Coleção de IMAGENS, ÁUDIOS, VÍDEOS, ARTIGOS, LIVROS e TEXTOS diversos (revistas e outros) com textos "scrollados" (deslizantes) e/ou no formato em PDF (com letras ampliadas e fácil de ler nos celulares). Acervo digital do Projeto Crescer Juntos (PCJ)
Fonte: CONTOS POPULARES BRASILEIROS. São Paulo: Melhoramentos, 2014
Quando o pai de Pedro Malasartes entregou a alma a Deus, fez-se a partilha dos bens, uma casinha velha, entre os filhos, e tocou a Pedro uma das bandeiras da porta da casa, com o que ele ficou muito contente.
Pôs a porta no ombro e saiu pelo mundo. Em caminho, viu um bando de urubus sobre um burro morto. Atirou a porta sobre eles e caçou um urubu que ficou com a perna quebrada.
Apanhou-o, pôs a porta às costas e continuou viagem.
Obra de uma légua ou mais, avistou uma casa de onde saía fumaça, o que queria dizer que se estava preparando o jantar.
Pedro Malasartes, que sentia fome, bateu à porta e pediu de comer. Veio atendê-lo uma empregada lambisgoia que foi logo dizer à patroa que ali estava um vagabundo, com um urubu e uma porta, a pedir de jantar.
A mulher mandou que o despachasse que a sua casa não era coito de malandros.
O marido estava de viagem e a mulher no seu bem-bom a preparar um banquete para quem ela muito bem o destinava. Neste mundo há coisas!
Pedro Malasartes, tão mal recebido que foi, resolveu subir para o telhado, valendo-se da porta que trazia e lhe serviria de escada. Subiu e ficou espreitando o que se passava naquela casa, tanto mais que sentia o cheiro dos bons petiscos.
Espiando pelos vãos das telhas, viu os preparativos e tomou nota das iguarias, e ouviu as conversas e confidências da patroa e da empregada. Justamente na hora do jantar chegou o dono da casa, que resolveu voltar de inesperado da viagem que fazia.
Quando a mulher percebeu que ele se aproximava, mandou esconder os pratos do banquete e veio recebê-lo e abraçá-lo, muito fingida, muito risonha, mas por dentro queimando de raiva.
Vai daí mandou pôr na mesa a janta que constava de feijão aguado, paçoca de carne-seca e cobu, dizendo:
- Por que não avisou, marido? Sempre se havia de aprontar mais alguma coisa...
Sentaram-se à mesa.
Pedro Malasartes desceu de seu posto e bateu na porta, trazendo o urubu.
O dono da casa levantou-se e foi ver quem era.
O rapaz pediu-lhe um prato de comida e ele chamou-o para a mesa a servir-se do pouco que havia.
A mulher estava desesperada, desconfiando com a volta de Malasartes. Pedro tomou assento, puxou o urubu para debaixo da mesa, preso pelo pé num pedaço de corda de pita.
Estavam os dois homens conversando, quando de repente o Malasartes pisou no pé quebrado do bicho e este se pôs a gritar: uh! uh! uh!
O dono da casa levou um susto e perguntou que diabo teria o bicho. Pedro respondeu muito sério:
- Nada! São coisas. Está falando comigo.
- Falando! Pois o seu bicho fala?!
- Sim, senhor, nós nos entendemos. Não vê como o trago sempre comigo? É um bicho mágico, mas muito intrometido.
- Como assim?
- Agora, por exemplo, está dizendo que a patroa teve um aviso oculto da volta do senhor e por isso lhe preparou uma boa surpresa.
- Uma surpresa! Conte lá isso como é.
- É deveras! Uma excelente leitoa assada que está ali naquele armário...
- Pois é possível! Ó mulher, é verdade o que diz o urubu desse moço?
Ela, com receio de ser apanhada com todo o banquete e certa de que Pedro sabia da marosca, apressou-se em responder:
- Pois então? Pura verdade. O bicho adivinhou. Queria fazer-te a surpresa no fim do jantar.
E gritou pela empregada:
- Maria, traz a leitoa.
A moça veio logo correndo, mas de má cara, com a leitoa assada na travessa.
Daí a pouco, Pedro Malasartes pisou outra vez no pé do urubu, que soltou novo grito.
- O que é que ele está dizendo?
Bicho intrometido! Está candongando outra vez. Cala a boca, bicho!
- O que é?
- Outras supresas.
- Outras?!
Sim, senhor: um peru recheado...
- É verdade, mulher?
- Uma surpresa, maridinho do coração. Maria, traz o peru recheado que preparei para o teu amo.
Veio o peru. E pelo mesmo expediente conseguiu Pedro Malasartes que viessem para a mesa todas as iguarias, doces e bebidas que havia em casa.
Ao fim do jantar, o dono da casa, encantado com as proezas do urubu, propôs comprá-lo a Pedro Malasartes, que o vendeu muito bem vendido, enquanto a mulher e a empregada bufavam de raiva, crentes também no poder mágico do bicho, que, assim, seria um constante espião de tudo quanto fizessem.
Fechado o negócio, Pedro Malasartes partiu satisfeito e vingado.
(Relato de um fato real | Desejo dividir com os colegas [que tiverem a paciência de ler] esta rica experiência que fiz nestas férias pascais.)
Fonte: Texto datilografado do Pe. ERCILIO SAYON
O ônibus ia de Fátima (Portugal) a Salamanca (Espanha) quando aconteceram os imprevistos. Eram peregrinos italianos, em sua maioria idosos, que retornavam de uma peregrinação a Fátima. Pretendiam ainda passar por Salamanca, Avila, e em Madrid tomariam o avião de volta a Roma. Era o dia 8/4/1985, segunda feira de páscoa.
Uma avaria mecânica na suspensão obrigou o ônibus a andar muito lentamente, pelo asfalto em mau estado, até Coimbra.
Diga-se a verdade: os italianos têm complexo de superioridade em relação aos portuguêses. Estes são, na visão de muitos italianos, pobres, com pouca instrução, quase não são europeus... Pedir socorro a mecânicos portuguêses era uma necessidade que não se podia evitar. Fomos acolhidos numa oficina do município. Como era municipal, existiu uma certa burocracia e foram necessários telefonemas, permissões de um chefe, de outro, etc... o que começou a irritar alguns passageiros.
Para consertar a suspensão, todos tiveram que descer do ônibus. Por azar, começou a chover. Foi então que os portuguèses começaram a nos dar a lição. Encostaram um onibus vazio ao lado do nosso, onde pudemos nos abrigar da chuva, enquanto consertavam o nosso.
Eram ali pelas 10 horas da manhã. Seis mecânicos, orientados por um chefe, começaram o difícil trabalho. As horas passavam demoradas no onibus-abrigo... 11 horas, 12 horas, 13 horas... A oficina deveria fechar para o almoço dos mecânicos. Mas não. Enquanto não terminaram não foram almoçar. Finalmente pronto. Na hora de pagar o serviço, uma surpresa: não aceitavam pagamento. Foi com alegria que quiseram nos prestar esta ajuda, e não pensando em dinheiro. A muito custo aceitaram uma gorjeta.
O fato era inexplicável para os italianos. Na Itália tudo se paga. Até favor... Este gesto dos mecanicos portugueses çomeçou a desvelar aos italianos não só a verdadeira face dos portugueses, mas todo um mundo em que os valores são outros, e não o dinheiro, o pagamento, o salário. Um mundo em que auxiliar o próximo tem mais importância que um pouco a mais ou a menos de dinheiro no bolso.
A viagem prosseguiu cheia de comentários elogiosos ao gesto português.
Mas a lição não terminara. O episódio da oficina fora apenas a introdução. Eram passadas já as 15 horas quando chegamos ao ponto pré-determinado para o almoço: "Restaurante A saborosa", cerca de 70 quilômetros adiante de Coimbra, perto de Tábua, ao longo da rodovia que se estende rumo à fronteira espanhola, cheia de curvas e em mau estado de conservação.
Ao descer do ônibus, o chefe da excursão gela. Perde a a palavra. Começa a olhar embaixo do assento. Entra e sai, branco. Desaparecera a pasta que continha todo o dinheiro da excursão e as passagens aéreas já confirmadas de todo o grupo, Madrid-Roma. E era muito dinheiro, pois sendo a primeira viagem da organização neste roteiro, o pagamento das refeições e hospedagens era feito em dinheiro e nao em cheque italiano. Milhões de liras, em escudos, em pesetas, em liras... Todos gelam. A excursão parecia ter chegado bruscamente ao fim. Que fazer? Quem tirara a pasta? Como é possivel? Foi na oficina, certamente. E na mente de muitos certamente lampejou a suspeita. A generosidade em não cobrar nada estava explicada. Safados portugueses!
A primeira idéia, sem pensar em almoçar, foi correr a um telefone, avisar a polícia, telefonar para o chefe da oficina mecânica de Coimbra.
Foi então que a lição dos portugueses teve continuidade. Ao chegar ao telefone do restaurante "A saborosa" havia já um recado: um operário, ao ser mandado recolocar no devido lugar o ônibus que nos abrigara da chuva enquanto arrumavam o nosso, encontrara lá dentro uma pasta e um guarda-chuva. Certificando-se do valioso conteúdo da bolsa (muitos meses de seu salário...), levou imediatamente ao chefe, e ambos contaram e anotaram exatamente o dinheiro encontrado. Depois, telefonaram à polícia, dizendo que um grupo de italianos havia pedido socorro mecânico lá e deixado uma pasta com muito dinheiro. Não sabiam dizer os nomes, nem onde iríamos almoçar. Somente sabiam a cor do ônibus e a direção em que viajávamos: iríamos a Salamanca. Imediatamente a polícia se nos a telefonar a todos os restaurantes à beira da rodovia, até descobrir o "A saborosa" onde havíamos pré-reservado o almoço. Mas ainda não havíamos chegado. E deixou o aviso: o dinheiro, contado, estava à disposição na oficina.
Tamanha honestidade e a diligência em nos procurar, comoveu a todos. A lição estava sendo dada magistralmente. Junto com elogios aos portuguêses, os italianos começaram a se desprezar a si próprios: "isso nunca aconteceria na Itália" /.../ "imagine isso em Roma" /.../ "pena que os portuguêses vão entrar agora na Comunidade Européia, pois vão aprender os nossos vícios" /.../ "isso mereceria um telefonema de parabéns ao presidente português"/.../ e outros comentários semelhantes.
Mas, incrivelmente, a lição não acabara ainda. Como estávamos a cerca de setenta quilômetros de Coimbra, o mais certo não era retornar com o ônibus para buscar o dinheiro, mas com um táxi. Seria mais rápido, e evitaria mais duas horas de atraso, além das três que já tivéramos na oficina. Mas não havia táxi naquele descampado. Nem carro particular. Pedimos, então, por telefone, ao chefe da oficina que mandasse a pasta com um taxi de Coimbra, fazendo-nos assim mais um favor, além de ganharmos tempo e podermos almoçar. Foi quando o chefe nos deu a última dose da lição. "Não se preocupem, disse ele, mando dois funcionários levarem agora mesmo com um carro da firma".
Uma hora depois, já almoçados, chega o carro, trazendo a esperada pasta. Descem do carro dois jovens mecânicos, sendo um o que achara a pasta. São recebidos com vivas, palmas, beijos, lágrimas furtivas de emoção pela lição de honestidade e amor ao próximo desconhecido que esta simples gente nos dava. Trazem o bilhete em que anotaram a quantia e pedem para conferir o dinheiro. E mais uma vez não querem pagamento, só um pouco pela gasolina... Aceitam uma gorda gorjeta que o chefe da excursão lhes faz aceitar.
A viagem prosseguiu, mas uma coisa ficou na sargeta diante do Restaurante "A saborosa": o orgulho de ser um povo mais rico, mais instruido, mais "europeu"... A lição fora aprendida e essa viajou junto nos corações e pensamentos de cada um: existem outros valores, valores mais importantes, que subsistem em culturas que nao sao a. nossa.. Cristianismo não é bela teoria. Não se é cristão por morar na cidade em que o Papa mora. Cristianismo não é fazer peregrinação a Fátima ou a Lourdes. Cristianismo nos ensinou o portugues.
O dono do guarda-chuva achado junto à pasta era o padre diretor espiritual da peregrinação. Foi ele que lembrou a parábola do bom samaritano, num sermãozinho ao entardecer, já na fronteira espanhola. Mas desta vez o bom samaritano foi um português. Nao sabemos o nome dele. Ele não sabe o nosso. Mas nos socorreu, interessou-se por nós, fez mais do que podia. Amou-nos. Verdadeira lição prática do evangelho.
Como tem gente que precisa crescer urgentemente e não se escandalizar - ou se pasmar - com coisas tão insignificantes como essa.
Se você quiser admitir que tudo o que está escrito na legenda (ou comentário) da foto é verdadeiro, terá seus próprios motivos para querer ficar pasmado(a); e neste caso a culpa é toda sua...
Se você quiser refletir um pouco mais sobre o que a foto representa, terá motivos para não se escandalizar tão inútilmente. E poderá julgar melhor o que a imagem, como um todo, representa. Eis algumas pistas:
[ ] O que compõe a imagem? Quatro figuras: duas mulheres ajoelhadas e de mãos postas; um bebê deitado numa cestinha forrado com um pano branco; uma outra figura com corpo de humano agachado e com cabeça, mãos (não postas) e asas.
[ ] O que representa cada figura? Se o bebê é o menino Jesus, então uma das mulheres é a sua mãe e a outra mulher quem será? E a figura com asas deve ser um anjo? - É o que a maioria de nós identificamos como sendo os personagens históricos e concluímos que o conjunto representa "um presépio".
[ ] Esse presépio está completo, está faltando figuras ou está com figuras a mais? Onde está o "presépio original" pra gente comparar? Os (4) evangelistas, na Bíblia, o que disseram? __(1) Mateus não diz nada sobre como o nascimento de Jesus aconteceu (cf. Mt 1,18ss); __(2) Marcos também não diz nada (cf. Mc 1,1ss); __(3) Lucas fez um relato bem amplo (cf. Lc 2,1-20); e __(4) João também não disse nada. || Mas o PRESÉPIO que Lucas desenhou com suas palavras foi o seguinte (cf. Lc 2,7): __{"Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria."}__ || "Ela" é Maria; "seu filho" é Jesus na manjedoura; e no "para eles" está subentendido a presença de José, o esposo de Maria. || E se você quiser saber mais detalhes sobre o nascimento de Jesus, leia o relato que Maria fez a Annie Kirkwood. Eis um trechinho: __{"Nas primeiras horas da madrugada, acordei José, pois senti uma dor muito forte e sabia no fundo do coração que Jesus nasceria logo, como viera a ocorrer. Ele veio rapidamente e sem muito esforço. José nos limpou e nós oramos e agradecemos a Deus."}__ (Saiba mais por este link: https://bibliotecavirtualdopcj.blogspot.com/2021/12/442como-foi-o-nascimento-de-jesus.html ).
[ ] Portanto, esse é o "presépio simples e original, com apenas três pessoas: Jesus, Maria e José"; e nada mais: nem anjo, nem cabras, nem ovelhas, nem outros animais, nem pastores, nem magos e nem estrela no céu! Quando, em 1.200, são Francisco montou o primeiro presépio, ele acrescentou algumas figuras que o evangelista Lucas relata em momentos diferentes: os pastores, os anjos, a estrela, os magos, etc. Vários momentos juntos como se tivesse acontecido num único dia! E hoje em dia, em alguns lugares, é possível ver presépios com o básico e centenas de outras figuras e ornamentos artísticos. Então, o presépio que estamos analisando está apenas com duas figuras essenciais: a mãe e o bebê; a outra mulher e o anjo são acréscimos que poderiam faltar; e a falta de um homem representando José pode mesmo ser um erro grave de quem montou esse presépio ou ...? Será que é porque tava faltando uma imagem de José? Muitas outras perguntas poderão surgir e ficarão sem respostas. E será mesmo que o autor quis mesmo excluir o "José" ou só colocou outra figura de mulher na falta da figura de uma de "José"? Ou será que que ele quis mesmo colocar "duas Marias"? Etc.
[ ] Quem garante que o autor dessa junção de figuras - chamada de presépio - é um "padre italiano"? Onde está o nome dele?
[ ] E quem garante que tal composição de presépio teve "autorização do Vaticano"? E desde quando o Vaticano tem que dar "autorização" pra que um presépio ser montado? Será que o Vaticano não tem assuntos da Fé cristã mais sérios a que se ocupar?
[ ] E por que envolveram o "papa Francisco" nisso? Se um papa quiser fazer algo em nome da Igreja, ele terá que emitir um documento oficial do Vaticano (a Santa Sé) para isso. Cadê esse documento? Ah! Não existe; foi só um "pode fazer"...
Enfim, podemos também pensar assim: [ ] quem é a pessoa mal intencionada que começou a espalhar a foto desse "presépio" e acrescentar informações que só pretendem escandalizar (ou "pasmar") os cristãos? - É o "fim dos tempos se aproximando" ou é o Maligno querendo deixar você "pasmado"?
- Quer evitar isso? Não compartilhe mais essa postagem e ao rezar o Pai Nosso lembre-se bem a frase final: "...livrai-nos do mal (ou seja, do Maligno)". Amém
No LABORATÓRIO de Pesquisa Familiar da Universidade de Washington - conhecido como Laboratório do Amor -, os psicólogos John Gottman e Julie Schwartz Gottman ajudam casais a resolver conflitos matrimoniais. Aqui eles relatam um momento decisivo para um casal.
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JOHN M. GOTTMAN, PH.D., é professor de psicologia da Universidade de Washington e autor de The relationship cure (A cura do relacionamento). Ele e a mulher, JULIE SCHWARTZ GOTTMAN, PH.D., fundaram e dirigem o Instituto Gottman (na Internet, www.gottman.com), que oferece consulta a casais e forma terapeutas.
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(Foto do casal) CORTESIA DE ARDEN CLISE
Eric e Arden com o cachorro. 'Quando estamos unidos', diz Arden, é maravilhoso.'
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ERIC MAMROTH, 47 anos, e Arden Clise, 39, descreveram-nos o problema que vêm enfrentando como "a crise dos sete anos". No entanto, depois de sete anos de casamento, nenhum dos dois pensa em ter um caso. Apenas anseiam pela ligação que tinham quando se conheceram.
- Na época, fiquei impressionado com a animação dela - lembra Eric.
- Eric irradiava energia - recorda Arden. Eu me lembro de olhar em seus olhos e me deixar seduzir.
Então qual é o motivo das desavenças? O casal, que optou por não ter filhos, vive com conforto. Ele é coordenador de transportes e ela, gerente de marketing. Entretanto, Eric está sempre preocupado com dinheiro.
- Quando ele acha que não está ganhando o suficiente ou tem contas altas demais, acaba se distanciando - Arden reclama.
- A princípio, o distanciamento me dá segurança - argumenta Eric.
- Mas depois minha produtividade cai no trabalho. Fico com raiva do cachorro, dos gatos... e de Arden.
Nessas ocasiões, Arden costuma reagir com uma atitude controladora e crítica em relação a bobagens por exemplo, a maneira como Eric dirige ou cozinha. Ela admite que às vezes fica no pé de Eric só por causa da solidão, preferindo brigar a não ter contato algum com o marido.
Nos questionários e nas entrevistas iniciais com o casal, levantamos outras pistas para o problema essencial: Eric diz se sentir "velho" e "indiferente". Ele reluta em tirar férias ou mesmo em sair muito de casa. O sexo entre eles se tornou pouco freqüente e insatisfatório.
- Posso ser sincera? - pergunta Julie a Eric. - Acho que você está deprimido, e isso faz com que se feche e se distancie. Você, Arden, por sua vez, fica de mãos atadas. Não sabe como chegar até ele. A depressão é como uma terceira pessoa entre os dois.
À medida que conversamos sobre as implicações disso tudo, Eric começa a chorar. Parece aliviado com o fato de a verdade ter vindo à tona. Ao mesmo tempo, porém, diz que detesta o "estigma" da depressão.
Asseguramos-lhe que a depressão não é culpa dele. Pode ser causada por um desequilíbrio. químico e tratada com terapia e medicação. Além disso, se ele e Arden conversarem durante esses momentos difíceis, não vão se sentir tão isolados um do outro.
- Não sei se consigo falar disso - confessa Eric.
- Deixe-me ajudá-lo – diz John, e então explica que, nesse ponto, a conversa pura e simples é mais importante do que a solução do problema. - - Apenas diga a Arden o que está acontecendo.
Eric tenta:
Sabe, Arden - começa ele - estou deprimido. E quero que você me desculpe, porque isso ergue uma parede entre nós.
Arden pergunta a Eric qual seria a causa da depressão, e ele fala de antigos problemas familiares, da insatisfação no trabalho e da sensação de
que falta algo em sua vida.
- Amor, sabe o que eu estava pensando? - diz Arden. - Não temos feito exercícios... Talvez devêssemos comprar a bicicleta de dois lugares. Sei que é cara, mas... seria um incentivo para sairmos. Acho que ficamos demais em casa.
Os ombros de Eric se curvam. Tentando consertar a situação, Arden se desvia do assunto.
- Parece que tem um gorila de 300 quilos nesta sala - diz Eric, trazendo a atenção dela de volta a seu estado emocional.
Felizmente, Arden reage bem.
- Eu sei. Não estou tentando fechar os olhos para isso. Conte mais - pede ela. - Como é estar deprimido?
Apesar da resistência inicial, Eric se sai bem ao descrever seu estado de espírito, e Arden ouve com empatia.
- Quando desabafo com você, eu me sinto melhor conclui ele. - Não sei por que deveria estar surpreso. As vezes em que eu mais me envolvo na nossa relação é quando você precisa de mim emocionalmente.
Com isso, pedimos a Arden que diga a Eric como ela se sente. Agora Arden está esperançosa:
- Identificar as dificuldades é sempre o primeiro passo. Sabemos que
existe um problema e que podemos lutar juntos. Já é um alívio.
Fonte: Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 2012.
No jogo de decisão do campeonato, Eváglio torceu pelo Atlético Mineiro, não porque fosse atleticano ou mineiro, mas porque receava o carnaval nas ruas se o Flamengo vencesse. Visitava um amigo em bairro distante, nenhum dos dois tem carro, e ele previa que a volta seria problema.
O Flamengo triunfou, e Eváglio deixou de ser atleticano para detestar todos os clubes de futebol, que perturbam a vida urbana com suas vitórias. Saindo em busca de táxi inexistente, acabou se metendo num ônibus em que não cabia mais ninguém, e havia duas bandeiras rubro-negras para cada passageiro. E não eram bandeiras pequenas nem torcedores exaustos: estes pareciam ter guardado a capacidade de grito para depois da vitória.
Eváglio sentiu-se dentro do Maracanã, até mesmo dentro da bola chutada por 44 pés. A bola era ele, embora ninguém reparasse naquela esfera humana que ansiava por tornar a ser gente a caminho de casa.
Lembrando-se de que torcera pelo vencido, teve medo, para não dizer terror. Se lessem em seu íntimo o segredo, estava perdido. Mas todos cantavam, sambavam com alegria tão pura que ele próprio começou a sentir um pouco de Flamengo dentro de si. Era o canto? Eram braços e pernas falando além da boca? A emanação de entusiasmo o contagiava e transformava. Marcou com a cabeça o acompanhamento da música. Abriu os lábios, simulando cantar. Cantou. Ao dar fé de si, disputava à morena frenética a posse de uma bandeira. Queria enrolar-se no pano para exteriorizar o ser partidário que pulava em suas entranhas. [...]
O pessoal desceu na Gávea, empurrando Eváglio para descer também e continuar a festa, mas Eváglio mora em Ipanema, e já com o pé no estribo se lembrou. Loucura continuar flamengo a noite inteira [...]. Segurou firme na porta, gritou: "Eu volto, gente! Vou só trocar de roupa" e, não se sabe como, chegou intacto ao lar, já sem compromisso clubista.
Fonte: Evangelho de MATEUS: 9,35--10,42 (Bíblia Sagrada Tradução da CNBB)
SERMÃO DA MISSÃO
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A COMPAIXÃO DE JESUS E A URGÊNCIA DA MISSÃO
35 Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade. 36 Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: 37 “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!”
A ESCOLHA DOS DOZE
10 1 Chamando os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e de enfermidade. 2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus.
INSTRUÇÕES MISSIONÁRIAS AOS DOZE
5 Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6 Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 No vosso caminho, proclamai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9 Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro à cintura; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador tem direito a seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, procurai saber quem ali é digno e permanecei com ele até a vossa partida. 12 Ao entrardes na casa, saudai-a: 13 se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. 14 Se alguém não vos receber, nem escutar vossas palavras, saí daquela casa ou daquela cidade e sacudi a poeira dos vossos pés. 15 Em verdade, vos digo: no dia do juízo, a terra de Sodoma e Gomorra receberá uma sentença menos dura do que aquela cidade.
AS PERSEGUIÇÕES FAZEM PARTE DA MISSÃO DOS DISCÍPULOS
16 “Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18 Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, de modo que dareis testemunho diante deles e diante dos pagãos. 19 Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar, 20 pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai falará em vós. 21 O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. 22 Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem. 24 O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25 Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa chamaram de Beelzebu, quanto mais ao pessoal da casa!
TESTEMUNHAR SEM MEDO
26 “Não tenhais medo deles. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e nada de escondido que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas são incapazes de matar a alma! Pelo contrário, temei Aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por uma moedinha? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32 Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus. 33 Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus.
NÃO A PAZ, MAS A ESPADA
34 “Não penseis que vim trazer paz à terra! Não vim trazer paz, mas sim, a espada. 35 De fato, eu vim pôr oposição entre o filho e seu pai, a filha e sua mãe, a nora e sua sogra; 36 e os inimigos serão os próprios familiares. 37 Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. 38 E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39 Quem buscar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará.
ACOLHER O ENVIADO É ACOLHER A QUEM O ENVIA
40 “Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem receber um profeta por ele ser profeta, terá uma recompensa de profeta. Quem receber um justo por ele ser justo, terá uma recompensa de justo. 42 E quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não ficará sem receber sua recompensa”.
Fonte: Roberto Gomes. O menino que descobriu o sol. São Paulo: FTD, 1995.
Hoje eu descubro, pensou o menino.
Como fazia todos os dias, arrumou os livros e cadernos dentro da pasta. Embrulhou a merenda no guardanapo. Fez questão de passar duas vezes diante da mãe. Queria que ela o visse se preparando para ir à escola.
Mas já havia decidido: não iria à escola. Iria investigar onde o avô se metia todas as tardes. [...]
- Vai sair tão cedo?
- Hoje tem um trabalho para entregar, disse assim sem pensar.
[...] Escondeu a pasta e o lanche num canto da garagem. Quando o avô saiu do prédio, o menino o seguiu. Andaram muito. [...]
Depois de muito caminhar, chegaram a um terreno baldio. No meio do terreno, havia um pequeno circo. Em letras vermelhas estava escrito: GRAN CIRCO ESPAÑOL. [...]
O avô cumprimentou o porteiro e entrou.
E agora? Como entrar? O menino não tinha nem um centavo no bolso. [...]
O porteiro se virou e o menino jogou-se como um raio por debaixo da lona do circo. Estava salvo, pensou. Conseguira. [...]
As luzes se apagaram e, sob um foco de luz, um mágico surgiu detrás da cortina. Era o seu avô! Mais alto, os cabelos soltos, bonitos, a cartola brilhante.
O mágico abriu os braços e de suas mãos vazias surgiu uma fileira de bandeiras. Colocou as bandeiras dentro da cartola, fez um gesto, virando-a para o público: já não havia nada dentro dela. Disse uma palavra mágica e da cartola saiu um coelho com a fileira de bandeiras amarrada na cauda.
A criançada aplaudia e o menino sentiu que ia chorar. Todos aplaudiram o seu avô!
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Fonte: 2º Livro de Samuel 11,1--12,28 - 'Bíblia Sagrada Tradução da CNBB' | (Leitura feita por Carlos Eduardo)
DAVI E BETSABÉIA 11
1 No início do ano, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo o Israel, e eles devastaram a terra dos amonitas e sitiaram Rabá. Entretanto, Davi ficou em Jerusalém. 2 Certo dia, ao entardecer, levantando-se de sua cama, Davi pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3 Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabéia, filha de Eliam e mulher de Urias, o heteu. 4 Então Davi mandou que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela, que tinha acabado de se purificar da menstruação. 5 E ela voltou para casa. Tendo ficado grávida, mandou dizer a Davi: “Estou grávida”. 6 Davi mandou esta ordem a Joab: “Manda-me Urias, o heteu”. E ele mandou Urias a Davi. 7 Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8 E depois disse-lhe: “Desce à tua casa, toma um bom banho e descansa” . Urias saiu do palácio do rei, que ainda mandou um presente régio atrás dele. 9 Mas Urias dormiu à porta do palácio com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10 Contaram então a Davi: “Urias não foi para sua casa”. Davi perguntou-lhe: “Não voltaste porventura de uma viagem? Por que não desceste à tua casa?” 11 Urias respondeu a Davi: “A arca, Israel e Judá habitam debaixo de tendas, e o meu senhor Joab e os oficiais do meu senhor dormem sobre a terra dura, e eu deveria ir para minha casa, comer e beber e dormir com minha mulher? Por tua vida, a vida de tua pessoa, juro que não farei tal coisa!” 12 Davi disse então a Urias: “Fica aqui ainda hoje, e amanhã te mandarei de volta”. E Urias ficou em Jerusalém naquele dia e no dia seguinte. 13 Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e para dormir numa esteira, em companhia dos oficiais do seu senhor, em vez de descer para a sua casa. 14 Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15 Nela dizia: “Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra”. 16 Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17 Os que defendiam a cidade saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o heteu. 18 Joab mandou comunicar a Davi tudo sobre a batalha. 19 Instruiu ao mensageiro: “Quando tiveres acabado de contar ao rei tudo sobre a batalha, 20 vais ver que ficará nervoso e dirá: ‘Por que vos aproximastes da cidade para lutar? Ignoráveis que iriam atirar dardos do alto da muralha? 21 Quem matou Abimelec filho de Jerobaal? Não foi uma mulher que atirou sobre ele uma pedra de moinho de cima da muralha, matandoo em Tebes? Por que vos aproximastes da muralha?” Então dize: “Também o teu servo Urias, o heteu, morreu”. 22 O mensageiro saiu e foi contar a Davi tudo o que Joab lhe tinha instruído. 23 O mensageiro disse a Davi: “Os inimigos prevaleceram contra nós e saíram em nossa direção no campo. Mas nós reagimos e os perseguimos até as portas da cidade. 24 Os arqueiros dirigiram suas flechas contra teus servos de cima do muro. Morreram alguns dos oficiais do rei e o teu servo Urias, o heteu, morreu também”. 25 Davi respondeu ao mensageiro: “Diz a Joab: ‘Não te aflijas com isto. O sucesso na guerra varia, a espada devora ora aqui, ora ali. Reforça o ataque à cidade para destruí-la’. E tu, anima-o”. 26 Ao saber da morte de seu marido, a mulher de Urias o chorou. 27 Terminados os dias de luto, Davi mandou buscá-la e recolheu-a em sua casa. Tomou-a por esposa e ela deu-lhe um filho. Mas o que Davi tinha feito desagradou ao Senhor.
O PROFETA NATÃ CENSURA DAVI 12
1 O Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Chegando a ele disse-lhe: “Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre. 2 O rico possuía ovelhas e bois em grande número. 3 O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado. Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha. 4 Chegou um hóspede à casa do homem rico. Este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Pegou a ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante”. 5 Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: “Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte! 6 Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por tal falta de consideração”. 7 Natã disse a Davi: “Esse homem és tu! Assim fala o Senhor, o Deus de Israel: Eu te ungi como rei de Israel e salvei-te das mãos de Saul. 8 Dei-te a casa do teu senhor e pus nos teus braços as mulheres do teu senhor. Entreguei-te a casa de Israel e de Judá. E, se isso te parecer pouco, vou acrescentar outros favores. 9 Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada Urias, o heteu, fazendo-o morrer pela espada dos amonitas, para fazer de sua mulher a tua esposa. 10 Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para fazer dela a tua esposa. 11 Assim diz o Senhor: Da tua própria casa farei surgir o mal contra ti. Tomarei as tuas mulheres sob os teus olhos e as darei a um outro, que se aproximará das tuas mulheres à luz deste sol. 12 Tu fizeste tudo às escondidas. Eu, porém, farei o que digo diante de todo o Israel, e o farei à luz do sol”. 13 Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor”. Natã respondeu-lhe: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado: não precisas 16morrer! 14 Entretanto, por teres assim causado desprezo da parte dos inimigos do Senhor, o filho que te nasceu vai morrer”. 15 E Natã voltou para a sua casa.
LUTO DE DAVI POR SEU FILHO O Senhor feriu o filho que a mulher de Urias tinha dado a Davi, e ele adoeceu gravemente. 16 Davi implorou a Deus pelo menino e fez um grande jejum. Voltando para casa, passou a noite deitado no chão. 17 Os anciãos do palácio insistiam com ele para que se levantasse do chão; mas ele não o quis fazer, nem tomar com eles alimento algum. 18 Ora, no sétimo dia, a criança morreu. Os servos de Davi tinham medo de anunciar-lhe a morte do menino. Disseram-lhe: “Quando a criança ainda vivia e nós queríamos falar com ele, nem nos ouvia. Como diremos agora que o menino está morto? Ele fará ainda pior!” 19 Mas Davi percebeu os comentários de seus servos e entendeu que o menino estava morto. Disse-lhes: “O menino está morto?” Eles responderam: “Sim, está morto”. 20 Davi então levantou-se do chão, lavou- se e se ungiu. Mudou de traje, entrou na casa do Senhor e prostrou-se. Depois voltou para sua casa e pediu que lhe servissem pão e comeu. 21 Disseram-lhe os seus servos: “Que estás fazendo? Enquanto a criança ainda vivia, jejuaste e choraste por ela. Agora que está morta, te levantaste e comeste pão”. 22 Davi respondeu: “Enquanto a criança ainda vivia jejuei e chorei, pois pensava: Quem sabe se talvez meu Senhor tenha piedade de mim e a criança viva? 23 Agora, porém, que está morta, por que jejuaria? Poderei fazê-la voltar? Antes irei eu até ela do que ela volte para mim”. 24 Depois Davi consolou sua mulher Betsabéia e deitou-se com ela. Ela concebeu um filho, que recebeu o nome de SALOMÃO. E o Senhor mostrou amor por ele 25 e enviou o profeta Natã para dar-lhe o nome de Jedidias, “amável ao Senhor”.