(1080)_D. Bosco viu a sorte da Igreja (Milícia da Imaculada)

 


A Visão das Duas Colunas de Dom Bosco


Este documento narra a famosa profecia de Dom Bosco sobre o futuro da Igreja Católica, descrita como um imenso navio em meio a uma violenta guerra marítima. O relato detalha como a embarcação principal, liderada pelo Papa, enfrenta ataques de frotas inimigas armadas com livros e canhões durante uma tempestade avassaladora. A salvação do pontífice e de seus fiéis ocorre quando o navio consegue se ancorar entre duas colunas monumentais, que representam a Eucaristia e a Virgem Maria. Após a morte de um Papa e a imediata sucessão por outro, a paz é restaurada assim que a Igreja se firma nesses dois pilares espirituais. O texto conclui que a devoção mariana e a comunhão frequente são os únicos caminhos para superar as perseguições e crises futuras. Trata-se de uma exortação espiritual publicada em 1983 para reforçar a fé e a resiliência cristã perante as adversidades do mundo.


Fonte:

Revista CAVALEIRO DA IMACULADA, Nº65, 1984


D. BOSCO viu a sorte da Igreja 


«No dia 30 de Maio de 1862, contou D. Bosco aos seus jovens: 


«Quero contar-vos um sonho. É verdade que quem sonha não raciocina; entretanto eu Vou contar-vo-lo para vossa utilidade espiritual. 


Imaginai que estais comigo à beira mar ou melhor, em cima de um rochedo isolado e que não vedes outro espaço de terra, senão aquele que está debaixo dos vossos pés. Em toda aquela vasta superficie das águas, vê-se uma multidão de navios ordenados para a batalha, e cujas proas terminam por um esporão de ferro, afiado à maneira de dardo, que onde é lançado fere e trespassa seja que for. Estes navios estão armados de canhões, carregados de espingardas, de outras armas de toda a espécie, de matérias incendiárias e também de livros, e avançam contra um navio maior que todos eles, tentando abalroá-lo com o esporão, Incendiá-lo ou então fazer-lhe todo o mal possível.

 

Em volta daquele majestoso navio, totalmente apetrechado, estão outros. pequenos, que the fazem escolta è dele recebem sinals de comando executam evoluções para se defenderem dos barcos adversários. O vento é-lhes contrário e o mar agitado parece favorecer os inimigos. 


No meio da imensa extensão do mar elevam-se das ondas duas fortes colunas, altíssimas, pouco distantes uma da outra. Sobre uma está a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés pende um cartaz com esta inscrição: «Auxílio dos Cristãos»; na outra, que é muito mais alta e mais grossa, está uma Hóstia de tamanho proporcionado à coluna, e, em baixo, um outro cartaz com as palavras: Salvação dos crentes». 


Em pé no grande navio, o comandante supremo, que é o Pontífice Romano, vendo o furor dos inimigos e a má situação em que se encontram os seus fiéis, pensa em convocar à volta dele os pilotos dos navios secundários para uma reunião de conselho e decidir o que se havia de fazer. Todos os pilotos sobem e se congregam à volta do Papa. Tomam assento, mas, como o vento e a tempestade enfureclam cada vez mais, são mandados para os próprios navios. 


Sobrevindo um pouco de bonança, o Papa reúne os pilotos pela segunda vez à sua volta, enquanto o navio capitão segue o seu curso. Mas a borrasca volta pavorosa. 


O Papa está ao leme e todos os seus esforços são no sentido de levar o navio para o meio daquelas duas colunas, do cimo das quals, em toda a volta, pendem multas âncoras e grandes ganchos ligados a correntes. Os navios Inimigos dirigem-se todos para assaltar e tentam todos os processos para o aprisionar e afundar: uns com os escritos, com os livros, com matérias incendiárias de que estão carregados e que procuram lançar para bordo, outros com canhões, com espingardas e com esporões. 


O combate torna-se cada vez mais assanhado. As proas dos inlmigos batem violentamente contra ele, mas os seus esforços e O seu impeto tornam-se Inúteis. Em vão repetem a tentativa e gastam todas as suas energias e munições: O grande navio prossegue livre e seguro no seu caminho. Acontece, às vozes que, atingida por grandes golpes, recebe nos seus flancos largas e profundas fendas, mas, mal se produz o estrago, logo das duas colunas sopra uma aragem e as suas brexas fecham-se. 


Entretanto, disparam os canhões dos assaltantes, despedaçam-se as espingardas, todas as outras armas e os esporões; multos navios desconjuntam-se e afundam-se no mar. Então os inimigos, furiosos, começam a combater com armas curtas, com as mãos, com punhos, com blasfémias e maldições. 


Els senão quando o Papa cai gravemente ferido. Imediatamente aqueles que estão junto dale, apressam-se a ajudá-lo e levantam-no. O Papa é ferido pela segunda vez, ical de novo e morre. 


Um grito de vitória e de alegria ressoa entre os inimigos. Mas els que, apenas morto o Pontifice, um outro Papa toma o seu lugar. Os pilotos, reunidos, elegeram-no tão rapidamente que a notícia da morte do Papa chega com a noticia da eleição do sucessor. Os adversários começam a perder a coragem. 


O novo Papa, dispersando e superando todos os obstáculos, guia o navio até às duas colunas, e. chegando ao mejo delas, amarra-o, com uma corrente que pendia da proa, a uma âncora da coluna sobre que estava a Hóstia; e, com uma outra corrente da popa, Ilga-o, da parte oposta, a uma outra âncora ligada à coluna em que está colocada a Virgem Imaculada. 


Então sucede uma grande mudança. Todos os navios que até àquele ponto tinham combatido aquele em que se encontrava Papa, fogem, dispersam-se, chocam e despedaçam-se entre si. Uns afundam-se e procuram afundar os outros. Algumas embarcações que combateram vigorosamente pelo Papa são as primeiras a amarrar-se àquelas colunas. 


Muitos outros navios que se tinham retirado com medo da batatha e se encontram muito distantes, estão a observar prudentemente, até que, com grande entuslasmo, vogam em direcção àquelas duas colunas, ondo, uma vez chegados se amarram aos ganchos pendentes das mesmas, e ai fl cam tranquilos e seguros, juntamente com o navio principal cobre o qual está o Papa. 


No mar reina uma grande calma. 


Por fim, D. Bosco explicou: 

- Que é que tu pensas desta narração? 


D. Rua respondeu: 

- Os navios dos inimigos são as perseguições. Preparam-se gravíssimes aflições para a Igreja. Aquilo que se deu até agora é quase nada em comparação com o que irá acontecer. Os seus int migos estão representados nos navios que tentam afundar, se lhes fosse possível, o navio principal. 


Restam apenas dois meios para se salvar entre tanta confusão: 


- Devoção a Maria Santissima frequência da Comunhão; empregando todos os esforços e fazendo o melhor que pudermos para os praticar e fazer praticar em toda a parte e por todos.

 

"CAVALEIRO DA IMACULADA' Porto, Portugal 

Nº 585, 10.12.1983 


Fim