A Rocha Brasileira Que Vira Adubo
O Brasil depende fortemente da importação de cloreto de potássio para a agricultura, embora o território nacional abrigue imensas reservas minerais capazes de suprir essa demanda. O uso de pó de rocha e remineralizadores, técnica conhecida como rochagem e amplamente testada pela Embrapa, surge como uma alternativa viável para substituir os adubos tradicionais estrangeiros. Apesar do grande potencial geológico, o setor enfrenta diversos desafios logísticos, judiciais e de mercado, incluindo a baixa reatividade de certas rochas e impasses em grandes projetos de mineração. Contudo, iniciativas legais recentes e o desenvolvimento de novas tecnologias buscam impulsionar a produção nacional de fertilizantes, reduzindo a vulnerabilidade externa do país.
* * *
(Texto do vídeo)
A Rocha Brasileira Que VIRA ADUBO e Pode SUBSTITUIR o Potássio Importado
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil comprou do exterior 8,8 milhões de toneladas de cloreto de potássio, o adubo que dá o K do NPK. Foi o maior volume já registrado para esse período, segundo dados do comércio exterior compilados pelo portal Farm News. E em 2025, cerca de 96% de todo o potássio consumido no país veio de fora, segundo dados citados pela própria indústria do setor.
Só que debaixo do próprio chão brasileiro existem reservas de minério de potássio, que segundo estimativas atribuídas à Agência Nacional de Mineração, bastariam para abastecer o consumo interno até o ano 2100. E uma parte desse potássio está numa rocha verde no interior de Minas Gerais, que já é moída, ensacada e vendida para agricultores. Isso não é promessa de rede social.
Num experimento publicado por pesquisadores da Embrapa, uma rocha brasileira moída chegou a ter eficiência equivalente à do cloreto de potássio importado. E no dia 3 de setembro de 2026, uma lei federal passou a prever que, a partir de julho de 2027, o adubo vendido no Brasil leve uma parte de fertilizante nacional na mistura. Então por que o país continua importando quase tudo? Porque boa parte do potássio brasileiro tem um detalhe que o do Canadá não tem.
E é esse detalhe que decide se esta história vira solução de verdade. Se você curte vídeos assim, deixa o like e se inscreve, porque tem muito mais coisa dessa por aqui. Comece pelo preço.
Em julho de 2026, a tonelada do cloreto de potássio chegou ao Brasil por cerca de US$359, no chamado preço FOB, ou seja, o valor da carga antes do frete. Segundo o Farm News, foi o preço mais alto para um mês de julho, desde 2022. E esse preço depende de decisões tomadas muito longe daqui.
Os principais fornecedores do potássio brasileiro são o Canadá, Rússia e Belarus. Quem viu o vídeo da casca de coco aqui no canal lembra o que acontece quando esses países entram em crise. Segundo a CNN Brasil, a tonelada saiu de US$279, em maio de 2021, para US$680, em dezembro do mesmo ano.
Agora olhe para o lado de cá. Segundo um estudo publicado em 2025 na revista Coloquio, o Brasil produziu, em 2022, cerca de 190,3 mil toneladas de potássio, medido em K2O, ou seja, a forma padrão de contar o nutriente nos adubos. E isso equivale a 0,5% da produção mundial, e coloca o país só em 11º lugar.
E o cloreto de potássio produzido no Brasil sai de um único lugar, o Complexo de Taquari Vassouras, em Rosário do Catete, a cerca de 45 quilômetros de Aracaju, descrito pela imprensa como a única mina de potássio convencional em atividade no país. Em agosto de 2025, a americana Mosaic anunciou a venda dessa mina para a AVL Mineração, por até US$27 milhões. Segundo a Mosaic, seriam necessários mais de US$25 milhões só para manter a mina viável.
A nova dona assumiu o controle em novembro de 2025 e promete modernizar a operação. De um lado, um país que, no papel, teria potássio até o fim do século. Do outro, uma única mina convencional, que a dona anterior preferiu vender.
E o potássio do papel está espalhado. Segundo os números atribuídos à Agência Nacional de Mineração, o potencial total do país chega a 2,9 bilhões de toneladas de minério. Mais de 1,5 bilhão de toneladas estão em Minas Gerais, outros 939 milhões no Amazonas.
E cada uma dessas reservas esbarra num problema diferente. No Amazonas, perto do município de Autazes, a cerca de 120 quilômetros de Manaus, está o tipo de depósito que o mundo inteiro conhece. Sal de potássio, a centenas de metros de profundidade, numa estrutura que a Agência Brasil 61 descreveu como comparável às da Rússia, de Belarus e do Canadá.
O projeto da empresa Brasil Potash enfrenta há anos uma disputa judicial. Em dezembro de 2016, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra o empreendimento e organizações indígenas se opõem ao projeto, que fica numa região do povo Mura. Em agosto de 2026, segundo documento da própria empresa enviado à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, o Tribunal Regional Federal da primeira região manteve as licenças ambientais e considerou adequada a consulta ao povo Mura.
Mas a Defensoria Pública da União, em nome de organizações indígenas contrárias ao projeto, já tinha levado o caso ao Supremo. E mesmo com as licenças, até agosto de 2026, a empresa ainda não tinha recebido a concessão de lavra, ou seja, a autorização final para minerar. Até junho de 2026, já tinha gastado cerca de US$ 295 milhões, sem tirar uma tonelada do chão.
A engenharia básica do projeto só deve ficar pronta no segundo trimestre de 2027. E há uma novidade recente. Em 13 de outubro de 2026, a empresa divulgou um teste feito com a ERCOSPLAN, usando raio X e inteligência artificial para separar os pedaços de minério mais ricos.
O teor de cloreto de potássio da fração selecionada subiu de cerca de 13 para cerca de 27%. Mas a própria empresa ressalta que a amostra foi pequena, e que o resultado pode não se repetir em escala industrial. Já em Minas Gerais, o problema é outro, e é aqui que está o detalhe que o Canadá não tem.
O potássio mineiro não está num sal, está preso dentro de uma rocha esverdeada, conhecida como verdete, ou siltito glauconítico, ou seja, uma rocha sedimentar formada por um mineral chamado glauconita, que guarda o potássio dentro da própria estrutura cristalina. O sal do Canadá dissolve na água, a rocha de Minas não. Num estudo de 2015 feito na Universidade Federal de Viçosa, amostras de verdete de cedro do Abaeté e de Quartel Geral, em Minas, tinham entre 5% e 9% de K2U no total.
Mas, em média, só cerca de 0,6% desse potássio se dissolvia em água. A conclusão dos pesquisadores foi direta. A rocha tinha baixa reatividade, o que limitava o uso direto como adubo.
Durante muito tempo, essa foi a principal limitação apontada para o verdete. Muito potássio, pouco potássio disponível. Mas o que parecia um defeito começou a ser lido de outro jeito por um grupo de pesquisadores brasileiros.
A ideia tem nome, rochagem, ou seja, usar rocha moída diretamente no solo como fonte de nutrientes. Na Embrapa Cerrados, em Planaltina, no Distrito Federal, o pesquisador Éder de Sousa Martins estuda esse tipo de material desde o ano 2000. E segundo a própria Embrapa, houve um tempo em que essa proposta era descartada, porque contrariava a lógica do adubo solúvel.
Em 2013, a Lei 12.890 reconheceu os remineralizadores como insumo agrícola. Pela definição da lei, remineralizador é um material de origem mineral que passa apenas por redução e classificação de tamanho, por processos mecânicos. Em 2016, o Ministério da Agricultura publicou as regras.
Para ser registrado, o produto precisa ter a eficiência agronômica comprovada por instituições públicas de pesquisa, como a Embrapa e as universidades. E os testes trouxeram uma surpresa. Num experimento publicado em 2006 por pesquisadores da Embrapa Soja, da Embrapa Pecuária Sudeste e da Universidade Estadual de Londrina, cinco rochas brasileiras foram comparadas com o cloreto de potássio.
Primeiro cultivou-se girassol, depois soja, sem adubar de novo. Uma das rochas, chamada Ultramáfica Alcalina, teve índice de eficiência agronômica equivalente ao do cloreto de potássio num dos solos testados, somando os dois cultivos. O biotita, xisto e o carbonatito ficaram em média entre 60 e 80%.
E o detalhe mais revelador foi o que aconteceu com o adubo importado. O girassol, o primeiro cultivo, absorveu mais de 90% do potássio aplicado como cloreto. Sobrou pouco para a soja.
Já as rochas continuaram liberando potássio aos poucos para o cultivo seguinte. Ou seja, a liberação lenta, o mesmo tipo de característica que derrubava o verdete no laboratório, pode virar efeito residual no campo. Mas vale o cuidado.
O verdete não estava entre as rochas desse experimento. Segundo a Embrapa, um estudo da Embrapa Cerrados, com soja, no Planalto Central, mostrou que o biotita, xisto, foi mais vantajoso que o cloreto de potássio já no primeiro ciclo, quando aplicado a até 200 quilômetros da fonte da rocha. E em 2016, a Embrapa estimava o custo de produzir o pó de rocha entre 20 e 30 reais por tonelada.
Foi nessa linha que uma empresa decidiu apostar na rocha verde de Minas. A Verde Agritec, fundada e comandada pelo empresário Cristiano Veloso, extrai-se o título glauconítico em São Gotardo, no Alto Paranaíba, e vende o produto com o nome de K-Forte. Em 2018, segundo o Jornal Diário do Comércio, a mina foi apontada como a primeira mina de potássio a entrar em operação no Brasil em 33 anos, depois de cerca de 120 milhões de reais investidos em pesquisa desde 2005.
Segundo a empresa, as reservas comprovadas e prováveis têm, em média, 9,19% de K2O, e os recursos certificados somam 3,3 bilhões de toneladas. A capacidade declarada das fábricas chega a 3 milhões de toneladas por ano, e a empresa afirma que o produto não tem cloro nem sódio, exatamente os dois elementos que, como o canal mostrou no vídeo da casca de coco, podem salinizar o solo. Se você chegou até aqui, deixa o like agora, porque isso ajuda o vídeo a alcançar mais gente que também curte, entender uma descoberta até o fim, sem ficar só na manchete, e a Rocha Verde de Minas é só uma das portas que esse caminho está abrindo.
Pense numa pedreira de brita! Segundo a Embrapa, pedreiras em Aparecida de Goiânia, em Goiânia, e em Abadiânia, em Goiás, já exploravam o biotita xisto como subproduto da produção de brita, um subproduto da construção civil, que pode virar adubo para elavor a vizinha. Pense na lei nova! O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o PROFERT, criado pela Lei 15.496, de 3 de setembro de 2026, prevê uma mistura obrigatória de fertilizante nacional de no mínimo 2% a partir de julho de 2027, chegando a 10% até 2037. E segundo a agência Senado, o programa inclui os remineralizadores.
Em agosto, o governo federal também anunciou 4 bilhões de reais em recursos do BNDES para o setor de fertilizantes. Pense no norte! Segundo um estudo publicado em 2025, na revista Colóquio, os portos paraenses de Vila do Conde e Santarém receberam mais de 1 milhão de toneladas de fertilizantes de potássio importados em 2023. E em agosto de 2024, o Pará não tinha nenhum produtor de remineralizador registrado no Ministério da Agricultura entre 75 estabelecimentos ativos no país.
E pense nas terras raras! Em resultados divulgados em 2026, a mesma Verde Agritec apresentou a descoberta de um depósito de terras raras em argila, em Minas Gerais. Com mais de 3,5 quilômetros quadrados, a empresa que começou vendendo pó de rocha agora mira um dos minerais mais disputados do planeta. Mas nada disso significa que o problema está resolvido.
E aqui é preciso olhar com a mesma atenção para o que ainda pode dar errado. O primeiro obstáculo é a concentração. O cloreto de potássio tem cerca de 60% de K2O.
A rocha de São Gotardo tem, em média, cerca de 9. Para entregar a mesma quantidade de potássio, é preciso transportar mais de seis vezes mais material. Por isso, segundo a Embrapa, a viabilidade econômica do pó de rocha fica num raio de 100 a 300 quilômetros da origem. O segundo obstáculo é o tempo.
A liberação lenta, que vira efeito residual, também significa que a rocha pode não entregar todo o potássio no momento em que a lavoura mais precisa. E existe um problema de medição. Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás concluíram em 2020 que dois métodos químicos comuns não deveriam ser usados para medir o potássio disponível do siltito glauconítico.
Ou seja, até a análise de laboratório que orienta o agricultor pode subestimar ou superestimar o que a rocha entrega. O terceiro obstáculo é o mercado. Em 2025, segundo resultados divulgados pela empresa, a Verde Agritec vendeu 258 mil toneladas contra 318 mil em 2024 e a receita caiu para 16,6 milhões de dólares.
O presidente da empresa atribui a queda a uma grande crise do agronegócio brasileiro, iniciada em 2023, com alta nos pedidos de recuperação judicial e crédito mais difícil para o produtor. E o volume vendido em 2025 é menos de um décimo da capacidade declarada de 3 milhões de toneladas por ano. O quarto obstáculo é o Amazonas.
O projeto de Autazes ainda depende da concessão de lavra, do fim da disputa judicial, do diálogo com o povo Mura e de financiamento. E segundo o próprio documento enviado à SEC, os auditores da empresa mantêm uma dúvida sobre a capacidade de continuidade das operações sem novos recursos. O quinto obstáculo é a única mina convencional do país.
Taquari Vassouras precisou trocar de dono para continuar de pé e ainda depende de investimento para seguir produzindo. E o sexto obstáculo é o tamanho da evidência e da lei. Parte dos resultados mais animadores vem de experimentos em vasos e de testes de laboratório.
E os benefícios que a Verde Agritec atribui ao CAForte são afirmações da própria empresa. E a mistura obrigatória do Profert começa em apenas 2%, com os percentuais de cada nutriente ainda a serem definidos por um conselho do governo. Mas cada um desses seis obstáculos é um problema de logística, de mercado ou de dinheiro.
Nenhum deles é mais um problema de geologias. Que o potássio está no chão brasileiro e que a rocha moída consegue alimentar uma lavoura já foi medido, pesado e publicado. E o Brasil já transformou pó de rocha em revolução agrícola uma vez.
Nos anos 1950, o pesquisador americano Colin McClung estudou os solos do Cerrado, que muita gente considerava terra perdida, e mostrou que com o calcário, micronutrientes e adubo eles podiam produzir. Calcário, vale lembrar, é rocha moída. A partir dos anos 1970, o pesquisador brasileiro Edson Lobato passou cerca de 30 anos estudando a fertilidade desses solos.
E Alison Paulinelli, ministro da Agricultura entre 1974 e 1979, criou políticas de crédito para os produtores ocuparem a região. Em 2006, os três dividiram o World Food Prize, conhecido como o principal prêmio mundial da alimentação. Segundo a Voz da América, as terras que antes eram vistas como improdutivas passaram a ter mais de 40 milhões de hectares de soja, milho e algodão.
E um detalhe fecha o círculo. Em 2018, segundo o Diário do Comércio, o mesmo Alison Paulinelli aparecia como diretor da empresa que vende o potássio de rocha de São Gotardo. Se você curtiu, deixa o like, se inscreve e ativa o sininho para não perder o próximo vídeo sobre inovação brasileira.
Então fica a pergunta, se o adubo de rocha brasileira agir mais devagar, você usaria na sua lavoura para o país depender menos da Rússia e do Canadá? Comenta aqui embaixo!
Fim
(Transcrito por TurboScribe)
Fonte:
A Rocha Brasileira Que VIRA ADUBO e Pode SUBSTITUIR o Potássio Importado | A Embrapa Já Testou!
https://youtu.be/UEbO72-3_BU
Canal Brasil Inova
17:18
.
