REVOLUÇÃO DE UM PADRE
Apresentamos um Padre. Hoje está com 45 anos de idade. O povo chama-o "Apo Santos", quer dizer o Padre santo. Vinte anos atrás ele foi ordenado Sacerdote. O Arcebispo de Nova Segóvia (Vigan, Filipinas) percebeu os dotes do jovem levita. Colocou-o no lugar certo: pastoral da juventude.
Foi um sucesso. Os jovens rodearam o Padre Santos Rabang. Ele sabia falar com a nova geração. Muitos, já afastados da Igreja, reaproximaram-se. O movimento tomou volume. Era preciso organizar-se. Surgiu então o "Movimento Católico dos Jovens da Arquidiocese".
Mas, o tempo não era de calma. A política fervia. Tornava-se urgente despertar o senso crítico. Os jovens precisavam ser orientados. Era preciso tomar atitudes. Denunciar o protecionismo e o suborno. Condenar o nepotismo e a corrupção.
Movido pela convicção da sua fé, o Padre Santos Rabang arregaçou as mangas. Não se omitiu. Precipitou-se até. Abandonou a Diocèse. Mudou-se para a capital Manila. Tornou-se ativista. Movimentou grupos. Incomodou muito. Acabou confinado numa prisão.
O Padre Santos Rabang soube ser crítico. Crítico autêntico. Els como ele julga hoje aqueles tempos turbulentos: "Eu fui político demais; fui pouco religioso. Fui ativo demais; pouco contemplativo. Incitei muito para a luta; rezei muito pouco".
Na prisão aflorou-lhe uma nova realidade: Não são tanto os políticos que fazem as grandes mudanças, mas os grandes homens de oração. Dal chegou à convicção: melhorar o mundo pelo exemplo da vida.
Escreveu ao Arcebispo. Pediu ser reintegrado na Arquidiocese. Solicitou licença para levar uma vida rigorosamente eremítica.
Saído da prisão, procurou um Mosteiro de Trapistas. Fez um estágio. Aprendeu os segredos da vida contemplativa. A seguir voltou para a Arquidiocese. O Arcebispo ofereceu-lhe em 1977 um local de difícil acesso. Terreno desértico. Fica em Alangan, não longe de Santo Domingo.
Ali o Padre construiu um Eremitério. Não falta uma capela aconchegante. O local recebeu um nome significativo: "Cristo do Deserto".
Na região vivem alguns pescadores. Gente pobre. O Padre convidouos para a Celebração Eucarística. Eles vieram. Trouxeram-lhe também alimentos.
Depois apareceram alguns jovens. Vinham com o desejo de compartiIhar aquela vida do deserto. O Padre aceitou-os. Chegaram a ser 10. Cada um tem a sua cabana de bambú. Quatro portos norteiam o Regulamento: silêncio, oração, solidão e trabalho.
O terreno mede 25 hectares. De início, nada de verde existia ali. Aos poucos o cenário está mudando.
Em 1979, o Arcebispo reconheceu a comunidade como "Pia Fundação".
A comunidade reúne-se cinco vezes ao dia para a oração. Na hora da Santa Missa chegam também os pescadores.
Oferecer oportunidade para dias de recolhimento, é o desejo do Padre Santos Rabang e dos seus companheiros. Convidam sacerdotes, estudantes e simples cristãos. A comunidade está pronta para orientação de vida. Este confinamento voluntário é muito apropriado para descobrir o sentido da vida.
A comunidade não vive ociosa. O tempo é repartido segundo a sabedoria dos antigos Padres do Deserto. As horas não ocupadas pela oração são empregadas no trabalho. É preciso construir novas cabanas. Torna-se necessário abrir valetas para condução de água. Não é nada fácil desbravar o deserto para torná-lo fértil. Mas dá resultado. As bananeiras já oferecem os seus frutos. Arroz também já foi colhido. A alimentação básica de cada dia já está assegurada. A comunidade quer partilhar com os hóspedes e com os vizinhos. Todos devem perceber claramente que ser cristão é viver para os outros.
Esta é uma revolução que dá certo. Traz libertação. Constrói a paz. Dá sentido à vida.
Bendito seja Deus!
Pe. Fabiano S. Kachel, SVD.
Fim