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MINHAS DESCOBERTAS MARAVILHOSAS
(Testemunho de D. EDITE G. D. OLIVEIRA)
Participávamos em 25/09/81 de um encontro de Comunidades Eclesiais de Base. Numa tarde, divididos em grupos, foi-nos dada a leitura de vários textos bíblicos.
O nosso grupo recebeu Jo 15,1 (a videira e os ramos). Deveríamos encontrar na vivência do grupo algum acontecimento que pudesse explicar a passagem citada acima e encontrar a solução, caso houvesse algum problema no grupo ou na comunidade onde os participantes viviam.
Depois de ouvidos alguns testemunhos, narrei a minha caminhada de busca do Senhor e a descoberta de quem é Jesus Cristo para mim:
Nasci. Batizaram-me. Crismaram-me. Primeira Comunhão. Cursilho. Momentos altos de fé e momentos de nenhuma prática religiosa.
E nestas noites, de espírito, voltada para o mundo, sentia uma angústia muito grande, uma imensa fome de Deus. Não suportava viver sem a Eucaristia. E acredito, foi isso que me manteve ligada à VIDEIRA, meu Jesus.
Com o passar dos anos, nasceu a crítica à Igreja. As outras religiões, e de modo particular, o Espiritismo, se sobressaiam pela assistência social. Era, acredito, a insatisfação comigo mesma, projetada na minha Igreja.
Um dia recebi a visita do sr. H. Conversamos muito sobre a seita espírita e ele mostrou-me algumas passagens bíblicas que, segundo sua interpretação, revelavam a reencarnação, palavrinha-chave, que católicos, pouco formados na Palavra, sempre têm muito interesse e uma interrogação.
Estava fisgada.
Comecei a ler vários livros indicados por ele (literatura cheia de "revelações" do mistério: a vida depois da morte), até "O Evangelho segundo Allan Kardec". Era um prato cheio.
Em agosto, olhando uma edição da revista "Família Cristã", procurando gravuras para os meus filhos, vi uma reportagem sobre a seita de A.K.: o Espiritismo.
Li, e pedi, posteriormente, ao senhor H. que lesse e me dissesse o que havia de verdade naquela reportagem, pois, embora ela tenha sido redigida por um sacerdote, ele era um leigo no assunto.
Meu coração voltava a angustiar-se pelo que li.
A resposta do sr. H. me despertou! O que me chamou a atenção, era a afirmação que Deus era uno (novidade nenhuma para nós!), mas acrescido da explicação de que Jesus era apenas homem e que o Espírito Santo não existe e sim, "espíritos" que alcançaram a perfeição! Conclusão: erro de tradução: "espíritos" e não "Espírito". Era e é a negação do Espírito Santo e da divindade de Jesus.
O sr. H. foi-se para não mais voltar, haja vista o abismo que se abriu entre nós com aquela "revelação".
No meu quarto, em oração, pedi ao Senhor que perdoasse minha ignorância na Palavra e que me revelasse no Evangelho, o que aprendi na infância no Catecismo: o Mistério de um Deus Uno, mas com Três Pessoas Divinas, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Abri a Bíblia e a leitura foi: Mt 12,31-37. Emocionada, abri novamente e li Jo 14.
Iniciou-se aí, no deserto do meu quarto, um período de oração, jejum, louvor, diálogo, leitura da Palavra, e do livro "Deserto Vivo" de Catherine de Hueck Doherty.
Descobri o bem que nos faz buscar o deserto, meditar, meditar, meditar...
Os livros que passei a ler então, não me revelaram a vida após a morte, mas sim, como nos converter dia-a-dia, preparando-nos para a vida após a morte.
Depois saindo, descobri, buscando o meu próximo nas ruas empoeiradas e pobres, o rastro de frades e religiosas numa assistência silenciosa aos que sofrem. Descobri irmãos ricos que repartem remédios e alimentos. Vi que os presidiários não estão sozinhos. Que religiosas vivem exclusivamente em oração para que leigos, como eu, possam encontrar o seu Jesus. Que na aparência inativa e de pouca ação encontram-se fortalezas de fé. Cada cristão no lugar onde o Senhor o plantou, como Ele quer.
Neste dia 25 completam-se 40 dias iniciados no dia 15 de agosto, tempo de escuta, nascimento para a fé. Como desejei ser batizada de novo. Sentia-me uma verdadeira catecúmena.
Foi tempo de alegria, de verdadeira felicidade, mas também de muitas lágrimas. A fé não me trouxe paz, mas angústia, insatisfação, conflito, luta...
Neste retiro, uma irmã, vendo que eu chorava, deu-me um cartãozinho: "NÃO TEMAIS, EU ESTOU CONVOSCO. Jesus Cristo".
Nunca confiei nesses bilhetinhos como mensagem do Senhor. Abri então a Bíblia e veio Is 41,13-15.
Apesar de todas as minhas falhas, um DEUS-AMOR, cheio de misericórdia estava, sempre esteve do meu lado, na frente, no passado sofrido.
Quase fui galho que se separou da VIDEIRA, mas sua misericórdia mostrou-me que:
Jesus Cristo é meu Deus.
Filho de Maria, meu irmão.
Filho de Deus, meu Salvador.
Quando jovem, chamava-O "você",
"Meu irmão", "meu companheiro",
"Irmão camarada!"
Hoje sei: é meu Deus!
Filho do Pai.
Só o infinito Amor O trouxe à condição de homem.
Senhor, Senhor!
Meu irmão, mas acima de tudo: meu Deus!
Observação: Catherine... ensinou-me a beleza de ser "terceiro": Deus em primeiro lugar, segundo: o próximo, e eu: em terceiro.
Pouco tempo mais tarde, descobri em Francisco de Assis o caminho e na Ordem Franciscana Secular a graça de ser terceira.
Através do Franciscanismo conheci a vida de Maximiliano Maria Kolbe e a Milícia da Imaculada.
Obrigada, Senhor!
Edite G.D. Oliveira
Quirinópolis - GO
