"a força criativa é o amor” S. Maximiliano Maria Kolbe
"JÁ QUE NÃO POSSO FALAR SOBRE A MINHA RELIGIÃO, HEI DE VIVÊ-LA"
Maria Berdanska foi destinada por Deus a uma missão especial. Polonesa de nascimento, com esmerada educação e vasta cultura, precisava ganhar o pão quotidiano com o próprio trabalho. E não foi fácil encontrar um serviço compatível com a sua condição de filha unica, responsável pelo sustento de sua veneranda mãe. Afinal, apresentou-se para ser governanta em casa de uma fanilia judia. Devia, especialmente, cuidar da formação e da instrução de três meninos.
Ao contratá-la os patrões israelitas perguntaram-lhe que religião professava.
- "Sou catolica, apostolica romana" declarou Maria com doce firmeza.
Meio perplexos e desconcertados quiseram recusarlhe o emprego, mas sua simpatia era tão contagiante que o casal pensou num recurso que, lhe pareceu, resolveria o impasse: fizeram-na comprometer-se a jamais falar com as crianças sobre as suas convicções religiosas.
Os rapazinhos eram bons mas turbulentos e mal-educados. Maria começou a exercer sobre eles grande e benéfica influência. E, tendo falecido sua virtuosa mãe, passou a morar definitivamente com a família, que se foi apegando vivamente a jovem preceptora. De suas crenças ela nada falava. Seguia à risca a promessa feita. Trazia ao pescoço um medalhão que intrigava muito os meninos.
- "Que é isso?", perguntavam-lhe curiosos.
- "É uma capelinha misteriosa", respondia a jovem sorrindo.
E assim se passaram os anos... quando grassou na cidade uma terrível epidemia que atingiu até os pequenos judeus. Maria dedicou-se heroicamente aos queridos enfermos internando-se com eles no Isolamento, pois era contagiosa a moléstia.
Graças aos cuidados médicos e sobretudo à solicitude heroica da preceptora, os meninos escaparam à morte. Mas, por sua vez, Maria Berdanska contraiu a doença e veio a morrer.
Imensa desolação desabou sobre aquele lar que já não dispensava aquela maravilhosa presença da qual ressumavam doçura, bondade e segurança. Por entre inconsoláveis lágrimas lembraram-se os rapazinhos da célebre "capelinha", na qual pressentiam, confusamente, haver algum segredo da vida de Maria. E pediram a mãe que abrisse o medalhão. O que nele encontraram? Uma pequena folha de papel com estas palavras: "Já que não posso falar sobre a minha religião, hei de vivê-la". E como a viveu!
Estupefata, toda a família como que "acordou" para a descoberta do segredo de tanta bondade, tanta eficiên cia, tanto heroísmo: a sua religião católica, a sua vi da de cristã autêntica...
E encontraram a verdade!
Na Missa de "sétimo dia" de Maria Berdanska, toda a familia israelita: pai, mãe e filhos convertida, recebia o Batismo e a Primeira Eucaristia!
Maria Berdanska os conquistara para Cristo pelo testemunho de sua fé sacrificada e heróica e pela força de sua silenciosa oração...
MADRE MARIA BERNADETE DO DIVINO CORAÇÃO, ocd
Carmelo de Teresópolis - RJ
Fim
Fonte:
Revista CAVALEIRO DA IMACULADA, nº 55, 1983.