MARIA MENINA NO TEMPLO
(Apresentação de Maria - 21 de novembro)
É sabido que os Evangelhos começam a falar de Maria somente a partir do momento da Anunciação, ou seja do seu engajamento total na Obra da Salvação quando a Virgem aceitou conscientemente a vontade de Deus para ser a Mãe de Jesus Cristo.
A piedade cristã, por sua vez, desde muito cedo, procurou dedicar bastante interesse também para com os outros momentos da vida da Santíssima Mãe de Deus.
Entre muitos momentos assim evidenciados e celebrados encontra-se a APRESENTAÇÃO DE MARIA NO TEMPLO.
A tradição extra-evangélica diz que Maria na idade de menina, foi levada pelos seus pais para o Templo de Jerusalém a fim de prestar alguns serviços na Casa de Deus e ao mesmo tempo aprender mais profundamente a herança religiosa de Israel.
Não sabemos como se realizou, em detalhes, esta experiência de Maria: que pessoas tomaram conta dela e, provavelmente, de outras meninas como Ela; que roteiro de ocupações foi realizado; e quanto tempo durou sua permanência na sombra daquele ambiente sagrado.
É de aceitar com fé, que o Espírito Santo conduzia esta sua Eleita, pelos caminhos de sua Providência. Maria, a Imaculada, aberta e dócil para as inspirações divinas, devia considerar muito proveitoso e edificante tudo em que participava todo dia.
Desde muito cedo Maria adquiriu e aprofundou aquela atitude de "meditar em seu coração", tão lhe característica e forte nas páginas do Evangelho.
Graças a esta atitude meditativa, Maria colhia muitas mensagens dos Livros Sagrados da Lei de Moisés, dos Profetas e dos Salmos. No seu Coração aberto e recolhido, inocente e cheio de graça, teceram-se os atos de louvor ao Pai do Céu, tão presente em todos os acontecimentos descritos nas páginas da Bíblia. Os atos de gratidão pela providência maravilhosa do Altíssimo no decorrer da história do povo de Israel, desde o Patriarca Abraão, homem de fé inabalável, e tantas outras figuras maravilhosas dos antepassados até os últimos momentos da atualidade. A gratidão pela libertação do Egito e pelo assentamento das tribos de israel na Terra Prometida. Tantas intervenções divinas nos momentos cruciais da caminhada do Povo.
Deviam doer-lhe as repetidas infidelidades e ingratidões do mesmo Povo para com o seu Deus. As ingratidões fazem parte integral da história de Israel. As tentações eram fortes e a inclinação dos filhos de Abraão para as divindades alheias era impressionante. Muitíssimas vezes obcecava-se o coração do povo em atitude de abandonar os preceitos do Senhor, para seguir os cultos dos deuses pagãos - coloridos, barulhentos e agitados e por isso tão fascinantes e irresistíveis. Ao mesmo tempo enganosos, porque retraíam o Povo Escolhido da sua missão, a única no seio da humanidade.
Com uma profunda dor de coração, Maria acompanhava as desgraças que caíam sobre seus antepassados quando estes abandonavam o Senhor. Deus os repreendia com dureza, mas sempre lhes perdoava, quando reconheciam seus erros e, humilhados, voltavam ao seu legítimo Pastor.
Toda a história de Israel era cheia de altos e baixos. A mais impressionante, no entanto, aparecia a fidelidade de Deus, que punindo e corrigindo os pecadores, continuava levando para frente sua Obra da Salvação.
Maria, então, conhecendo a História do seu Povo, até as raízes mais profundas, sentia uma viva esperança de que os Planos de Deus íam se cumprir todos, sem falha.
Ela ainda não suspeitava em que medida estes planos divinos incluíam a sua própria pessoa. Não obstante, se dispunha para tudo o que fosse do agrado de Deus. É muito provável que lá, durante a sua permanência no serviço do Templo, Maria chegou a se considerar "a serva do Senhor", até o mais fundo sentido desta palavra.
Inegavelmente, Maria tornou-se conhecedora peculiar da Palavra de Deus. Uma amostra disso foi o seu próprio cântico "Magnificat" em que Ela soube se expressar maravilhosamente, servindo-se das palavras da Sagrada Escritura.
Assim, a permanência de Maria no Templo foi muito providencial. De forma natural e orgânica, contribuiu para o resto do seu desempenho nos planos de Deus. Graças àquele estágio providencial no Templo, tornam-se mais compreensíveis as atitudes posteriores de Maria, seja no momento da Anunciação, seja nos momentos subseqüentes.
Frei Agostinho, OFMConv.
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