O PREÇO DA REELEIÇÃO
por Felipe Dantas
Muita gente não entende o desastre que está para acontecer no Brasil nos próximos 4 anos. Lula ganhou mais 4 anos e você precisa entender o que pode acontecer nos próximos anos. Enquanto eles celebravam no Palácio, a realidade nua e crua se impôs em silêncio.
Você só precisa olhar para o que aconteceu no exato minuto em que a reeleição de Lula foi confirmada. Antes mesmo de o trabalhador honesto levantar da cama na manhã de segunda-feira para bater o ponto, o mercado internacional já havia dado a sentença de morte para a moeda brasileira. Em poucas horas de pânico financeiro no exterior, as ações das maiores companhias do Brasil negociadas lá fora desabaram 20% e os contratos futuros do Real na Bolsa de Chicago derreteram quase 10% da noite para o dia.
Bilhões de dólares em capitais privados começaram a fazer as malas e fugir do nosso país como quem escapa de um incêndio descontrolado. E por que esse pânico imediato tomou conta de quem realmente produz e investe? Porque o investidor, o grande fabricante e o pequeno comerciante que arriscam o próprio patrimônio não votam com o fígado e não acreditam em maquiagem eleitoral de marqueteiro. Eles sabem fazer contas.
E a conta que esse governo deixou pendurada para garantir a vitória simplesmente não fecha. O Brasil foi empurrado para a beira de um abismo econômico sem precedentes. Olhe com atenção para o mapa que saiu deste segundo turno.
A fratura exposta da nossa nação nunca foi tão profunda, tão evidente, tão dolorosa. O candidato da oposição terminou a apuração vencendo e liderando com folga em praticamente todas as grandes regiões produtivas do país. Ele venceu no sul, venceu no sudeste, venceu no centro-oeste e venceu no norte.
As regiões que plantam o grão que alimenta o mundo, que tocam o parque industrial pesado, que pagam a maior parte dos tributos federais e que geram a esmagadora maioria dos empregos com carteira assinada disseram um sonoro não para esse modelo estatizante. A vitória do governo veio sustentada mais uma vez quase que exclusivamente pelos votos concentrados no nordeste brasileiro, onde a dependência do assistencialismo estatal atinge os seus níveis mais dramáticos. Mesmo perdendo em todas as locomotivas da economia brasileira, o governo conseguiu arrancar uma virada inacreditável na reta final da contagem, contrariando todas as expectativas, todas as pesquisas e a vontade expressa de quem sustenta as contas deste país com o próprio trabalho diário.
Mas como é que um governo atolado no desgaste, com inflação em alta e escândalos explodindo pelo caminho, consegue virar uma eleição que parecia matematicamente perdida? A verdade é que ninguém tem coragem de falar abertamente é que essa virada foi conquistada através da campanha mais sórdida, covarde e cara de toda a história da república. O jogo foi jogado com as armas mais pesadas do desespero pelo poder, terrorismo psicológico em massa nas periferias e uma orgia fiscal de mais de 400 bilhões de reais despejados sem nenhum pudor nos últimos meses para comprar a sobrevivência da máquina pública. No campo da narrativa, o método foi cirúrgico e aterrorizante.
A máquina de propaganda mirou no cidadão mais vulnerável, no indeciso, naquele trabalhador que ganha um salário mínimo e não tem reserva no banco para passar a perda. Dia e noite, nos carros de som, nas redes sociais e nos discursos de palanque, plantaram o pânico nas famílias mais pobres. Espalharam a chantagem emocional mais cruel que existe.
A mentira deslavada de que, se a oposição vencesse, o Bolsa Família seria cancelado, a aposentadoria do idoso deixaria de ser paga e o preço do prato de comida iria dobrar. Quando você coloca medo na cabeça de um pai de família desesperado, você anula a capacidade dele de pensar livremente. Você sequestra a esperança dele e substitui por puro pavor.
Só que a chantagem psicológica, por mais violenta que fosse, ainda não garantia a vitória. Faltava o dinheiro. E para salvar a própria pele, o governo não pensou duas vezes.
Escancarou os cofres públicos e fez o maior derrame de dinheiro já visto há muito tempo. Nos últimos meses que antecederam a eleição, o governo federal colocou na rua um pacote de ações, linhas de subsídios, créditos estatais e bondades eleitoreiras que ultrapassou a marca estarrecedora de R$ 350 bilhões, segundo o levantamento da revista Veja. Foi um vale-tudo sem qualquer tipo de escrúpulo fiscal.
Foi aumento do Bolsa Família, foi promessa de aumentar pé-de-meia, dar piques para a MEI, ônibus de graça e até cancelar imposto de importação que o próprio governo criou. Se essa receita de gastar centenas de bilhões sem ter lastro, prometer tudo de graça e usar o medo para vencer a eleição parece familiar para você, é porque nós já vimos esse mesmo filme de terror com nossos próprios olhos. Volte no tempo para a campanha presidencial de 2014.
Naquela época, para garantir a reeleição de Dilma Rousseff a qualquer preço, o mesmo grupo político aplicou o mesmíssimo manual sujo. Na televisão, diziam que o Brasil estava no pleno emprego, que as contas estavam equilibradas e que a oposição iria tirar a comida da mesa dos pobres. Nos bastidores, represaram na canetada o preço da gasolina e a tarifa de energia elétrica, enquanto despejavam créditos podres pelos bancos estatais.
Venceram por uma margem mínima. E qual foi o preço pago pelo povo brasileiro nos anos seguintes, em 2015 e 2016? A conta chegou com juros e correção monetária implacáveis. Assim que a eleição passou, a gasolina explodiu, a conta de luz veio com bandeiras tarifárias abusivas, a inflação bateu na casa dos dois dígitos e o Banco Central foi obrigado a puxar a taxa de juros para quase 15% ao ano.
O resultado foi a pior recessão econômica da história moderna do país. A economia afundou quase 7% em apenas dois anos, fechando fábricas, quebrando milhões de pequenas empresas e atirando mais de 3 milhões de trabalhadores brasileiros no desespero do desemprego. Só que o que está armado para os próximos 4 anos, de 2027 em diante, é infinitamente pior do que a crise da Dilma.
Desta vez, o estrago foi tão escandaloso que a equipe econômica do governo nem teve como esperar a eleição acabar para confessar a falência. Poucas semanas antes da votação, no próprio texto do orçamento enviado ao Congresso Nacional, o governo admitiu preto no branco que mais de 90% de todo o dinheiro arrecadado pela União já está completamente travado em despesas obrigatórias. Eles confessaram expressamente no papel que faltará dinheiro no Caixa da União já em 2027 para pagar as contas básicas, manter serviços públicos e cobrir a folha de pagamentos da máquina do Estado.
Entenda bem a gravidade, a frieza e o escárnio do que aconteceu. O governo sabia com antecedência que não existia dinheiro para pagar as contas do ano que vem. E, mesmo tendo essa certeza matemática, eles decidiram queimar mais de 300 bilhões de reais em benefícios e bondades eleitorais só para não perder o poder.
A festa da vitória acabou, o palanque foi desmontado e agora começa a fatura mais cara da sua vida. Na economia de um país, não existe mágica, não existe almoço grátis e não existe dinheiro que brota de árvore. Quando governantes irresponsáveis torram centenas de bilhões em ano eleitoral, só existem três maneiras no mundo de cobrir esse rombo.
E todas as três vão ser arrancadas sem piedade do seu bolso nos próximos quatro anos. A primeira maneira é o massacre tributário. Como essa turma nunca aceita cortar um único centavo de regalias, ministérios inflados, viagens internacionais de luxo e salários da alta cúpula, a sanha arrecadatória contra quem trabalha deve ser selvagem.
A gente pode ver novos impostos, aumento de alíquotas em tudo o que você consome, taxação pesada sobre serviços, fiscalização agressiva sobre transações financeiras e o sufocamento final do micro e pequeno empreendedor. Eles vão precisar espremer cada gota de suor de quem produz para cobrir o rombo que criaram para se reeleger. A segunda maneira é o derretimento do real e a explosão do custo de vida.
Quando o investidor foge e a moeda brasileira desaba frente ao dólar, como já vimos acontecer imediatamente após o resultado das urnas, tudo o que existe dentro deste país fica mais caro. O trigo do pão da padaria sobe. O fertilizante que o produtor usa na lavoura sobe.
O óleo diesel do caminhão que transporta a comida sobe. O remédio na farmácia e o telefone no seu bolso disparam. O dólar alto não afeta apenas quem viaja para o exterior.
O dólar alto destrói o poder de compra da mãe solteira na fila do açougue e transforma o carrinho de supermercado num pesadelo semanal. E a terceira maneira é a asfixia total da economia pelo juro alto. Para tentar conter a inflação galopante e a debandada de capitais geradas pelo descontrole do governo, o Banco Central será obrigado a manter os juros nas alturas por anos a fio.
Juro alto significa crédito caro, financiamento imobiliário fora do alcance da classe média, vendas do comércio paralisadas e empresas demitindo para não fechar as portas. E a maior, a mais trágica e perversa de todas as ironias é que aquelas mesmas famílias humildes que foram manipuladas pelo medo durante a campanha serão as primeiras vítimas desse desastre. O pobre que acreditou que estava protegendo a sua refeição ao votar no governo vai entender diretamente que não existe nada de graça.
Sempre alguém precisa pagar. Os próximos quatro anos não serão fáceis. A queda das bolsas e o colapso da moeda na largada não são coincidência.
São o primeiro aviso de que a conta da irresponsabilidade sempre chega. Eles garantiram mais quatro anos de palácios, banquetes e aviões oficiais. Agora, quem vai trabalhar em dobro para pagar essa fatura bilionária é você.
Eu sou Felipe Dantas. Para entender o Brasil, basta seguir o meu perfil.















