idéias. É a mesma razão pela qual você não deve embarcar em seu dia de trabalho sem uma lista de coisas a serem feitas. Essa lista deveria ser escrita e não memorizada, pela simples razão de que sua mente não exerce qualquer energia desnecessária tentando lembrar-se da lista. 


3. Pensar no papel é um ato criativo. Ele ajuda a sua mente a ser muito mais criativa. 


4. O processo do pensamento é limitado por não ser linear, ou seja, as idéias não fluem um após do outro, mas numa forma genealógica. Um daquelas idéias ou passos da sua idéia pode ser desenvolvido mais e quando pensamos no papel, podemos ver como uma idéia pode desenvolver e fluir. 


Vamos começar com o primeiro método de Tempestade Mental. Primeiro sente-se num lugar calmo no qual você não seja perturbado. Tome um pedaço de papel limpo e escreva no topo da página o problema que você tem. Esse problema poderia ser escrito de variadas maneiras. Lembre-se de que um problema é o lado oposto de uma solução, sendo que, recolocando um problema você pode obter um ponto de vista diferente para a solução. Vamos dizer que seu problema seja dinheiro. Você trabalha como assalariado, mas não tem dinheiro suficiente para arcar com as despesas. Então escreva a questão seguinte: 


COMO EU POSSO FAZER PELO MENOS R$ 3000 POR MÊS? 

оu 

COMO EU POSSO AUMENTAR MEU SALÁRIO PARA R$ 1000 A MAIS POR MÊS? 

ou 

O QUE MAIS EU POSSO FAZER DEPOIS DE MINHAS HORAS DE TRABALHO QUE ME PROPORCIONE UMA RENDA EXTRA DE PELO MENOS R$ 1000 POR MÊS? 

ou 

O QUE POSSO FAZER DURANTE MINHAS HORAS DE TRABALHO QUE POSSA AUMENTAR MINHA RENDA PELO MENOS R$ 1000 POR MÊS? 


Como você pode ver, uma reformulação da pergunta pode realmente fazer diferença na maneira em que você elabora a solução. Depois de selecionar pergunta mais iluminada à solução, escreva-a no topo do papel e escreva no mínimo 20 soluções para o problema (é por isso que o método também é conhecido por "o método das 20 idéias"), você verá que não é tão fácil quanto parece. É claro que as primeiras 3 a 5 respostas serão fáceis. As próximas 5 a 10 serão mais difíceis e as últimas 10 serão as mais difíceis de todas. Mas esse exercício é mais eficaz em estimular sua criatividade quando você realmente concentra-se em encontrar mais e mais respostas diferentes para a mesma pergunta. Um homem de negócios que estava trabalhando em cima de um problema por seis meses obteve sua melhor solução ou visão na sua vigésima resposta, pela primeira vez que fez esse exercício. 


EXTRAINDO AS RESPOSTAS 


Como você vai descobrir, as primeiras poucas respostas Ou soluções possíveis ao seu problema poderiam ser óbvias e fáceis de produzir, respostas como trabalhar mais duro, horas adicionais ou treinamento adicional; no entanto, na medida em que você continuar a escrever suas soluções, descobrirá quão difícil é produzir novas soluções. Quando você chegar na solução número 14 ou 15, poderá achar que não há mais nada a adicionar à lista, mas Você deve persistir e comprometer-se consigo mesmo de que não levantará da cadeira enquanto não tiver completado as 20 respostas. Você descobrirá que as últimas poucas soluções carregam a solução crítica ao seu problema. Muitas pessoas que tentaram esse método relataram que sua solução "de ouro" foi a última a ser produzida. 


Quando você escrever suas soluções, seja o mais criativo e provocativo possível. Diga a si mesmo: E se minha suposição for totalmente errada? Desafie conceitos prévios e até mesmo opostos. Por exemplo, você pode escrever a solução óbvia ao seu problema: Trabalhar mais duro Ou horas extras. Você poderia desafiar esse pensamento escrevendo uma solução exatamente oposta como "trabalhar de maneira mais esperta e menos em meu trabalho de maneira que eu possa ter mais tempo disponível para trabalhar no meu negócio em casa”. 


Quando tiver terminado de escrever suas soluções, reveja as respostas e selecione no mínimo uma solução que você esteja pronto para tomar ação diante. Quanto mais rápido você tomar ação numa idéia nova, mais rápido correrá o fluxo de novas idéias focadas naquele objetivo ou problema. E, quanto maior o número de idéias que você experimentar, mais certo estará de fazer a coisa exata, no momento exato, tendo o que as pessoas chamam de "sorte”. 


IDÉIAS E AÇÕES 


As idéias são a maior comodidade hoje em dia, sendo que utilizamos idéias para melhorar nossas vidas,  mas idéia sozinha sem ação nenhuma significa absolutamente nada. Uma pessoa comum tem de 2 a 3 idéias por ano que possam fazê-la milionária. No entanto, poucas pessoas ao menos pensam a respeito de suas ideias. Nunca aconteceu de você ter pensado em uma maneira de fazer dinheiro e um ano ou dois depois ter visto alguém pondo essa idéia em prática e fazendo milhões de dólares com ela? Qual é a diferença entre você a outra pessoa?  É que a outra pessoa simplesmente agiu em cima dessa idéia e você não. Você deve comprometer-se a pegar pelo menos uma das idéias geradas por você e ir em frente com ela. 


Existe uma conexão direta entre sucesso e ação. Na verdade, uma pesquisa norte-americana mostra que todas as pessoas bem sucedidas são movidas por ações. Elas se movem e colocam-na se movem rapidamente. Agem rapidamente. Elas pegam uma idéia imediatamente em prática. O problema é que muitas pessoas simplesmente não agem em cima de suas idéias por terem medo. 


Eu não posso elaborar suficientemente nessa matéria, mas posso contar-lhe que medo de sucesso é um verdadeiro matador de boas idéias. Algumas pessoas têm medo de agir porque tem medo do sucesso. Uma outra idéia matadoura conhecida é a síndrome do "amanhã." A síndroma do amanhã é baseada simplesmente em postergar uma ação ou procrastinar a um nível em que nada é feito. 

 

Uma outra idéia matadoura comum é conhecida como "mas eu não tenho isso...  ou Eu tenho que esperar até terminar o carnaval... etc. Você deve lembrar-se de que as condições no universo nunca são perfeitas. Sempre existirá algo negativo que impedirá o seu progresso. Mas isso não é para você. Você deve tomar ação agora começar o seu progresso". 


USE A TEMPESTADE MENTAL NUMA BASE DIÁRIA 


Em nosso mundo as idéias representam o futuro. Idéias representam o progresso. Representam riqueza. Não existe nada nesse mundo que não tenha começado com uma idéia. Você deve fazer o mesmo. Você deve ter um hábito de gerar idéias numa base diária. Eu já disse anteriormente que uma pessoa comum produz de 2 a 3 idéias por ano, dirigindo de volta do trabalho, sendo que cada uma delas pode fazê-la milionária. Agora se imagine fazendo o método das vinte idéias numa base diária. Cada dia gerando vinte idéias. Se você fizer somente nos dias de trabalho, supondo que você não trabalhe nas férias, trabalhando 250 dias por ano, com 20 idéias por dia, no final do ano você terá gerado 5000 novas idéias. Se selecionar uma dessas idéias por dia e trabalhar em cima dessas idéias, sua vida brilhará com oportunidades e chaves para o futuro. 


As idéias são a maneira de atingir-se os objetivos. As idéias são a maneira de superar os obstáculos. As idéias são os instrumentos a serem utilizados para resolver os problemas. Serão as idéias que farão com que você torne-se mais rico, mais feliz, mais satisfeito, mais contente e bem sucedido. E entre as idéias que todos os elementos da sorte estão contidos. 


Quando você fizer do exercício de tempestade mental a primeira coisa a ser feita toda manhã, sua mente brilhará com criatividade pelo dia inteiro. Você verá novas possibilidades e potencialidades e terá idéias para tirar vantagem delas em cada rodada. As outras pessoas ficarão maravilhadas de quão rapidamente você aparece com idéias novas para atingir os objetivos, com soluções diferentes para problemas persistentes. E quanto mais você desenvolver uma reputação de ser altamente criativo, mais oportunidades você terá usando suas novas habilidades criativas. 


Existem dois tipos de pessoas quando se considera a tempestade mental. Existem aquelas que escutam e balançam a cabeça positivamente e de maneira entusiasmada, que depois vão para casa e não fazem nada com suas idéias. E existem aquelas que executam e tomam a ação imediatamente a partir de suas idéias. É essencial que você tome ação de uma boa idéia no momento em que a escuta. Existe uma relação direta entre sucesso e velocidade de implementação Se você tiver uma ótima idéia ou visão e não fizer nada, não se surpreenda se nada mudar. O fato de que você pode produzir uma idéia também quer dizer que você pode implementar essa mesma idéia. 


A tempestade mental estimula seu reticular cortex (uma área do cérebro localizada no meio dos dois hemisférios e cuja função principal é trabalhar com um mecanismo de "acender") e aumenta sua sensibilidade e conhecimento a um grau bastante elevado. Você torna-se incrivelmente perceptivo para notar pequenas coisas que podem ser combinadas com outras idéias para criar novas respostas e soluções para ajudar-lhe a mover-se rapidamente. Sua superconsciência mental global é iniciada por 3 fatores:

1. objetivos desejados intensamente 

2. problemas pressionadores 

3. questões bem elaboradas 


Você precisa utilizar todos esses três sempre que puder aumentar suas habilidades criativas. Objetivos desejados intensamente voltam-se a um desej ardente que gera entusiasmo e excitação, estimula sua superconsciência mental faz com que você esteja altamente alerta e ligado às possibilidades que estão ao seu redor. Problemas pressionadores que você deseja intensamente resolver acompanhado por exercícios regulares de tempestade mental são ótimo estimulantes da criatividade. E finalmente, questões bem elaboradas que sejam talvez a maneira mais dependente para estimular e provocar novas idéias sempre são chaves para impulsionar sua criatividade. Tente fazer esse exercício de tempestade mental numa base diária e veja o quão profundamente ele mudará sua vida. 


Boa Sorte 

Fim
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🔉️(1032)_Receitas de reconciliação [Comportamento] (Pe. Zezinho)

 


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**Religião**

**Paz inquieta**


Padre Zezinho, scj

Escritor, cantor e compositor


RECEITAS DE RECONCILIAÇÃO


Minha mãe fazia um bolinho de polvilho excelente. As amigas pediam a receita, e ela dava. Algumas conseguiam o mesmo produto e o mesmo gosto. Outras, não. Quando perguntavam por que, minha mãe dizia: "Não basta fazer. Tem que ter leveza!".


Não existem receitas para a reconciliação de um casal em grave crise. Mas existem conselhos que em muitos casos acabam dando certo, isso porque encontram leveza num deles ou nos dois.


Casais em vias de separação costumam pegar pesado, quase sempre um dos dois querendo que tudo volte a ser como era, e o outro insistindo em partir para outra experiência, ou ao menos em terminar a convivência. Quando as posições se radicalizam, não há como reconciliar. Não estão prontos. A expressão que trava tudo é: "Sim, eu errei, mas a maior vítima sou eu!"


Se conselhos ainda valem, anotem esses: Orem pedindo luzes. Não falem demais. Não levantem a voz. Palavrão, jamais. Não se xinguem. Não ameacem. Não se aterrorizem. Não batam toda a hora na porta do outro.


Segurem as lágrimas, sobretudo se parecerem armação e chantagem. Não se façam de vítimas, mesmo que sejam. Não usem os filhos um contra o outro. Um não ataque os parentes do outro. Há bons e maus amigos: escolham a quem ouvir. Não aplaudam quem atacar o outro lado, para ficar bem com o seu. Não façam as coisas que queriam fazer, dizendo que só fez porque seu psicólogo ou seu conselheiro mandou. Não deturpem o que ouviram deles. Não puxem a brasa para a sua sardinha. Não remoam o passado na frente dos outros. Não o remoam, lembrando apenas os erros, caso se encontrem.


**Perdoar e pedir perdão** - Quem der perdão tem que pedi-lo, também. Ouçam-se muito e falem o menos possível. Um não interrompa o outro, nem a sós, nem diante dos conselheiros. Desarmem o coração por mais mágoa que levem. Meçam as palavras. Considerem as coisas boas que viveram juntos.


Se no momento não dá mais para conviverem, ouçam bem seu diretor espiritual, seu advogado e quem entende de comportamento humano. O melhor lugar para conselhos não é o cabeleireiro, nem o bar da esquina! Não prometam o que não cumprirão. Não lavem roupa suja. Tentem achar a dignidade e o respeito. A cidade inteira não precisa saber do seu conflito.


Perdoar é muito difícil e pedir perdão também. Mas, quando uma ferida avançou demais, é preciso ir fundo na cura. O perdão e o arrependimento vão fundo. Reconciliar é tornar a conciliar as pessoas e o que as rodeia. É concordar no essencial, pôr as cabeças juntas, sentar-se juntos. Quem parou de fazer isso deve se imaginar, se não agora, quem sabe mais adiante, passada a poeira da briga, conversando e de maneira civilizada. Cuidado com a palavra "não, nunca, jamais". São balas perdidas. Acabam ricocheteando e acertando os filhos...


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Fonte:

Revista Família Cristã, nº 951 (2015)


Fim




📺️(1031)_EDUCAÇÃO + NUTRIÇÃO = SAÚDE (Dr. Maurício C. Maciel)


 




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🔉️(1030)_SANTA INÊS: UMA JOVEM QUE TRANSFORMOU A PUREZA EM CORAGEM



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SANTA INÊS: 

UMA JOVEM QUE TRANSFORMOU A PUREZA EM CORAGEM


Meus amigos e minhas amigas, hoje nós vamos conversar sobre uma história que atravessou séculos e continua chamando a nossa atenção. É a história de Santa Inês, uma jovem muito nova que, segundo a obra que estamos apresentando, enfrentou perseguição, ameaças e até a morte porque decidiu permanecer fiel àquilo em que acreditava.

E o mais impressionante é justamente isso: estamos falando de uma menina de apenas 13 anos.

Quando a gente ouve uma história assim, pode pensar: “Mas como uma garota tão jovem conseguiu enfrentar situações tão difíceis?” É justamente aí que está a força do exemplo de Santa Inês. A história dela não fala apenas de sofrimento. Fala também de coragem, convicção, dignidade e fidelidade aos próprios valores. 

## O significado do nome Inês

Vamos começar pelo próprio nome.

A obra explica que o nome Inês vem de uma palavra grega relacionada à ideia de “casta”. E, olhando para a vida que é atribuída à santa, parece mesmo que o nome acabou se transformando em uma espécie de programa de vida.

Inês tornou-se, na tradição cristã, um símbolo de pureza e de fidelidade.

Mas é importante entender essa palavra dentro do contexto da época. Para Inês, segundo a narrativa, a pureza não era simplesmente uma questão exterior. Era uma decisão profunda sobre a maneira como ela queria viver.

A tradição conta que sua família já era cristã e que ela teria recebido desde cedo uma educação baseada no amor a Cristo.

E foi ainda adolescente que teria tomado uma decisão radical para aquele tempo: consagrar sua virgindade e considerar-se esposa de Jesus Cristo.

Hoje, para muitas pessoas, esse tipo de escolha pode parecer distante da nossa realidade. Mas podemos compreender a ideia central: Inês decidiu não abrir mão de seus princípios simplesmente porque alguém poderoso estava exigindo isso dela.

E é aí que a história começa a ficar realmente impressionante.

## Uma menina diante de um mundo poderoso

Segundo os relatos transmitidos por São Jerônimo e Santo Ambrósio, Inês tinha aproximadamente 13 anos quando aconteceu a perseguição promovida pelo imperador Diocleciano contra os cristãos.

Imagine, meu amigo e minha amiga, uma menina dessa idade vivendo num ambiente em que professar uma determinada fé podia colocar a própria vida em perigo.

E não estamos falando apenas de uma ameaça distante.

A obra conta que Inês era uma jovem muito bonita e recebeu propostas de casamento, inclusive do filho do prefeito de Roma.

Ela poderia simplesmente ter aceitado.

Talvez fosse mais fácil.

Talvez fosse mais seguro.

Talvez, aos olhos de muitas pessoas, fosse uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada.

Mas Inês recusou.

E a justificativa apresentada pela tradição é muito forte: ela dizia ser esposa de Jesus Cristo.

Foi justamente por causa dessa posição que passou a ser acusada de ser cristã.

E ser cristã, naquele contexto de perseguição, poderia significar prisão, tortura e morte.

Perceba a dimensão da escolha.

Não era simplesmente dizer “não” a um pretendente.

Era dizer “não” a uma pressão que vinha acompanhada do poder político e social daquele período.

## Quando a persuasão não funciona

Inicialmente, o magistrado teria tentado convencer Inês a abandonar sua fé.

Primeiro, a conversa.

Depois, as ameaças.

E, diante da resistência, vieram os instrumentos de tortura.

É interessante observar esse detalhe porque muitas vezes nós imaginamos que grandes testemunhos de coragem começam imediatamente com atos heroicos.

Mas não é assim.

Primeiro existe uma escolha interior.

A pessoa sabe o que acredita, sabe o que considera certo e, então, quando chega a pressão, precisa decidir se vai permanecer firme ou se vai ceder.

No caso de Inês, a tradição afirma que ela não cedeu.

E a resposta que lhe é atribuída demonstra exatamente essa confiança.

Ela dizia, em essência, que Jesus Cristo cuidava de sua vida e de sua pureza; que Ele era seu defensor e abrigo.

Ou seja, diante da ameaça física, Inês procurava se apoiar em algo que considerava maior do que o próprio medo.

Isso é coragem.

E coragem não significa não sentir medo.

Coragem significa não permitir que o medo decida tudo por nós.

## A tentativa de humilhação

O relato continua e mostra que o magistrado tentou submetê-la a outras formas de humilhação.

Inês teria sido levada até uma imagem de um ídolo para que oferecesse incenso.

Depois, teria sido enviada para uma casa de prostituição.

E aqui aparece outro elemento importante da narrativa: mesmo nesse ambiente, nenhum rapaz teria ousado aproximar-se dela.

A história quer mostrar que, para Inês, a dignidade não dependia daquilo que outras pessoas poderiam fazer contra ela.

Ela havia tomado uma decisão interior.

E essa decisão, segundo a tradição, permaneceu firme até o fim.

É claro que estamos diante de uma narrativa religiosa antiga, marcada pela linguagem e pela visão espiritual daquele período. Mas, para quem escuta essa história hoje, existe uma pergunta muito atual:

Até onde estamos dispostos a defender aquilo que consideramos realmente importante?

Essa pergunta serve para todos nós.

Não precisa ser uma questão religiosa.

Pode ser honestidade.

Pode ser respeito.

Pode ser fidelidade à família.

Pode ser compromisso com a palavra dada.

Pode ser a decisão de não participar de uma injustiça.

Pode ser simplesmente ter coragem de dizer “não” quando todo mundo está dizendo “sim”.

## A força de uma pessoa aparentemente frágil

Talvez seja justamente isso que torne Santa Inês tão lembrada.

Ela era jovem.

Não tinha exército.

Não tinha dinheiro.

Não tinha autoridade política.

Não tinha armas.

Não ocupava um cargo importante.

Era, aparentemente, uma pessoa frágil diante de um sistema poderoso.

Mas havia alguma coisa que ela possuía: convicção.

E uma pessoa convencida de que está defendendo algo essencial pode se tornar muito mais forte do que aparenta.

Santo Ambrósio, citado na obra, chama atenção justamente para esse contraste.

Ele compara a resistência de Inês com a fragilidade normalmente atribuída às meninas de sua idade.

Uma menina poderia chorar diante de uma pequena dor ou de uma repreensão.

Inês, porém, segundo a tradição, enfrentou a espada do carrasco.

A comparação pretende mostrar que aquilo que parecia fraqueza exterior escondia uma extraordinária força interior.

## O testemunho que atravessou os séculos

E aqui está uma das coisas mais interessantes da história.

Depois de tantos séculos, nós ainda estamos falando de Santa Inês.

Isso significa que a morte não foi capaz de apagar o significado atribuído à sua vida.

O nome de Inês entrou na tradição litúrgica da Igreja e passou a ser lembrado juntamente com outros mártires.

A obra destaca também que sua memória permaneceu profundamente ligada à devoção popular.

E existe uma imagem muito bonita associada à sua festa.

Na basílica dedicada a Santa Inês, em Roma, são abençoados dois cordeirinhos. Eles representam a inocência e a pureza. Da lã desses cordeiros são confeccionados os pálios que o Papa entrega como insígnia aos arcebispos.

Veja que interessante.

A história de uma jovem que foi apresentada como símbolo de pureza acabou sendo representada por dois pequenos cordeiros.

É uma imagem de delicadeza.

Mas também é uma imagem de força.

Porque o cordeiro parece frágil, porém sua imagem carrega uma mensagem que atravessou gerações.

## E essa história não termina em Roma

Agora, meus amigos, a obra faz uma ligação muito interessante entre Santa Inês e outras pessoas que, em épocas diferentes, também enfrentaram situações de violência e mantiveram seus valores.

É apresentada a história de Isabel Cristina Mrad Campos.

Ela nasceu em Barbacena, Minas Gerais, em 29 de julho de 1952.

No início de 1982, mudou-se para Juiz de Fora com o objetivo de fazer um cursinho preparatório para o vestibular de Medicina.

Era uma jovem com sonhos.

Tinha planos para o futuro.

Queria estudar Medicina.

Queria construir sua vida.

Mas, em 1º de setembro de 1982, sua vida foi brutalmente interrompida.

Segundo o relato apresentado na obra, alguém entrou em seu apartamento e tentou violentá-la.

Isabel Cristina resistiu.

Ela lutou para defender sua dignidade e sua virgindade.

Foi agredida, amordaçada e amarrada.

Mesmo diante da violência, continuou resistindo.

A narrativa informa que ela morreu virgem e sofreu 15 facadas.

É um episódio doloroso.

E é impossível ouvir uma história assim sem sentir tristeza e indignação diante da violência praticada contra uma jovem que tinha toda uma vida pela frente.

## A rosa que virou lírio

A obra usa uma imagem muito bonita para falar de Isabel Cristina.

Ela era chamada de uma rosa amorosa de Barbacena e, depois de sua morte, passou a ser apresentada como um lírio de pureza no jardim do Céu.

É uma maneira poética de transformar uma história de violência em uma mensagem de esperança e de dignidade.

Mas existe também uma reflexão que precisamos fazer com cuidado.

Quando uma pessoa sofre uma violência, a culpa jamais deve ser colocada sobre a vítima.

Quem pratica a violência é responsável pelo crime.

A resistência de Isabel Cristina não significa que outras vítimas precisem agir da mesma maneira para serem dignas ou corajosas.

O que a história procura destacar é a dignidade daquela jovem e sua luta para defender-se diante de uma situação extrema.

## Santa Inês e Isabel Cristina

Por que colocar essas duas histórias lado a lado?

Porque, embora tenham vivido em épocas completamente diferentes, a obra encontra entre elas um ponto de contato: a defesa da dignidade e da integridade diante da violência.

Santa Inês viveu na época das perseguições aos cristãos.

Isabel Cristina viveu no Brasil do século XX.

Uma estava em Roma, num contexto do Império Romano.

A outra estava em Juiz de Fora, preparando-se para entrar na faculdade de Medicina.

São mundos completamente diferentes.

Mas a obra apresenta as duas como exemplos de mulheres jovens que enfrentaram uma situação extrema e tiveram sua história associada à defesa da pureza e da dignidade.

Isso nos ajuda a entender que determinadas perguntas humanas continuam existindo através dos séculos.

O que é dignidade?

O que significa permanecer fiel aos próprios valores?

Como reagimos quando alguém tenta nos obrigar a fazer aquilo que não queremos?

Até onde uma pessoa pode suportar uma pressão sem abandonar suas convicções?

São perguntas antigas, mas continuam atuais.

## E então aparece outra história

Depois de Santa Inês e Isabel Cristina, a obra apresenta também o caso do Padre Popieluszko, na Polônia.

O sacerdote era apresentado como líder espiritual e patriótico dos trabalhadores ligados ao sindicato Solidariedade, que naquele período era perseguido pelo regime.

Segundo o texto, o padre foi capturado no dia 19 de outubro e somente onze dias depois seu corpo foi encontrado.

O corpo apresentava sinais de tortura.

Posteriormente, foi divulgada oficialmente a informação de que três oficiais da polícia secreta seriam responsáveis pelo crime.

É mais uma história marcada pela violência.

Mas há um detalhe que chama muito a atenção.

O enterro do sacerdote, realizado em Varsóvia, transformou-se numa grande manifestação nacional.

Cerca de 250 mil pessoas teriam participado.

E, segundo a obra, essas pessoas mantiveram uma ordem disciplinada e não permitiram que a multidão fosse dominada pelo ódio ou pelo desejo de vingança.

Isso é muito significativo.

Porque, diante de uma morte violenta, a reação mais fácil é querer responder com mais violência.

Mas aquelas pessoas fizeram outra escolha.

Foram ao funeral.

Prestaram homenagem ao sacerdote.

Demonstraram sua indignação.

Mas não se deixaram dominar pelo ódio.

## Uma lição sobre coragem

Quando juntamos essas histórias, percebemos que a obra está falando muito mais do que simplesmente de três pessoas que morreram.

Ela está falando de testemunho.

Santa Inês testemunha sua fé.

Isabel Cristina testemunha sua determinação em defender sua integridade.

Padre Popieluszko testemunha sua atuação religiosa e sua posição diante da situação política de seu país.

Cada história possui seu contexto.

Cada uma tem suas particularidades.

Mas existe um fio comum: pessoas que, diante da pressão, não foram apresentadas como simples vítimas passivas.

Elas aparecem como pessoas que fizeram escolhas.

E essa é uma mensagem poderosa.

Porque todos nós, em algum momento, enfrentamos algum tipo de pressão.

Nem sempre é uma perseguição.

Nem sempre é uma ameaça de morte.

Às vezes é uma pressão muito mais simples.

Um amigo querendo que você faça algo errado.

Um colega sugerindo uma mentira.

Alguém tentando convencê-lo a trair uma pessoa que confia em você.

Uma situação em que todo mundo está fazendo algo que você sabe que não está certo.

E aí vem aquela velha pergunta:

“Vou seguir todo mundo ou vou permanecer fiel ao que acredito?”

## Coragem não é fazer barulho

Existe uma coisa que podemos aprender com essas histórias.

Coragem não significa necessariamente gritar.

Não significa brigar.

Não significa procurar conflito.

Não significa responder violência com violência.

Às vezes, coragem é simplesmente dizer:

“Não.”

Um “não” pode ser muito difícil.

Principalmente quando quem está do outro lado tem mais poder.

Santa Inês, segundo a narrativa, disse “não” quando seria mais fácil dizer “sim”.

Isabel Cristina disse “não” ao agressor que tentou violentá-la.

E, no caso do Padre Popieluszko, sua história também é apresentada como uma resistência diante de um contexto político e social opressivo.

São formas diferentes de resistência.

Mas todas nos lembram que a dignidade começa dentro de nós.

## O perigo de viver apenas para agradar os outros

Outra reflexão que podemos tirar dessa história é sobre a necessidade de viver apenas para agradar.

Quantas vezes uma pessoa abandona seus princípios porque tem medo da opinião dos outros?

Quantas vezes alguém diz “sim” quando queria dizer “não”?

Quantas vezes uma pessoa aceita uma situação injusta porque pensa:

“É melhor não criar problema.”

É claro que precisamos ter bom senso.

Não é correto procurar briga por qualquer coisa.

Mas também não podemos transformar o medo de desagradar em regra de vida.

Porque, quando fazemos isso o tempo todo, chega uma hora em que já não sabemos mais o que realmente pensamos.

A história de Santa Inês, apresentada pela obra, vai na direção contrária.

Ela mostra uma jovem que sabia aquilo que queria preservar.

E justamente por saber disso, conseguiu resistir.

## A juventude também pode ter convicções

Talvez uma das mensagens mais bonitas dessa história seja dirigida aos jovens.

Às vezes, existe uma ideia de que jovem não sabe o que quer.

Que jovem não tem maturidade.

Que jovem precisa simplesmente seguir o grupo.

A história de Inês apresenta outra possibilidade.

Uma adolescente pode ter valores.

Pode ter convicções.

Pode pensar profundamente sobre sua vida.

Pode escolher um caminho.

E, principalmente, pode aprender desde cedo a dizer não àquilo que considera errado.

Isso não significa que o jovem nunca possa mudar de opinião.

Todos nós aprendemos durante a vida.

Mas existe uma diferença entre mudar de opinião porque aprendemos alguma coisa nova e mudar simplesmente porque alguém nos pressionou.

Essa diferença é muito importante.

## Pureza também pode ser entendida como integridade

Quando ouvimos a palavra “pureza”, muitas vezes pensamos imediatamente em questões relacionadas à sexualidade.

Mas podemos ampliar a reflexão.

Pureza também pode significar integridade.

Uma pessoa íntegra é aquela que procura manter coerência entre aquilo que pensa, aquilo que fala e aquilo que faz.

É alguém que não vende seus princípios por qualquer vantagem.

É alguém que tenta permanecer verdadeiro mesmo quando ninguém está olhando.

Nesse sentido, a mensagem de Santa Inês pode ser entendida de uma maneira muito mais ampla.

Ser puro não é simplesmente parecer perfeito.

É procurar ter um coração inteiro.

É não viver dividido entre aquilo que acredita e aquilo que pratica.

## Uma sociedade precisa de exemplos

Toda sociedade precisa de bons exemplos.

Não exemplos de pessoas perfeitas, porque pessoas perfeitas não existem.

Mas exemplos de pessoas que demonstraram coragem, solidariedade, honestidade e compromisso.

A memória dos mártires, como Santa Inês, nasceu justamente dessa necessidade de lembrar.

Lembrar para não esquecer.

Lembrar para aprender.

Lembrar para inspirar.

Quando uma comunidade preserva a história de alguém que enfrentou uma dificuldade enorme sem abandonar seus valores, essa história passa a fazer parte da memória coletiva.

E é isso que aconteceu com Santa Inês.

Seu nome atravessou séculos.

Sua festa continua sendo celebrada.

Sua imagem continua sendo lembrada.

E sua história continua sendo contada.

## Mas precisamos olhar também para a dor

Meus amigos, existe uma coisa que não podemos deixar de dizer.

Histórias de martírio não devem ser romantizadas.

A violência é violência.

A morte é morte.

O sofrimento de uma pessoa não deixa de ser doloroso simplesmente porque depois ela passou a ser lembrada como exemplo.

Por isso, quando falamos de Santa Inês, de Isabel Cristina ou do Padre Popieluszko, precisamos olhar para essas histórias com respeito.

Não devemos transformar o sofrimento humano em espetáculo.

Devemos procurar compreender o significado que essas pessoas receberam dentro da tradição e, principalmente, aprender alguma coisa com aquilo.

E talvez uma das maiores lições seja justamente esta:

o mundo não precisa de mais violência; precisa de mais pessoas dispostas a defender a dignidade humana.

## A força da inocência

A obra destaca a inocência de Santa Inês.

E essa imagem aparece também nos cordeirinhos abençoados em sua festa.

O cordeiro é pequeno.

É delicado.

Não parece ameaçador.

Mas justamente essa imagem serve para lembrar que a verdadeira força nem sempre aparece como poder.

Às vezes, a força está na serenidade.

Na fidelidade.

Na capacidade de permanecer firme.

Na recusa em se transformar naquilo que estamos combatendo.

Essa última parte é muito importante.

Quando alguém nos trata com violência, existe o risco de respondermos com a mesma violência.

Quando alguém nos trata com ódio, podemos sentir vontade de devolver ódio.

Mas a história do funeral do Padre Popieluszko mostra uma multidão que, apesar da dor, não se entregou à vingança.

Isso também é uma forma de coragem.

## O que Santa Inês pode dizer para nós hoje?

Se Santa Inês pudesse conversar conosco hoje, talvez sua história nos levasse a fazer algumas perguntas.

Você sabe quais são seus valores?

Sabe aquilo que considera realmente importante?

Quando alguém tenta pressioná-lo, você consegue dizer não?

Você consegue defender sua dignidade sem precisar humilhar ninguém?

Você consegue manter sua fé sem transformar sua crença em motivo de perseguição contra quem pensa diferente?

Você consegue ser firme sem ser cruel?

Essas perguntas são muito atuais.

Porque a verdadeira firmeza não precisa produzir violência.

É possível ser firme e respeitoso.

É possível defender aquilo em que acreditamos sem destruir quem pensa diferente.

É possível dizer não sem odiar.

## Uma história para ser contada

Meus amigos, Santa Inês não é apenas um nome no calendário.

Ela representa uma história que a tradição cristã conservou durante séculos.

Uma menina muito jovem que, segundo os relatos, enfrentou um mundo poderoso sem abandonar suas convicções.

Depois, a obra nos apresenta Isabel Cristina, uma jovem brasileira que também teve sua vida interrompida pela violência enquanto defendia sua integridade.

E, em seguida, lembra o Padre Popieluszko, cuja morte provocou uma grande manifestação popular na Polônia.

Três histórias.

Três épocas.

Três contextos.

Mas uma mesma palavra pode ajudar a reuni-las:

dignidade.

Dignidade diante do poder.

Dignidade diante da violência.

Dignidade diante da perseguição.

Dignidade diante do medo.

## Para terminar nossa conversa

E agora, chegando ao final da nossa conversa de hoje, eu quero deixar uma reflexão muito simples.

Talvez nenhum de nós seja chamado a enfrentar uma situação como a de Santa Inês.

Talvez nunca sejamos colocados diante de um tribunal romano.

Talvez nunca enfrentemos uma perseguição política.

Talvez nunca tenhamos de passar por uma situação extrema como a de Isabel Cristina.

Mas todos nós, em algum momento, teremos de fazer escolhas.

E são justamente essas escolhas pequenas que vão construindo nossa vida.

Escolher falar a verdade.

Escolher respeitar o outro.

Escolher não participar de uma injustiça.

Escolher não humilhar alguém.

Escolher não se aproveitar da fragilidade de outra pessoa.

Escolher defender quem está sendo injustiçado.

Escolher pedir desculpas quando erramos.

Escolher perdoar quando for possível.

Escolher manter nossa dignidade.

É nessas pequenas decisões que construímos quem somos.

A história de Santa Inês nos lembra que uma pessoa pode parecer pequena aos olhos do mundo e, mesmo assim, possuir uma força interior extraordinária.

E talvez essa seja a grande mensagem que podemos levar para casa:

não é o tamanho do nosso poder que determina o tamanho da nossa coragem.

É a firmeza com que defendemos aquilo que realmente consideramos certo.

Que a memória de Santa Inês nos ajude a compreender o valor da dignidade, da fidelidade e da coragem.

Que a história de Isabel Cristina nos faça refletir sobre o respeito que toda pessoa merece.

E que o exemplo daqueles que sofreram perseguição nos ensine que a resposta para a violência não precisa ser o ódio.

Porque, no fim das contas, o verdadeiro triunfo não está em vencer alguém pela força.

Está em não permitir que a violência do mundo destrua aquilo que existe de melhor dentro de nós.

Essa é uma mensagem que atravessa séculos.

E talvez seja justamente por isso que, tantos anos depois, nós ainda estejamos aqui, contando a história de uma menina chamada Inês.

Uma menina que, segundo a tradição, transformou sua juventude em testemunho, sua fragilidade em coragem e seu nome em símbolo de pureza e fidelidade.

E essa história continua falando conosco.

Hoje.

Aqui.

Agora.


Fim

Fonte: baseado no artigo da revista CAVALEIRO DA IMACULADA, nº 73 (1985)