"a força criativa é o amor" - S. Maximiliano Maria Kolbe
AOS POUCOS ELA FOI SE ABRINDO, SE CONTORCENDO...
No Dia das Mães, nós, do Grupo de Jovens, resolvemos fazer visitas às Mães doentes de nossa cidade, em suas próprias casas.
Foi uma experiência maravilhosa: cantávamos, líamos poesias, enfim faziamos uma homenagem a elas. Elas se emocionavam muito, choravam feito crianças. Agradeciam-nos por termos lembrado delas.
Quando passávamos pela rua, paramos em frente a uma casa e lembrei-me que ali morava uma amiga minha de escola e que esta amiga tinha sua mãe muito doente. Embora não soubesse de sua doença, sabia apenas que minha amiga sofria muito com ela.
Falei com o grupo e resolvemos chegar até a casa. Vimos uma mulher sentada à varanda. Era uma mulher nova, mas quase nem nos respondeu quando a cumprimentamos. Não sabia porém, que aquela era a mãe que procurávamos, pois não a conheciamos. Pedi para que ela chamasse minha amiga. Dai a instantes a amiga chegou. Expliquei-lhe que estávamos fazendo homenagens à Mães doentes e que se ela quisesse, poderíamos fazer uma homenagem a sua mãe também. Percebi que ela teve segundos de hesitação, e depois, com um pouco de receio, que era notável em seu rosto, foi chamá-la.
Quando sua mãe voltou, ficamos até com vergonha, pois já a tinhamos visto e não a tínhamos cumprimentado.
Começamos a fazer a homenagem. No inicio ela estava séria, não se contorcia com nenhum sorriso, nem tampouco com as cartas e as palavras; mas aos poucos ela foi se abrindo, se contorcendo... Um sorriso estampou em sua face. Lágrimas correram de seus olhos. Notávamos que ela estava feliz e que chorava de emoção.
Ao terminarmos a nossa homenagem, entregamos flores a ela e fomos todos cumprimentá-la pelo seu dia. Ela, em choros, nos abraçava fortemente e nos agradecla por termos ido em sua casa. E assim fomos saindo, sempre cantando músicas tocantes.
Foi ai que descobrimos o interessante. Encontramos com vizinhos dessa senhora que nos indagavam como tínhamos tido coragem de entrar na casa daquela mãe, pois ela não recebia ninguém em sua casa e as pessoas que entravam lá, eram tocadas para fora. Até o nosso coordenador nos disse que quando nos viu entrando lá, ficou perplexo e correu para nos impedir de entrar, mas quando chegou, já tinhamos começado a homenagem.
Sentimos um grande calor em nossos rostos. Notamos que quando as pessoas são tratadas com carinho e amor, elas se tornam diferentes. Era o que tinha acontecido conosco. Tratamo-la com carinho e ela nos recebeu. Talvez a doença mental daquela mulher fosse justamente falta de amor e principalmente de calor humano. Quantas mães, talvez, se sentem assim!
Deixo aqui um apelo: "Vá além do sofrimento das pessoas. Toque no ponto nevrálgico do procedimento desse sofrimento. Não julgue as pessoas pela aparência, pois as aparências enganam!"
MARGARETE FERESIN
Piacatu SP
Fim
Fonte:
Revista CAVALEIRO DA IMACULADA, nº79, 1985.
